Barros diz que CPI afastou quem queria vender vacinas para o Brasil; sessão é suspensa

Segundo depoimento de Luis Miranda à comissão, deputado foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro como ‘dono do rolo’ para a compra do imunizante indiano


  • 12/08/2021, 14h36, Foto: Agência Senado.

Em uma das sessões mais aguardadas desde o início dos trabalhos, a CPI da Covid-19 ouve, nesta quinta-feira, 12, o deputado federal e líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). Os senadores querem esclarecer se o parlamentar tem vínculo com eventuais irregularidades na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. De acordo com o deputado Luis Miranda (DEM-DF), que já depôs à comissão, o presidente Jair Bolsonaro apontou Barros como “dono do rolo” que culminou na assinatura do contrato para a aquisição do imunizante indiano. Miranda e seu irmão, Luis Ricardo, chefe de Importação do Ministério da Saúde, se reuniram com Bolsonaro no dia 20 de março para denunciar o caso – o chefe do Executivo federal se tornou investigado pela Polícia Federal (PF) pelo suposto crime de prevaricação.

Os parlamentares também pretendem apurar a relação de Ricardo Barros com Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da Covaxin junto ao Ministério da Saúde. O empresário, conhecido como Max, é sócio de outra empresa, a Global Gestão em Saúde, que deu um calote na pasta em um processo de compra de remédios para doenças raras na época em que Barros comandava a Saúde. Nesta quarta-feira, 11, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), converteu a convocação do deputado em convite – neste caso, ele não é obrigado a comparecer, mas o líder do governo tem dito que quer ser ouvido. No início de agosto, a comissão aprovou a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático de Barros. (Leia mais abaixo)

13:44 – Se convocado, Ricardo Barros é obrigado a dizer a verdade  Neste momento, a cúpula da CPI da Covid-19 está avaliando se a sessão desta quinta-feira, 12, será retomada e se a comissão manterá a condição de convidado. Caso os senadores decidam convocar o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), ele será obrigado a comparecer e dizer a verdade.

13:35 – Após embate entre Barros e direção da CPI, sessão não deve ser retomada - Depois de mais um bate-boca envolvendo Ricardo Barros e a direção da CPI da Covid-19, a sessão desta quinta-feira não deve ser retomada. A avaliação é dos próprios integrantes da comissão. Ao lado de Barros, em pronunciamento à imprensa, o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) disse ter a impressão de que não há clima para a retomada da oitiva. Antes de suspender o depoimento pela segunda vez, o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), disse que iria avaliar o convite de Barros.

13:27 – Em coletiva, Barros diz que fabricantes de vacina não querem ‘se expor a esse tipo de inquirição da CPI’

Em pronunciamento à imprensa, o líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, voltou a acusar a CPI da Covid-19 de afastar vendedores de vacina do Brasil. “A CPI faz o seu trabalho de investigação e informação, mas, fato concreto: não há mais laboratórios buscando o Brasil para vender vacinas, porque não querem se expor a esse tipo de inquirição que a CPI faz”, disse. Ele fala ao lado dos senadores Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Fernando Bezerra (MDB-PE) e Marcos Rogério (DEM-RO).

13:15 – Aziz suspende sessão mais uma vez - Depoimento é suspenso após mais um bate-boca. (Leia mais abaixo)

13:13 – Barros diz que CPI ‘afastou empresas que querem vender vacinas’ do Brasil e causa bate-boca - O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que a CPI da Covid-19 afastou “muitas empresas interessadas em vender vacinas ao Brasil”. “Espero que a CPI traga bons resultados para o Brasil, que produza efeito positivo para o Brasil, porque o negativo já produziu: afastou muitas empresas interessadas em vender vacinas ao Brasil”, disse. A declaração causou revolta dos senadores. “Afastamos as vacinas que vocês, do governo, queriam tirar proveito, rapaz. Afastamos os negociadores”, respondeu Omar Aziz. “Isso não é verdade. Quando a CPI foi instalada tínhamos quase 400 mil vidas perdidas. O senhor vem aqui dizer que afastamos as fabricantes idôneas de trazer vacina para o Brasil?”, questionou Simone Tebet (MDB-MS). “Impedimos que houvesse roubo”, gritou o senador Humberto Costa (PT-PE). Aziz cortou os microfones e suspendeu a sessão. O presidente da comissão vai avaliar se mantém o convite de Barros.

12:51 – ‘Vão quebrar os meus sigilos e não vão achar nenhuma ligação minha com a Covaxin’, afirma Barros - Respondendo a um questionamento do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) disse que a CPI da Covid-19 vai quebrar os seus sigilos e não vão achar “nenhuma possibilidade de ligação minha com esse assunto Covaxin”. “Não é adequada esta tentativa de raciocínio de que eu estava interessado em favorecer a Índia por causa da Covaxin”, acrescentou.

12:45 – ‘Não vou aceitar sua ilação’, diz Ricardo Barros a senadora  - Questionado sobre a emenda apresentada que visava garantir a importação de vacinas aprovadas pela agência reguladora da Índia, Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que o fez porque o país é o maior produtor de vacinas do mundo. Ele também afirmou que outros parlamentares apresentaram emendas a fim de agilizar a importação de imunizantes aprovados em outros países. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) destacou que Barros “só se preocupou com a Índia”, onde a Covaxin foi produzida. “Desculpa, não vou aceitar a sua ilação”, rebateu o líder do governo na Câmara.

