Postado por Fabiano Venancio - O secretário de Saúde de Campos, Paulo Hirano, cobrou a necessidade de aumento dos recursos para a área no município com maior participação dos governos federal e estadual no financiamento dos programas e ações no setor. Um dos pontos que chamaram a atenção diz respeito ao baixo repasse de recursos do governo estadual para a Saúde de Campos, cuja rede local atende a moradores de mais de 15 municípios. O secretário falou durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal na última segunda-feira (28/09) para a apresentação da execução orçamentária e financeira relacionada a receitas e despesas do Relatório do Segundo Quadrimestre de 2026 dos investimentos na pasta. O Campos 24 Horas acompanhou a audiência e destaca os principais pontos abordados a respeito da situação da área de saúde do município, que atende a pessoas de toda região. Hirano revelou ainda números surpreendentes: 1,8 milhão procedimentos clínicos e cirúrgicos de média e alta complexidade apenas no início de 2026 na rede de saúde local.
As receitas somaram R$ 448.458.265,66, enquanto as despesas foram da ordem de R$ 423.339.564,57, onde o governo municipal entra com 72% do financiamento, enquanto o governo federal participa com 23,6%, mas o governo estadual entra com apenas 3,9%.
“A Saúde consome uma parte robusta e significativa dos recursos municipais. O governo do Estado não participa nem com 4% do custo, o que é um absurdo. E há meses que o governo estadual não fornece insumos e medicamentos. As ações de Saúde devem ter um custeio tripartite. Logo, deveria haver um equilíbrio. Mas, no fim das contas, o peso maior fica sempre na conta do município. É preciso que tenhamos voz e representatividade para mudarmos este cenário, que é extremamente crítico e nos deixa numa dependência muito grande só de recursos do município”, disse.
Paulo Hirano lembrou que Campos é um polo regional de assistência na saúde e precisa de uma contrapartida para arcar com esses custos.
“Nenhuma cidade de porte médio possui essa estrutura, uma rede assistencial tão gigantesca. E acabam vindo todos para cá. A gente atende a um enorme contingente de pacientes que não são nossos munícipes. É impossível se fazer tudo para todos, mas também não podemos fechar as portas para essas pessoas que buscam atendimento em nossa cidade”, acrescentou.
O secretário destacou os avanços na Saúde nos últimos anos. “No início de 2021, nós tínhamos a maioria das unidades básicas de saúde (UBS) fechadas e dilapidadas. Ao longo do tempo, fomos estruturando e reinaugurando, chegamos então a 45 unidades. Havia três equipes da Estratégia da Saúde da Família. Hoje temos 75 equipes cadastradas no Ministério da Saúde. Foram grandes avanços que conseguimos”, enumerou.
Entre os itens de custeio, o secretário destacou ainda a contratualização de cinco hospitais do município, clínicas e laboratórios, além da manutenção de outros três hospitais gerais como o Ferreira Machado, o HGG e o São José, em Goytacazes, além de 45 unidades básicas de saúde (UBS), seis policlínicas, seis UPH (unidades pré-hospitalares) e os CAPs (saúde mental), entre outros. Sobre este último item, Paulo Hirano ressaltou ainda o aumento da demanda nestas especialidades.
“A cada dia que passa há uma necessidade maior de ampliação dessa assistência, visto que estamos num momento em que a grande parte da população em nível mundial apresenta distúrbios psico-emocionais severos pela própria dinâmica atual da sociedade, com os níveis de ansiedade cada vez mais presentes, buscando cada vez mais a nossa rede assistencial”.
O secretário mostrou, no quadrimestre, a realização de mais de 1,8 milhão procedimentos clínicos e cirúrgicos de média e alta complexidade, procedimentos de finalidade diagnóstica incluindo ainda ações de promoção e prevenção de saúde e transplantes de órgãos, tecidos e células.
“São números assustadores, assim como são múltiplos e inúmeros programas de diversas especialidades que se entrelaçam e perpassam pela atenção primária e também na assistência especializada”, concluiu.
Por sua vez, o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Arthur Borges, destacou avanços na criação de melhores condições de trabalho e estrutura de atendimento, viabilizar a implantação e manutenção de programas nas unidades.