A autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) para que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) possa retirar mais água do Rio Paraíba do Sul para abastecer a Grande São Paulo causou preocupação na Câmara de Vereadores de Campos. O presidente da Casa, vereador Fábio Ribeiro (PSD), disse que a Casa irá se posicionar para impedir mais esta decisão do órgão federal que irá prejudicar a região num momento de escassez de recursos hídricos. .
“Me preocupa esta autorização da ANA porque todos sabemos da situação do Rio Paraíba. Então, o que já é pouco será ainda menor”, afirmou Fábio Ribeiro. . O assunto deverá ocupar a pauta do recém criado Parlamento Regional que será acionado para juntar forças a fim de enfrentar o problema. . (Leia mais abaixo)
O vereador Nildo Cardoso (PSL) sugeriu a realização de uma audiência pública para tratar do assunto. “Vamos ter mais crise d água com os poucos recursos hídricos que temos. O Paraíba já sofre com as 19 barragens prejudicando nossa região”.
Cardoso lembrou que o Paraiba só conta com volume caudaloso de água no período de enchentes. “Só temos água no rio quando ela vem de Minas em época de enchentes, quando há o transbordamento do Muriaé e do Pomba”, afirmou.
A interligação dos sistemas através de bombeamento foi adotada após a crise hídrica de 2014, quando o nível do Cantareira baixou ao ponto de não suprir o consumo da região metropolitana. A autorização para retirar água da bacia do Paraíba do Sul é dada quando o Sistema Cantareira passa a operar com menos de 30% do volume útil. Nesta sexta, a capacidade operacional estava em 28,2%.
Com a nova autorização, a água será retirada do reservatório Jaguari, na bacia do Paraíba, e repassada para a represa de Atibainha, em Nazaré Paulista, no Cantareira. O início da transposição ainda será definido pelos órgãos envolvidos. A medida vale até 31 de dezembro.
O nível das represas do sistema vem caindo desde o primeiro semestre, com a estiagem. As chuvas foram abaixo da média este ano e, mesmo com as últimas precipitações, insuficientes para alterar a situação. (Leia mais abaixo)
A volta da transposição foi pedida pela Sabesp. Responsável pelo abastecimento de cerca de 8 milhões de habitantes da Grande SP, a companhia já reduziu a pressão da água injetada no sistema de abastecimento para reduzir o consumo e, segundo informa, evitar desperdícios. A medida afeta principalmente os bairros mais altos e as residências sem caixa d'água.