A tempestade parece ter ido embora, ou seja, Campos já não gasta mais do que arrecada, como ocorreu no ano passado, deixando de ter atrasos no pagamento de salários, aposentadorias e a fornecedores, que traziam efeitos negativos para o setor produtivo e impediam a recuperação da economia. Para o experiente economista Ranulfo Vidigal, o prefeito Wladimir Garotinho conseguiu equilibrar as contas da prefeitura. Mas, o economista faz ressalvas quanto à política de ajustes. E ainda estamos no meio da pandemia do coronavírus. Nesta matéria especial do Campos 24 Horas sobre 'Campos 'saindo do atoleiro' e voltando a ver sua economia crescer, após resultados pífios do governo anterior, mostramos as opiniões de dois economistas e de um Secretário e destacamos alguns pontos: as ações do governo Wladimir; a alta nas receitas em royalties; a indústria de açúcar e etanol tem estimativa de 15% de aumento de produção em relação à safra do ano passado; a indústria de cerâmica conta com as projeções de recuperação da construção civil; e as contas públicas municipais acompanham a marcha de sinais positivos na economia. Para reforçar ainda mais os indicadores, ainda que em meio à pandemia, o município tem registrado mais contratações do que demissões.
Na avaliação de Ranulfo, o prefeito Wladimir Garotinho tem conseguido êxito na equação financeira da prefeitura, que lhe permite cumprir uma de suas metas sempre enfatizada na campanha eleitoral, como pagar em dia ao funcionalismo, mas faz ressalvas quanto à política de ajustes. (Leia mais abaixo)
— Ele tem conseguido equilibrar as contas de modo a definir um calendário e pagar o servidor em dia, injetando dinheiro na economia local, que é muito dependente do setor público. Mas para um município que tem sua economia baseada no pequeno comerciante que tem aquele negócio familiar e no pequeno empreendedor, aumento de tarifas sempre vai criar mais dificuldades para quem já está no sufoco, com a corda no pescoço. Esse pessoal vai ter mais problemas para manter seu negócio — comentou Vidigal.
— O aumento do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) vai travar a recuperação da construção civil, um setor importante na geração de empregos numa cidade em franco processo de expansão de procura e oferta de imóveis com o reaquecimento da economia. É dinheiro que deixará de circular na economia e movimentar as cadeias produtivas, gerando incertezas que inibem os investimentos — destacou ainda o economista.
Na visão de Ranulfo Vidigal, a fragilidade da economia local não permite maior rigor fiscal do setor público numa política de ajuste. “A riqueza média per capita de Campos em salários é menos da metade da média salarial do Porto do Açu. Se comparada com Macaé é 20% a menos”, analisou.
O economista acrescentou ainda que os gastos do município com pessoal ficarão estáticos, o que deverá permitir ao prefeito uma folga ao longo dos próximos meses. “Na forma da lei, o prefeito está impedido de gastar mais com a folha de pagamento porque atingiu e até passou o limite de 54% determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Então a receita tende a subir e o custeio ficará estabilizado. Logo não haveria necessidade de um choque tarifário”, concluiu o economista.
Ranulfo aposta na recuperação da economia de Campos em curto espaço de tempo. Para o novo tempo que há de vir em breve concorrem fatores externos como a recuperação dos preços do petróleo. Vidigal estima que a receita corrente líquida do município deve atingir R$ 1,8 bilhão este ano. “A arrecadação de longo prazo está subindo, a economia está crescendo e os preços também. A cotação do dólar e os preços do petróleo também se somam a estes fatores. E creio num superávit de R$ 250 milhões”, admite. (Leia mais abaixo)
O economista ressalva que arrisca suas previsões sem euforia exagerada com o avanço da imunização da população contra a Covid. “Arrisco estas estimativas dentro do atual ritmo de aceleração da vacinação, que vai continuar neste ritmo claudicante”, presume.
Mesmo assim, Ranulfo crê na recuperação da economia, cujos sinais já se refletem no saldo positivo da geração de empregos. "Nós vivemos de uma depressão em 2020, de modo que qualquer movimento rápido traz um efeito multiplicador na redução da capacidade ociosa e fazer a roda da economia girar. Ainda que não seja um crescimento ideal, mas pode ser o começo de uma reação", admite.
SECRETÁRIO APOSTA EM EQUILÍBRIO - Em entrevista ao Campos 24 Horas, o secretário municipal de Controle, Transparência e Auditoria, Rodrigo Resende, admite que o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) assumiu o governo com o município mergulhado em graves dificuldades. “Encontramos o município com um déficit orçamentário de R$ 65.295.503,90. Os restos a pagar em 2021 totalizaram R$ 191.714.347,22 com acréscimo de 231,28% no exercício de 2020”, afirmou.
Mesmo com um aperto fiscal que chegou ao limite máximo, tendo que cortar despesas de custeio, a fim de cumprir exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Rodrigo Resende aposta que o governo chegará ao equilíbrio financeiro e fiscal, ainda que não tenha superado obstáculos na aprovação de algumas medidas tributárias pela Câmara Municipal.
De acordo com o secretário, ainda em 2021 o governo estuda desenvolver programas de investimentos a fim de tornar sustentáveis as atividades econômicas do município, contribuindo para geração de trabalho e renda. “Assim, arrisco que ainda este ano teremos bons investimentos”, previu Resende. (Leia mais abaixo)
ECONOMISTA E OS NÚMEROS DOS ROYALTIES -Em seu blog, o economista José Alves Neto também comenta a situação do município. “De janeiro a maio deste ano, Campos recebeu de royalties mais 33,68% em relação ao mesmo período de 2020. E de participações especiais relativas ao primeiro trimestre de 2021 o total foi de R$ 21,032 milhões e no ano passado, no mesmo recorte de tempo, o valor de apenas R$ R$ 1, 113 milhões”, frisou José Alves Neto.
— Por fim, pode-se dizer que, em razão da alta do preço do barril do petróleo e do dólar, a maior fonte de receita corrente do orçamento da prefeitura de Campos, com royalties somado a participação especial, cresceram significativamente neste ano de 2021. O que se constitui numa boa notícia para a gestão atual e a nossa cidade.