
A baiana de acarajé foi incluída na lista de Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), documento que reconhece e descreve as características das profissões do mercado de trabalho brasileiro. Nesta segunda-feira (19) foi assinado o termo de estudo técnico que viabiliza a inclusão. A cerimônia aconteceu na sede da Superintendência Regional do Trabalho do Estado da Bahia (SRTE), no Caminho das Árvores.
O reconhecimento da profissão beneficia, somente em Salvador, cerca de 3.500 baianas, segundo estimativa da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo da Bahia (Abam). Titular da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, Taissa Gama, considerou a novidade uma grande conquista, que vem após oito anos de luta da categoria. "Agora elas vão poder dizer qual é a verdadeira profissão que exercem. Essa não é apenas uma conquista das baianas, mas de Salvador e da Bahia". (Leia mais abaixo)
As baianas são consideradas Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2005. Com a profissão incluída no CBO, podem usar a identidade profissional em cadastros formais e se cadastrar como microempreendedor individual. A decisão também facilita a criação de cursos especializados na área.
"É uma reivindicação que já vinha fazendo desde 2009, depois que eu não pude me cadastrar como baiana de acarajé ao fazer o meu passaporte. Queriam que eu me cadastrasse como cozinheira, mas eu não sou, sou baiana de acarajé", comemora Rita Santos, presidente da Abam.
Radicada em Campos há quase 20 anos, baiana Rita Souto, carinhosamente conhecida pelos vários eventos que participa e promove com seus quitutes como Rita Baiana, disse que essa conquista é um reconhecimento do trabalho sério desenvolvido por profissionais que além de seguirem a receita baiana, ainda cultuam as crenças, tradições e verdades afro-brasileiras. "Eu já tinha orgulho de ser vendedora de acarajé, agora com o reconhecimento de ser uma profissão, ainda mais", finaliza Rita Baiana.