12:32 – Ricardo Barros: ‘Não acredito que Roberto Dias tenha feito pedido de propina' - Ricardo Barros afirmou há pouco que não acredita que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias tenha feito pedido de propina de US$ 1 por dose das vacinas da AstraZeneca. A denúncia foi feita pelo cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti ao jornal Folha de S. Paulo e confirmado em seu depoimento à CPI da Covid-19. Dias foi indicado para o cargo pelo ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) e atuou como chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística no governo de Cida Borghetti, esposa de Barros, no governo do Estado do Paraná.

11:49 – Depoimento é retomado  - Omar Aziz retoma a sessão e pede para que a Mesa exiba trecho do depoimento de Luis Miranda (DEM-DF) à CPI da Covid-19 na qual o parlamentar relata o encontro que teve com Bolsonaro, no dia 20 de março, quando trataram sobre as irregularidades na compra da Covaxin. No vídeo, Miranda afirma que o presidente da República citou o nome de Ricardo Barros como “o fulano” envolvido “no rolo”. “Não sejamos hipócritas: todos nós sabíamos qual era o nome do deputado citado, porque ele já tinha dito ali na antessala”, disse Aziz. (Leia mais abaixo)

11:31 – Omar Aziz suspende sessão  - O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a sessão e disse que a oitiva só será retomada quando a comissão tiver o trecho do vídeo no qual Luis Miranda (DEM-DF) relata, em seu depoimento, o encontro que teve com o presidente Jair Bolsonaro para denunciar as irregularidades na compra da vacina Covaxin.

11:28 – Início da sessão é marcado por bate-boca  - Não demorou muito para a sessão de hoje se transformar em tumulto. Logo na primeira pergunta do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), os senadores começaram a bater boca. Os governistas dizem que o grupo majoritário da CPI da Covid-19 só está interessado em respostas que incriminem o presidente Jair Bolsonaro. A cúpula do colegiado, por sua vez, diz que Ricardo Barros está distorcendo a sua função de depoente e quer conduzir a reunião. Filho do chefe do Executivo federal, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) apareceu no plenário da comissão pela primeira vez desde que se tornou suplente. “Deixa ele fazer a defesa dele, p****”, disse Flávio. Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) gritou diversas vezes. “Não fique vermelho, não, senador Bezerra. As cores que o senhor defende não tem relação a isso”, rebateu Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

11:19 – Omar Aziz se irrita com comentários de Barros sobre CPI e diz: ‘Devagar com o andor que o santo é de barro’ - O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), se irritou com a postura do deputado Ricardo Barros (PP-PR). O líder do governo na Câmara disse que a comissão cria narrativas. “No meu Estado, o caboclo é sábio. O cara que morre pela boca é chamado de tucanaré. Devagar com o andor que o santo é de barro. Com todo o respeito que estamos tendo pelo senhor, não criamos versão. São fatos. Aqui, o Luis Miranda disse que a pessoa a que se referia [o presidente Jair Bolsonaro] era Vossa Excelência. E digo mais: se eu fosse o líder do governo, eu não pedia, não. Eu exigia que o presidente se retratasse e falasse para todo o Brasil, nas lives, que ele nunca citou seu nome. Ele nunca disse isso. Eu ouvi o senhor dizer que a CPI criou uma versão. Eu quero que traga o depoimento de Luis Miranda quando ele diz como foi a conversa. Eu sempre disse que não era necessária a sua presença aqui. Bastava o presidente ter desmentido o Luis Miranda”, disse Aziz.

11:05 – Senadores fazem um minuto de silêncio em homenagem ao ator Tarcísio Meira - No início da sessão, os senadores fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao ator Tarcísio Meira, que morreu por complicações da Covid-19 aos 85, na manhã desta quinta-feira. Um dos maiores artistas do Brasil, Meira dedicou 64 anos à dramaturgia.

10:53 – Barros atribui pergunta de Bolsonaro sobre seu envolvimento no caso Covaxin à foto apresentada por Miranda - Ricardo Barros diz que Luis Miranda levou, durante reunião com o presidente Jair Bolsonaro, uma fotografia do deputado em uma revista durante a investigação do caso da Global Gestão em Saúde, que deu um calote na pasta em um processo de compra de remédios para doenças raras na época em que Barros comandava a Saúde. “Provavelmente é a esse fato que o presidente se referiu”, justifica o depoente. “Mas eu vou agradecer ao deputado Luis Miranda, porque em todas suas falas ele disse que o presidente perguntou se o Ricardo Barros estava envolvido na Covaxin. Ele nunca afirmou”, aponta. “O presidente nunca afirmou que eu estava envolvido no caso Covaxin, ele perguntou”, ressalta o parlamentar. (Leia mais abaixo)

10:46 – Depoente inicia sua fala relembrando seus feitos a frente do Ministério da Saúde - O deputado Ricardo Barros inicia seu depoimento relembrando sua gestão a frente do Ministério da Saúde durante a gestão de Michel Temer.

10:45 – Comissão vota pela quebra de sigilo do contrato da Covaxin - A senadora Simone Tebet (MDB-MS) pediu a Aziz que a CPI entre com mandato de segurança contra o sigilo decretado pelo Ministério da Saúde sobre o contrato da Covaxin. Os presentes votaram para que o contrato seja mantido público.

10:30 – Omar Aziz abre os trabalhos 

Fonte: Jovem Pan



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