Postado por Fabiano Venancio - (Vídeo da entrevista ao final do texto) - A paisagem verdejante da planície onde havia predominância da cana-de-açúçar como carro-chefe da economia regional começa a dividir agora espaço com a soja, que se incorpora ao cenário da produção agrícola como parte do processo de diversificação da agricultura. O pontapé inicial foi dado em uma fazenda visitada pela equipe do site Campos 24 Horas. Uma parte desta produção cultivada numa área de 500 hectares, na localidade de Santa Cruz, já foi inclusive exportada no início do ano para a China, via porto de Santos. A reportagem do site foi ver de perto o empreendimento agrícola, com o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca, Almy Junior. Durante a visita, Almy ainda anunciou que a prefeitura está criando o programa Fundeagro, uma linha de crédito até R$ 50 mil para pequenos produtores.
A estrutura foi montada por membros da família Pretyman, proprietária da antiga Usina Santa Cruz e das terras do entorno da extinta unidade. A soja plantada em 500 hectares e passa por um processo de colheita mecanizada e modernos sistemas de secagem e armazenagem. (Leia mais abaixo)
“Após a colheita, a soja em estado bruto passa diretamente para um caminhão de transbordo. Depois, o volume de grãos é lançado num sistema de limpeza e secagem até passar por uma umidade que permita a soja ser armazenada num silo quando estará pronta para o transporte de caminhões, a caminho da sua comercialização”, disse Almy Junior.
“A comercialização tem como destino fábricas de rações, a exportação, assim como produtores que queiram comprar o produto para alimentar seus amimais”, explicou.
COMPATÍVEL - Para o secretário, não há incompatibilidade entre a cultura tradicional da cana e outras emergentes no município. “Não tem competição com a cana ou qualquer outra atividade agrícola. A cana vai poder ser plantada nesta área porque a rotação da agricultura também tem sua importância na quebra dos ciclos de pragas e ainda melhora as condições de fertilidade do solo”, esclareceu.
PESQUISAS - É possível plantar tudo, avalia ainda Almy, além da cana, a soja, o milho e até a possibilidade da cultura do trigo, segundo apontam os estudos que estão sendo realizados por órgãos de pesquisa. “A Embrapa e a Pesagro já fizeram muita pesquisa que demonstra a viabilidade dessas culturas”.
NOVA REALIDADE - Almy Junior lembra que há muitas regiões no país, como o Maranhão e o Piauí, onde hoje se planta soja, algo que não era viável há 20 ou 30 anos. “Já existem tipos de variedades para um clima como o nosso, como se faz em Goiás e Mato Grosso”. (Leia mais abaixo)
REQUISITOS - Ainda segundo o secretário, há alguns requisitos para o produtor que queira optar pelo plantio da soja. “É preciso capacidade de investimento, uma maquinaria como colheitadeiras, tratores, além de profissionais de competência técnica”.
DIVERSIFICAÇÃO - O processo de diversificação da agricultura em Campos é uma realidade que avança em face das potencialidades do município, analisa ainda Almy Junior. “Acreditamos muito no potencial do município, onde encontramos produtores empreendedores que acreditam neste potencial, pelo tipo de solo, mas também o com emprego ciência e tecnologia. Sem esses itens, a agricultura é inviável”, acrescenta Almy.
MERCADO - “A soja é uma commodity, o preço já esteve em alta, hoje caiu muito. Mas não basta só plantar soja. Se o milho tem preço melhor, vamos plantar milho. Precisamos trabalhar com alternativas que não nos deixem a mercê de uma única atividade agrícola porque se vier uma crise que leve a uma queda acentuada de preço se torna um problema sério. Hoje nós temos plantio de uvas na Baixada Campista, uma plantação ainda pequena, mas que está indo muito bem”, avaliou ainda o secretário.
OUTRAS OPÇÕES - A diversificação aponta também para outras culturas do passado que foram abandonadas. “No passado, já fomos ricos em arroz, feijão e leite. Já tivemos a grande cooperativa de leite da região em Campos, precisamos retomar esse potencial. Mas temos outras opções nos derivados do leite: hoje contamos queijarias devidamente legalizadas e credenciadas, uma atividade que tem crescido muito e comercializado bem os seus produtos”.
O papel do poder público, ainda de acordo com Almy Junior, é criar condições para facilitar as condições do produtor com melhores condições de logística, como a recuperação de estradas para escoamento da produção. “Hoje já são 1.300 km de estradas recuperadas”. (Leia mais abaixo)
Além de estradas, ainda é preciso mais. “Sim, é preciso informação, análise de mercado. Se estou produzindo, preciso saber para quem vou vender. Há necessidade de regularização de terras, já que o produtor precisa de documentação para a acessar crédito. É preciso também internet, já que algumas localidades não há sinal para algumas operadoras. Tudo isso beneficia o produtor”. (Vídeo da entrevista abaixo)