O bispo emérito de Campos, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, destacou a iniciativa do Campos 24 Horas em desenvolver um trabalho com a finalidade de abrir espaço para ressaltar os valores de Guarus. O líder católico destacou a religiosidade da população, assim como outras virtudes da comunidade que reside à margem esquerda do Rio Paraíba.
— Acho uma iniciativa muito boa, porque promove a autoestima de uma população sofrida pelo preconceito, mas trabalhadora e profundamente respeitosa da lei. É louvável porque deve-se destacar os valores positivos, mas também respeitar as pessoas onde elas estão. Elas não têm culpa alguma do acontece em termos de criminalidade porque crime não tem fronteiras, não sendo ali a única realidade pela falta de oportunidades, de desenvolvimento social e humano e os efeitos da insegurança, que lhe impõe a falta de uma cidadania plena para a maioria da população— disse. (Leia mais abaixo)
Em seu diagnóstico sobre as condições de vida e as possibilidades de avanço de Guarus, o bispo de Campos alertou também a população na escolha dos seus representantes. “A população precisaria exercer uma cidadania atuante e ter melhores representantes, justamente na Câmara de Vereadores, para que façam valer o seu voto. Porque não se compreende esta falta de apoio, de estruturas e de políticas públicas. Inclusive, lamentavelmente, a educação que tem sido muito atingida e até prejudicada pelos efeitos do tráfico, enfim”, afirmou.
Dom Roberto defendem a necessidade de mais investimentos no subdistrito à margem esquerda do Rio Paraíba. “Investir mais em educação, saúde e segurança pública, mas precisamos de lideranças que caminhem no rumo de uma cidadania atuante e organizada para fiscalizar a gestão no sentido de se implementar políticas públicas que sejam verdadeiramente transformadoras”, destacou.
Bispo consciente de seu papel no exercício de uma evangelização solidária e transformadora, Dom Roberto não dissocia a religiosidade da necessidade de uma fé consciente e cidadã. “A religiosidade não exclui a necessidade de uma cidadania esclarecida, ao compromisso social e a participação política para garantir direitos sociais de todos. Do contrário não é uma religiosidade consciente muito, menos cristã. A religiosidade deve se ocupar com o bem comum e o bem estar social que é consequência de uma fé voltada para a pessoa humana, que ame o próximo e que entenda a necessidade cristã de que todos devem viver em comunhão e dignidade”, comentou.
O líder católico destaca a fé e a religiosidade do povo de Guarus que possui uma identidade própria, como ressalta Dom Roberto. “Guarus tem cinco paróquias e 50 capelas que constitui uma forania onde há todo um planejamento, uma organização e uma identidade própria, com diversos eventos como as “Caminhadas pela Paz”, através de um sacerdócio jovem, pujante e dinâmico com suas comunidades pastorais sociais que saem a campo para minorar o sofrimento das pessoas”, acentua.
— Podemos dizer que a situação religiosa enfrenta um desafio já que é lá que se concentra a maior parte das igrejas pentecostais. Nem digo protestantes porque estas tem outro perfil. Mas nunca as consideramos concorrentes porque não são, mas sim devemos trabalhar com elas no tocante a também mostrar unidade e trabalhar pela vida e pela paz. E dialogar sempre porque religião que não valoriza os fieis de outras igrejas não é a religião de Cristo. Na verdade, todos devemos estar unidos para a paz, o bem comum e a prosperidade do povo de Guarus — analisou ainda. (Leia mais abaixo)
Por fim, o Campos 24 Horas pediu ao bispo uma visão do atual momento da Igreja Católica que tem como referência histórica o Papa Francisco, considerado quase por consenso o grande estadista mundial nos tempos atuais.
— Apesar de bolsões que resistem ao seu magistério há um consenso mundial não só nas religiões cristãs, mas também em outras religiões nas quais ele é reconhecido como exemplo, como um Dalai Lama, eminente líder na religião budista, ou um Martim Luther King para as igrejas batistas no sul e nos Estados Unidos. E também, claro, Mahatma Gandi para a religião indiana. São pessoas incontestáveis que exercem uma liderança moral e espiritual, e nos sentimos muito gratos porque o Espírito Santo o conduz e o colocou à gente da Igreja Católica, não apenas para regozijo da Igreja, mas para mostrar ao mundo a vocação e a dignidade da espécie humana e deixar muito claro que venceremos a pandemia pela unidade e com compaixão, buscando uma justiça maior que inclua todos os cidadãos da Terra todas e criaturas — arrematou.
Dom Roberto Ferrería destaca as duas encíclicas em referência ao Papa Francisco, especialmente a “Laudato Si” (Louvor sobre a Criação) e a “Fratelli Tutti”, (Todos Irmãos). “Elas se complementam e são uma versão atual do Evangelho de Jesus Cristo para os dias de hoje”, concluiu.