Febre amarela: encontro define estratégias; Campos inicia vacinação na 2ª

Representantes de 16 cidades da região participam de encontro para definir estratégias de imunização


26/01/2017      10h28 (ATUALIZAÇÃO às 22h03)     |      Foto: Divulgação A Secretaria Estadual de Saúde (SES) realizou uma reunião na tarde desta quinta-feira (26), em Miracema, com representantes dos municípios do Norte e Noroeste Fluminense para definir estratégias de imunização e a criação de um bloqueio epidemiológico contra a febre amarela, principalmente em áreas mais próximas de onde estão sendo registrados casos da doença. De acordo com a diretora da Vigilância em Saúde de Campos, Andréya Moreira, que participou da reunião, o encontro serviu para constatar que Campos já está tomando as medidas necessárias. — Vejo que estamos no caminho certo. Nosso planejamento está correto, será mantido e não há motivo para pânico no município, haja vista que a aplicação das doses seguirá as normas estabelecidas pelo Estado para a eficácia desse bloqueio preventivo – esclareceu a diretora. Andréya ressalta que a primeira etapa de vacinação terá início na próxima segunda-feira (30), das 9h às 15h, quando os moradores do distrito de Santo Eduardo receberão a vacina. Na semana seguinte, será a vez da população do distrito de Santa Maria, que receberá 4 mil doses extras conseguidas após solicitação do prefeito Rafael Diniz. Segundo regras traçadas pela SES, será vacinada somente a população que se encontra próxima às divisas com Espírito Santo e Minas Gerais. Os mesmos deverão estar munidos de identidade e comprovante de residência. Para aqueles que vão viajar para os locais de circulação do vírus ou que retornam desses locais, no Centro de Saúde, localizado na Secretaria Municipal de Saúde, em Campos, deverão apresentar documentos como: comprovante da residência, comprovante de reserva em hotel, bilhete de pedágio ou passagens compradas para receberem a vacina. O indicado é que a pessoa se vacine com pelo menos 10 dias antes da viagem para que o organismo adquira imunidade. Notificações De acordo com os dados do Estado, divulgados em nota, até segunda-feira (23), foram notificados 421 casos suspeitos de febre amarela, com 87 óbitos em quatro estados (Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e São Paulo), além do Distrito Federal. Minas Gerais é o estado com o maior número de registros até o momento. Foram 391 casos suspeitos em 39 municípios, com 58 já confirmados. Deste total, 31 evoluíram para óbitos. Os municípios que terão ação de bloqueio são: Bom Jesus do Itabapoana, Cantagalo, Carmo, Comendador Levy Gasparian, Itaperuna, Laje do Muriaé, Natividade, Paraíba do Sul, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Itabapoana, Sapucaia, Três Rios e Varre-Sai. Os critérios para a definição das escolhas destes municípios foram analisados pela secretaria de Estado como: os municípios que fazem divisa com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, pertencentes às regiões Norte, Noroeste, Serrana e Centro Sul, tendo como principal critério a proximidade com as áreas de surto da doença em Minas Gerais. Transmissão, sintomas, prevenção e tratamento A febre amarela, doença infecciosa aguda, é causada por um arbovírus do gênero flavivírus, da família Flaviviridae - o mesmo gênero dos vírus responsáveis pela dengue. Acredita-se que esse vírus tem a sua origem na América Central. Na época das grandes navegações, nos séculos 15 e 16, o vírus da febre amarela embarcou com os exploradores e se disseminou pelo mundo. Mosquitos na selva O vírus da febre amarela sobrevive, no ambiente selvagem, nos organismos de mosquitos - dos gêneros Haemagogus e Sabethes - e de primatas, como macacos e saguis. Quando um desses mosquitos pica um animal contaminado, o inseto é infectado e se torna um vetor permanente. Ao injetar uma substância anticoagulante, antes de sugar o sangue de primatas silvestres saudáveis, esses mosquitos transmitem o arbovírus da febre amarela para suas vítimas. Uma vez na corrente sanguínea de um primata, como o macaco-barrigudo - Lagothrix lagotricha, o vírus se instala nas células de seu organismo e se multiplica, até que as mesmas se rompam, liberando novos vírus.



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