Postado por Fabiano Venancio - O aumento dos casos de HIV (o vírus da AIDS) e sífilis em mulheres gestantes preocupa autoridades e profissionais da área da Saúde em Campos. Em entrevista ao Site Campos 24 Horas, a assistente social Renata Melila, da Associação Irmãos da Solidariedade, atribuiu o fenômeno à falta de prevenção e de informação, mas também da ausência de políticas públicas por parte do governo federal. E outro dado preocupante revelado pela assistente social durante a entrevista ao site: há jovens abandonando o tratamento da Aids em Campos e passando o vírus. Para Renata, o governo teve a Covid como foco, depois o alvo foi o autista, agora veio a dengue, mas a Aids continua fazendo vítimas, muitas pela doença e outras pelo preconceito", admitiu. Ela também revela que a constatação do aumento de casos de gestantes com o vírus HIV e sífilis foi de uma pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde.
Aliás, o preconceito merece um parêntese ou um capítulo especial quando se trata da doença."O câncer é uma doença pior, mas o preconceito contra pacientes com HIV é muito grande, o que muitas vezes leva às pessoas a não buscar o tratamento ou mesmo a interrompê-lo", disse Renata. (Leia mais abaixo)
Para concentrar esforços na campanha contra a desinformação e pela prevenção, a Associação Irmãos da Solidariedade criou o projeto Mães Solidárias com a implementação de protocolos como dois testes de HIV, uma no início e outra no final da gestação, além de outras ações para dar todo suporte necessário às pacientes.
A instituição filantrópica tem feito reuniões e buscado repassar informações através de grupos de whatsapp formando uma corrente para vencer esta luta que, apesar dos avanços da medicina nesta área, ainda comporta estes desafios, que também passa por um acompanhamento psicológico.
Segundo Renata Melila, o aumento de casos de gestantes com o vírus HIV e sífilis partiu de uma pesquisa de agentes da Secretaria Municipal de Saúde durante o tratamento odontológico nestas jovens e ainda o trabalho realizado no CDIP (Centro de Diagnóstico de Doenças Infecto Contagiosas da mesma Secretaria.
"Nesta pesquisa foi constatado que muitas dessas gestantes abandonaram o tratamento e estão passando o vírus. Os nossos esforços apontam para a continuidade do tratamento a fim de evitar a sífilis congênita e não volte a nascer crianças contaminadas com o vírus, a partir de várias medidas como a não amamentação, o diagnóstico precoce tratamento adequado, assim como a realização do pré-natal".
A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria. Os sintomas são discretos e a procura tardia por tratamento pode causar complicações graves. (Leia mais abaixo)
Em casos de gestantes, há o risco de contaminação vertical, ou seja, da gestante para o bebê.
Na maioria das vezes, a doença é assintomática. O desafio maior nas campanhas para redução dos casos, os objetivos são interromper a transmissão e manter o fluxo de monitoramento com a continuidade do tratamento.