Bolsonaro diz ter danificado a tornozeleira durante ‘alucinação’ causada por medicamentos

Em depoimento à juíza Luciana Sorrentino, o ex-presidente relatou ter iniciado com os remédios quatro dias antes de mexer no equipamento e negou intenção de fuga


  • 23/11/2025, 14h59, Foto: Divulgação.

Em depoimento durante audiência de custódia, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), relatou que sua tentativa de danificar sua tornozeleira eletrônica foi um episódio de “paranoia” e “alucinação” provocados pela interação de medicamentos. 

A audiência ocorreu por videoconferência no início da tarde deste domingo, 23. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não participou e, portanto, a juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino. A magistrada decidiu por manter a prisão preventiva de Bolsonaro. (Leia mais abaixo)

O documento registra que Bolsonaro relatou ter usado um ferro de solda para abrir a tampa do equipamento na noite de sexta-feira, 21, e início da madrugada de sábado, 22. Segundo a ata, ele afirmou sofrer um episódio de desconfiança provocado por remédios receitados por médicos diferentes. 

“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa”, informou a juíza, em ata. O ex-presidente também disse que começou o uso de um dos medicamentos “cerca de quatro dias antes dos fatos”. (Leia mais abaixo)

A juíza também registrou que Bolsonaro associou o comportamento à interação de pregabalina e sertralina: “Teve uma ‘certa paranoia’ (…) em razão de medicamentos que foram receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada”.

Bolsonaro disse que, após tentar manipular a tornozeleira, desistiu: mexeu no dispositivo “tarde da noite e parou por volta de meia-noite”, antes de comunicar os agentes da custódia. O documento relata ainda que nenhuma das pessoas presentes na casa — a filha, o irmão mais velho e um assessor — presenciou a ação.  (Leia mais abaixo)

De acordo com a ata, quando questionado diretamente pelos advogados, ele respondeu que “não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta”. Ele também informou que ainda possui em casa o equipamento de solda usado na tentativa de violar a tornozeleira.

A decisão de Moraes contra Bolsonaro - Moraes fundamentou a prisão preventiva de Bolsonaro em uma série de elementos que, segundo ele, evidenciam risco concreto de fuga. Entre eles está um episódio registrado às 0h08 da madrugada deste sábado, quando houve tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente, no mesmo momento em que apoiadores realizavam uma vigília em frente ao condomínio onde ele cumpre medidas judiciais. (Leia mais abaixo)

O ministro também citou em sua decisão que aliados de Bolsonaro já deixaram o país de forma irregular — referência a casos investigados pela Polícia Federal — e destacou a proximidade da residência do ex-presidente com representações diplomáticas estrangeiras, o que, na avaliação do ministro, aumenta o potencial de evasão.

Moraes reforçou que a prisão não está vinculada à condenação de 27 anos e três meses de prisão imposta pela 1ª Turma do STF no processo sobre a suposta tentativa de golpe. Essa pena só começará a ser executada após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso. Os embargos de declaração da defesa já foram rejeitados; restaria ainda a apresentação de embargos infringentes, recurso que até agora não foi protocolado. (Leia mais abaixo)

Desde agosto, Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, decretada pelo próprio Moraes no âmbito de outro inquérito, no qual era investigado por coação — procedimento que também envolve seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente reside nos Estados Unidos. O ex-presidente não chegou a ser denunciado nesse caso.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet, concordou com o pedido de prisão apresentado pela Polícia Federal. Segundo a decisão, a manifestação do órgão foi clara: “Diante da urgência e gravidade dos novos fatos apresentados, a Procuradoria-Geral da República não se opõe à providência indicada pela Autoridade Policial.” O parecer formal da PGR ainda não foi divulgado. (Leia mais abaixo)

O pedido da PF foi motivado pela vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que convocou apoiadores para rezar pela saúde do pai — movimento que, para a Polícia Federal, poderia servir como cortina de fumaça para eventual fuga.

Fonte: Revista Oeste (Leia mais abaixo)



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