Campos na lista de nível acelerado da Covid, segundo levantamento da USP

Município fluminense está entre as cidades do país com “ritmo de contágio acelerado”


  • 22/08/2020, 00h24, Foto: reprodução/Campos 24 Horas.

Campos entrou na lista dos municípios em ritmo acelerado de casos da Covid 19, de acordo com levantamento da USP (Universidade de São Paulo), publicado pelo o jornal Folha de São Paulo. O nível acelerado se deve ao crescimento rápido de novos casos do novo coronavírus. Ao lado de Campos aparecem também Goiânia (GO), São José dos Campos (SP) e Contagem (MG). Os municípios que estão em ritmo de desaceleração são Natal, Maceió, Natal, Aracaju e Cuiabá. Em número de óbitos, os estados de São Paulo (27,9 mil), Rio de Janeiro (15,2 mil) e Ceará (8,2 mil) continuam na dianteira. A Vigilância em Saúde de Campos emitiu uma nota (ao final desta matéria) na qual alega que houve instabilidade no sistema de notificação, elevando os números do município.

Desenvolvido pelos pesquisadores da USP, Renato Vicente e Rodrigo Veiga, o modelo estatístico estima a velocidade da doença considerando intervalos de 30 dias se baseia na evolução dos casos em cada local (cidade, estado, país) e tem como parâmetro um período de 30 dias, com mais peso para o período mais recente. Os estágios da pandemia, segundo o trabalho, é dividido em acelerado, estável, desacelerado e reduzido.  Com isso, é medida a aceleração da epidemia, ou seja, a forma como o número de novos casos cresce ou diminui. Os números são atualizados diariamente (a cada atualização, o dia mais antigo da série de 30 dias sai do cálculo).  (Leia mais abaixo)

No Rio, as 15.202 vítimas de Covid-19 no estado foram registradas nos seguintes municípios: Rio Janeiro (9.175), São Gonçalo (638), Duque De Caxias (631), Nova Iguaçu(492), São João de Meriti (367), Niterói(342), Campos dos Goytacazes (277), Belford Roxo (245), Itaboraí (187), Magé (182), Volta Redonda (171), Petrópolis(159), Mesquita(152), Nilópolis (147), Angra dos Reis(143), Macaé (126), Itaguaí(105), Cabo Frio (104), Teresópolis(102), Barra Mansa(90), Maricá (90), Nova Friburgo (88)e Rio das Ostras(68).

Os casos confirmados estão distribuídos da seguinte maneira: Rio Janeiro (85.488), Niterói (10.314), São Gonçalo (10.285), Duque de Caxias (7.387), Macaé (6.716), Belford Roxo (6.451), Nova Iguaçu(5.039), Volta Redonda(4.947), Angra dos Reis(4.464), Campos dos Goytacazes (4.035), Itaboraí (3.787),Teresópolis(3.412), Magé( 2.802), São João de Meriti (2.798), Maricá(2.756)E Itaperuna(2.334).

ANÁLISE  - Ao se considerar os 30 dias nessa análise, a tendência apresentada tende a ser mais sólida do que quando se considera períodos mais curtos. Por outro lado, a métrica demora mais para captar mudanças, pois os dados antigos influenciam no comportamento das informações mais recentes. 

Métricas como média móvel de sete dias, onde também informa nos balanços sobre a Covid-19, são mais sensíveis para captar eventuais mudanças de tendências, mas também podem mostrar tendências que não virão a se confirmar no médio prazo. 

A Folha de São Paulo passou a mostrar diariamente mais uma forma de se avaliar a extensão da Covid-19 no país. Para isso, é utilizado modelo estatístico que considera a situação da doença em um determinado dia e nos 29 anteriores, de acordo com o número de casos na localidade considerada. Quanto mais recente é o dia nessa sequência, mais peso ele ganha.  (Leia mais abaixo)

Tecnicamente, a metodologia se chama média móvel com decaimento exponencial (que visa a suavizar as curvas e explicitar melhor as tendências).  Com esse cálculo, a localidade considerada é classificada em um dos quatro níveis:

Acelerado - Crescimento rápido de novos casos; Estável - Número constante de novos casos, mas ainda em volume significativo; Desacelerado - Número de novos casos em queda; Reduzido - Poucos ou nenhum novo caso. 

De acordo com o mapeamento, o contágio da Covid ainda acelera em 60% das grandes cidades brasileiras. O monitoramento mostra que só oito controlaram a epidemia, entre elas Recife, Manaus e São Luís.         

INTERIORIZAÇÃO - A onda de interiorização de novas infecções pelo coronavírus se acelerou nesta semana em várias regiões do país, coincidindo com a maior reabertura da economia.

No estado de São Paulo, cidades como Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e Barretos já não têm leitos de UTI ou estão perto do limite, segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).  (Leia mais abaixo)

Na região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul e no Paraná, também houve aceleração de novos casos, situação agravada pelo aumento de outras síndromes gripais severas típicas da temporada de frio. 

No Centro-Oeste, além do registro de mais infecções no interior, as cidades satélites de Brasília, no Distrito Federal, registraram uma explosão de casos nas duas últimas semanas. 

MINAS GERAIS - Em Minas, Uberlândia, com 600 mil habitantes, já tem mais registros do que Belo Horizonte, com 2,4 milhão de pessoas.

Mas a capital também registrou um aumento na utilização de leitos de UTI para pacientes Covid-19 de 40% para quase 85% entre a última semana de maio e domingo (14). Em outras cidades menores, a aceleração também ocorreu. 

