(Atualização 11h07) - O vereador Bruno Pezão (PP) teve liberdade provisória concedida pela Justiça nesta sexta-feira (20) durante audiência de custódia. A decisão foi do juiz Samuel de Lemos Pereira. O vereador havia sido preso na última quarta-feira (18), numa operação da Polícia Civil e o Ministério Público. Ele era um dos alvos de mandado de busca e apreensão da Operação Pleito Mortal, que investiga a morte do cabo eleitoral Aparecido Oliveira de Moraes, 68 anos, mas acabou sendo preso em flagrante na ação por suspeita de lavagem de dinheiro. A advogada Roberta Araújo, que atua na defesa do parlamentar, havia declarado nas últimas horas ao Campos 24 Horas que acreditava na concessão de liberdade ao seu cliente.
Na decisão, o juiz proibiu Bruno de se ausentar do município por um prazo superior a 15 dias sem autorização judicial, devendo ainda manter seu endereço atualizado, e comparecer a todos os atos do processo. Proibiu ainda o vereador de ter contato com pessoas investigadas no caso, inclusive com o suposto chefe do tráfico da localidade de Campo Novo e o pagamento de fiança no valor de R$ 90.000,00. (Leia mais abaixo)
TRECHO DA DECISÃO JUDICIAL - "Ora, afora o dinheiro em espécie, sem origem declarada, que foi apreendido e motivou a detenção do indiciado, nada de novo foi acrescentado. Assim, se antes não havia justificativa para a prisão temporária, agora também não há para a prisão preventiva, que, diga-se de passagem, se constitui como medida mais grave, já que esta última não comporta tempo determinado. Vale dizer, os nebulosos elementos apontados no relatório da investigação que antecedem o presente procedimento, pelo menos por ora, não se prestam a fundamentar a segregação cautelar do custodiado, mormente porque, em que pese apontar indícios de fatos graves, lhes falta a concretude necessária para justificar a adoção da medida mais drástica".
ADVOGADA FALOU SOBRE O CASO - Em conversa com a reportagem do Campos 24 Horas nas últimas horas, a advogada Roberta Araújo, que atua na defesa de Bruno, disse acreditar “na inocência do seu cliente: "Em razão da fragilidade das acusações e estamos adotando todas as medidas legais necessárias para garantir sua libertação o mais breve possível”, disse a advogada.
A advogada apontou a ausência de provas robustas na operação policial que resultou na prisão de seu cliente. “O processo está eivado de nulidades. As acusações ao meu cliente soam como uma condenação sem apresentação de provas com forte viés político e midiático. Não há motivação para a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva”, afirmou.
A advogada disse estar confiante que a Justiça, através de uma decisão técnica e dentro dos rigores da lei, fará com que seu cliente ganhe liberdade com o relaxamento da prisão. Apontou também ausência de comprovação da origem ilícita dos valores encontrados com Pezão na operação e a associação do cliente com o crime.
A OPERAÇÃO QUE PRENDEU PEZÃO - Durante a operação na residência do vereador, os policiais encontraram R$ 663 mil em espécie e R$ 470 mil em cheques e notas promissórias. A suspeita é de que o valor seja proveniente de atividades ilícitas. (Leia mais abaixo)
O cabo eleitoral Aparecido foi executado com oito tiros dentro de seu carro, em Campo Novo, distrito de São Sebastião, na Baixada Campista.
Nove mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na Câmara de Vereadores de Campos, além de outros endereços de Campos, e ainda no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.
Em Bangu, cumpre pena há 10 anos o traficante José Ricardo Rangel de Oliveira, o Ricardinho, que participou de um comício de Bruno Pezão por videoconferência um dia antes do crime. A transmissão foi feita direto de Bangu para o comício, com foto do traficante sendo projetada no telão.
A ação é comandada pelo Grupo de Atuação Especializada de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco) e pela 134 ª DP (Campos).
De acordo com as investigações, antes de morrer, Aparecido estava fazendo campanha para o candidato a vereador Diego Dias, concorrente de Bruno Pezão. (Leia mais abaixo)