Em um cenário em que os sinais vitais dos fatores que formam o cálculo dos royalties colapsaram, os repasses de junho chegam com queda média de 40%, colocando os municípios produtores do Norte fluminense e o próprio Estado do Rio de Janeiro em oxigenação induzida por respiradores. O crédito estará disponível para os municípios nesta terça-feira (23).
A combinação de um cenário virótico em abril, que contaminou a cotação do barril no mundo, impacto o dólar que não conseguiu recompor perdas, e a retração severa da produção, sob efeitos da pandemia e paralisação de atividades, vai fazer com que Campos (RJ) receba agora em junho repasses de R$ 9,79 milhões, contra R$ 16,38 milhões repassados em maio, uma queda de -40,2% e 70,7% menor que depósito de junho de 2019 (R$ 33.652.418). Em valor nominal, sem correção, é o menor repasse de royalties para o município desde abril de 2002, quando o valor depositado foi de R$ 9,6 milhões. No mês passado, Campos registrou o menor repasse de participação especial da história, ao receber cerca de R$ 1,1 milhão pela produção do primeiro trimestre de 2020. (Leia mais abaixo)
No Norte Fluminense, São João da Barra recebe com redução de -38,6%, com R$ 3,19 milhões, contra R$ 5,20 milhões do repasse anterior; Macaé tem perdas -34,3%, captando R$ 21,77 milhões contra R$ 33, 15 milhões; Cabo tem redução de -43%, arrecadando R$ 3,91 milhões versus R$ 6,86 milhões.
As quedas médias vão de -26,5%, de Niterói, com R$ 18,89 milhões; a -45,8%, de Arraial do Cabo, com R$ 2,58% milhões, e Casimiro de Abreu, com R$ 1,8 milhões.
O pesquisador na área, Wellington Abreu, Superintendente de Petróleo na Prefeitura de São João da Barra, destaca que a queda dos royalties “era prevista e inevitável”. E, cita: “Já venho observando e alertando a todos sobre a queda do preço desde o final de fevereiro quando fechou com menos 25% em decorrência da disputa comercial entre China e EUA. Em apenas um dia com desacordo entre Rússia e Sauditas sobre corte na produção os preços despencaram mais 25% e acumularam mais de 50% em dois meses”.
Wellington lembra ainda que a declaração de pandemia pela OMS em março a baixíssima demanda, “gerou a tempestade perfeita em abril”. E, continua o superintendente: “Temos preços negativos da commoditie pela primeira vez na história nos EUA e o Brent chega ao menor valor dos últimos 20 anos levando a previsão que esta se concretizando hoje com esse repasse”.
Para Wellington, “mesmo com a recuperação do preço para faixa dos US$ 40,00 a previsão para o segundo semestre não é nada boa e estamos passando uma situação econômica, social e sanitária só vista na grande depressão de 1929”. O pesquisador cita que em São João da Barra (RJ), a prefeita Carla Machado “vem atuando incansavelmente desde 2017, quando assumiu a administração com dívidas que ultrapassavam R$ 200 milhões, restabelecendo programas sociais, pagando salários em dia. E agora temos este semestre como uma imensa prova de fogo para administrar. Vamos fazer o possível para que a população tenha o menor impacto da pior crise econômica vivida pela região e no País nas últimas décadas”. (Leia mais abaixo)
“O governo federal esta ajudando mas a ajuda não foi o que esperávamos que era a recomposição total das perdas do ICMS e ISS enquanto perdurasse a pandemia. Cautela, responsabilidade, criatividade e Fé em Deus que sairemos dessa situação caótica. Jamais pensei em tamanha desordem na gestão federal e isso atrapalha por demais tudo. Façamos o melhor para preservar a vida com o modo sobrevivência acionado”, concluiu o superintendente.
Fonte: Redação e Fator Econômico