Campos, Macaé e SJB criam mais de 32 mil vagas de emprego

Levantamento do Campos 24 Horas com base em dados do Ministério do Trabalho. Economista fala sobre a criação de postos de trabalho nas cidades do Norte Fluminense


  • 07/02/2024, 06h07, Foto: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - Os três principais municípios do Norte Fluminense registraram a criação de mais de 32 mil empregos formais (com carteira assinada) nos dois últimos anos, acompanhando o desempenho dos indicadores no plano estadual e nacional. Entre contratações e demissões no biênio 2022/23, Campos, Macaé e São João da Barra tiveram saldo positivo de exatos 32.384 postos de trabalho.  Em Macaé, o saldo positivo foi de 17.674 vagas; em Campos, 8.231; e em São João da Barra 6.479. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e do Emprego. O Campos 24 Horas ouviu o economista Ranulfo Vidigal, diretor de Indicadores Econômicos e Sociais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Campos, sobre os setores que mais contribuíram para o a respeito de alguns pilares da economia regional que contribuíram para o desempenho quanto à empregabilidade. 

“É importante enfatizar que pelo segundo ano consecutivo as três principais economias do Norte Fluminense registraram saldo positivo na criação de empregos, muito por conta dos investimentos no Porto do Açu, especialmente a nova termelétrica, que emprega cerca de 4 mil trabalhadores na construção civil, os investimentos do poder público municipal em Campos mediante parcerias com o governo federal e emendas parlamentares, e ainda Macaé ciclo da energia baseada no petróleo e agora também com forte presença do gás natural”, explicou. (Leia mais abaixo)

O setor de serviços é o que registrou melhor desempenho, tendo contribuído com cerca de 60% das vagas criadas, seguido do comércio e da construção civil. 

Em âmbito estadual, o Estado do Rio gerou cerca de 300 mil empregos nos dois anos, enquanto que no plano nacional, o Brasil criou em torno de 3,48 milhões de vagas de empregos formais nos dois anos. 

Neste período do biênio 2023/24, o nível de empregados com carteira assinada no Brasil foi de mais de 2 milhões, em 2022, e 1.48 milhão em 2023.

Ranulfo enfatiza que uma conjuntura virtuosa de dois anos sobreveio depois de um período de estagnação agravado com a pandemia. O economista analisa os diferentes contextos que explicam o desempenho na criação de novas vagas nas três esferas.  

“Em 2022 tivemos os gastos com o impulso eleitoral por conta da sucessão presidencial, enquanto em 2023 houve o impacto das políticas públicas com o salário mínimo em processo de recuperação, o fortalecimento das politicas sociais e outros investimentos públicos do governo federal com um aumento em torno de 80% e a recuperação do poder de compra dos salários e com a queda da inflação, o que gerou incremento da massa salarial em 5% em termos reais”, avaliou.  (Leia mais abaixo)

Em outros ângulos de análise, o economista destaca ainda a importância da melhoria das condições de consumo das famílias, além de uma politica fiscal expansionista e o saldo comercial favorável, com destaque para as commodities.  

O especialista avalia ainda que o Estado do Rio acumula um estoque de 5,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, por conta do processo de recuperação nacional associado também ao ciclo do petróleo com a expansão da produção dos poços na camada pre-sal.

PERSPECTIVAS - Em termos de Brasil, analisa ainda Ranulfo, a massa salarial vai continuar crescendo. “O salário nominal subiu 7%, e o ritmo de geração de empregos vai permanecer, talvez não com a mesma velocidade dos anos recentes.  A variável que preocupa é a falta do investimento privado, e aí o governo através da política de incentivos do BNDES para a reindustrialização com foco nas energias renováveis, busca retomar o chamado espirito animal do empresariado brasileiro”.

Sobre o agronegócio, estima que o país não contará com o saldo positivo de 2023, “mas vai se expandir dentro de suas possibilidades”.

As projeções para o crescimento economia devem superar os 2% ao ano dentro das circunstâncias bastante razoável. “Por conta de uma taxa de juros real muito alta, o que dificulta a vida das famílias endividadas, o consumo via crédito e a tomada de decisões do setor empresarial frente às vantagens relativas de ficar com liquidez em caixa e ganhar juros reais tão altos como ainda hoje ocorre”. (Leia mais abaixo)

INVESTIMENTOS - Mas a tendência, acredita, é que essa curva da Selic vá rapidamente baixar ao longo do ano para 9%. “O que pode representar uma taxa real de juros na faixa entre 3% e 4%, o que deve favorecer a retomada do investimento empresarial que visa sempre lucratividade, e ela só virá quando a demanda agregada se expandir, o que ocorrerá com os investimentos federais do PAC e com os financiamentos do BNDES”, concluiu.        



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