Câncer de pulmão: medicina de precisão aumenta sobrevida em até 7 vezes


  • 03/07/2021, 00h20, Foto: Reprodução.

Uma terapia desenhada para agir em um gene alterado específico em determinado tipo de tumor. Essa tecnologia, que levou à Era da Medicina de Precisão, é hoje utilizada para tratar câncer de pulmão.

Ao contrário do início do milênio, quando todo tumor pulmonar era tratado com quimioterapia, hoje os pacientes, antes de iniciar o tratamento, podem receber a indicação de teste de mutação em EGFR, BRAF, ROS-1, KRAS, fusão EML4-ALK, rearranjo em NTRK, dentre outras alterações genéticas para as quais há medicamentos com eficácia comprovada para perfis de pacientes com câncer de pulmão avançado. (Leia mais abaixo)

Esse arsenal reflete em mais tempo e qualidade de vida para o paciente. Comparativamente, se em 2020, com tratamento restrito à quimioterapia, os pacientes com câncer de pulmão agressivo e metastático tinham sobrevida média de 12 meses, as terapias-alvo e, mais recentemente, as imunoterapias, permitem que os pacientes com câncer de pulmão, que têm indicação e acesso à esse tipo de tecnologia, tenham média de até 90 meses de sobrevida e com menor toxidade.

O acesso dos pacientes à terapia alvo é essencial. Isso porque a cirurgia não é a opção de escolha para o câncer de pulmão que é diagnosticado em fase avançada (o que representa 75% dos casos).

Os principais genes que atuam como marcadores terapêuticos são o EGFR (presente em cerca de 25% dos casos de câncer de pulmão), ALK (7%), ROS/BRAF/HER-2 e K-RAS (que juntos representam cerca de 7%).

Dentre as terapias-alvo, a mais recentemente aprovada (em 28 de maio) pela agência reguladora dos Estados, a Food and Drug Administration (FDA) é o sotorasibe, primeiro tratamento para pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas cujos tumores têm a mutação KRAS G12C e que receberam pelo menos uma terapia sistêmica anterior.

As mutações denominadas KRAS G12C representam cerca de 13% das mutações em cânceres de pulmão de células não pequenas. (Leia mais abaixo)

Em termos de pesquisa de biomarcador, seleção molecular e medicina de precisão o câncer de pulmão está na frente, explica o médico patologista Felipe D´Almeida Costa, da comissão organização da Jornada de Patologia. Para os pacientes que não apresentam mutações em genes para os quais há terapia-alvo, pode ser indicada a imunoterapia.

"A imunoterapia preenche essas lacunas. Os pacientes podem receber quimioterapia e imunoterapia concomitantemente ou apenas imunoterapia. Depende das características de expressão de PD-L1 no tumor. Quanto mais expresso - e isso o médico patologista investiga por imuno-histoquímica - mais propenso será o paciente a responder ao tratamento", afirma Costa, que é diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Patologia, titular do Departamento de Anatomia Patológica do A.C.Camargo Cancer Center e Coordenador Médico de Educação da Patologia da Dasa.

Nova classificação da OMS para câncer de pulmão

O 5º volume da Classificação de Tumores Torácicos, editado pela Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS), o tradicional "blue book", que padroniza mundialmente o diagnósticoA publicação, traz a atualização mundial sobre câncer na região torácica, amplia a diferenciação entre tumores pulmonares in situ (que podem ser tratados exclusivamente com ressecção cirúrgica) e invasivos (que demandam tratamento sistêmico).

A obra conta com o médico patologista da SBP, Fábio Távora, como um dos autores e a contribuição brasileira inclui o também médico patologista Fernando Augusto Soares, conselheiro consultivo da SBP e integrante do Comitê Gestor dos Blue Books da OMS. (Leia mais abaixo)

A principal mudança neste sentido se refere aos tumores até então classificados como bronquioloalveolares.

Essa definição, que representa cerca de 10% dos adenocarcinomas de pulmão, caiu na nova atualização. Os adenocarcinomas do então subtipo bronquioalveolar agora são descritos como in situ quando há a ausência de invasão estromal, vascular ou pleuras; minimamente invasivos e os demais como as diversas variantes de invasivos.

Dentre as importantes atualizações trazidas no novo volume estão também a definição de novas entidades para tumores raros, como carcinoma de células claras hialinizantes do pulmão, tumor indiferenciado SMARCA4-deficiente e carcinoma sarcomatóide como variante.

Fonte: Viva Bem



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