Algumas exceções nessa tendência têm sido registradas na região Norte e em alguns estados do Nordeste, embora haja muita ansiedade entre agentes de saúde com os resultados da reabertura econômica em curso. (Leia mais abaixo)

Em Pernambuco, por exemplo, o total de novos casos no interior já supera o da capital, onde as pessoas voltaram a circular mais livremente e se expor ao vírus. 

Segundo médicos ouvidos pela reportagem, em questão de dias o aumento atual de infecções começará a refletir-se em mais mortes, já que há um hiato entre os novos casos e os óbitos.“Para os que estão dentro dos hospitais, é impressionante ver a falta de preocupação com que as pessoas estão circulando pelas ruas”, diz Suzana Margareth Lobo, presidente da Amib e chefe do centro de tratamento intensivo do Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP).

Segundo ela, além de estarem com as UTIs praticamente lotadas, várias cidades do interior paulista sofrem com a exaustão de profissionais intensivistas. Em muitos casos, eles vêm sendo substituídos por pessoas sem treinamento para “pronar" pacientes —operação em que, mesmo intubados, eles precisam ser virados para facilitar a ventilação pulmonar. 

No Paraná, depois de a taxa de ocupação de UTIs manter-se por meses entre 40% e 45%, a reabertura das atividades nas duas últimas semanas elevou esse nível no SUS (Sistema Único de Saúde) para 85%. 

SALTO - No interior, muitos pacientes vêm sendo transferidos entre cidades em busca de leitos vagos. Segundo Mirella Oliveira, conselheira da Amib no estado e diretora clínica da UTI do Centro Hospitalar do Trabalhador em Curitiba, a capital também registrou um salto de novas infecções. (Leia mais abaixo)

Em seu hospital, onde havia ociosidade há alguns dias, já não há vagas nos 60 leitos de UTI exclusivos para pacientes Covid-19 —que devem ganham reforço de outras 28 unidades nos próximos dias. 

“Temos visto muitas festas clandestinas e pessoas em shoppings”, diz Oliveira. “O resultado é que tivemos dias dramáticos, chegando a contabilizar 15 internações em uma única noite.” 

No Distrito Federal, as cidades satélites do entorno de Brasília também registraram uma explosão de casos após o fim das medidas de isolamento social. 

Segundo o médico Fernando Aires, os casos suspeitos de Covid-19 aumentaram 170% nas duas últimas semanas em sua unidade básica de saúde em Ceilândia, cidade com 400 mil habitantes. “Com a reabertura do comércio, ainda estamos longe do fim disso. Mas nossa atenção primária aqui está entrando em colapso”, diz Aires.

Em Samambaia, outra cidade satélite, as equipes da atenção básica que começavam a marcar outros tipos de consultas já consideram voltar atrás diante do aumento das infecções pela Covid-19.  (Leia mais abaixo)

Segundo o médico Rodrigo Lima, que atua com outras 60 pessoas em uma unidade de saúde em Samambaia, embora os registros oficiais tenham aumentado, a subnotificação de novos casos permanece elevada desde o início da epidemia. 

NOTA DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE DE CAMPOS Como exposto, este modelo (o do consórcio de veículos de imprensa) considera os últimos 30 dias, atribuindo maior peso aos dias mais recentes. A Vigilância informa que a primeira semana do período de 30 dias foi a que apresentou instabilidade do E-SUS, fazendo com que o número de contaminados registrados parecesse menor do que o real. Por outro lado, os dados do período mais recente (que possuem maior peso pelo modelo) estão superestimados, pois contêm registros de datas pregressas e oriundos da testagem em massa. Assim, sob efeito do problema no E-SUS e da testagem em massa, tem-se um período inicial com valores subestimados e o período final com valores superestimados e cujos pesos são maiores. Isso pode levar a uma falsa impressão de alta aceleração.

A Vigilância em Saúde lembra que a prefeitura vem tomando todas as medidas necessárias ao enfrentamento da Covid-19, porém, é necessário que a população esteja atenta e responsável quanto à necessidade de higienização e manutenção do distanciamento social para minimizar os impactos da doença. O município faz a sua parte, implantou em tempo recorde leitos aptos ao tratamento da Covid-19, fizemos treinamentos com as equipes de saúde. Junto ao grupo de crise a Vigilância segue atuando para minimizar os impactos da Covid-19 na população, antes mesmo do primeiro caso em Campos. Mas a eficácia das medidas do poder público só acontece quando a população faz a sua parte.

Além disso, desde o início do mês de agosto a Vigilância em Saúde vem realizando treinamentos com equipes de laboratórios do município para adequações necessárias relativas ao uso do E-SUS VE (ferramenta de registro de notificações de casos). A medida atende a uma determinação do Ministério da Saúde que, através da portaria nº 1.792, tornou obrigatória para laboratórios (rede pública, rede privada, universitários e quaisquer outros, em todo território nacional) a notificação de todos os resultados de testes diagnóstico para detecção da Covid-19. Assim, a notificação deve ser realizada no prazo de até 24 horas a partir do resultado do teste, mediante registro e transmissão de informações no E-SUS VE. O treinamento e o início da notificação no prazo estipulado pelo Ministério da Saúde alteraram nos últimos dias o volume de casos confirmados e comunicados no boletim do coronavírus produzido diariamente pela Vigilância em Saúde, uma vez que casos confirmados no início do mês foram notificados nesta semana.

(Leia mais abaixo)



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