PF: Bacellar pode ser sócio oculto de frigorífico em Campos e monitorou resposta ao MP sobre empréstimo da AgeRIO

Conversas e planilhas obtidas pelo RJ2 indicam possível atuação do deputado afastado além da Alerj


  • 18/03/2026, 16h28, Foto: Divulgação.

Novos documentos da investigação da Polícia Federal obtidos pelo RJ2 indicam que a influência do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, ia além do Legislativo e alcançava também o Poder Executivo estadual.

Bacellar foi denunciado por obstrução de Justiça, acusado de vazar informações de uma operação da Polícia Federal, e é alvo de apurações que investigam a extensão de seu poder dentro do governo. (Leia mais abaixo)

Um dos principais pontos da investigação envolve um empréstimo concedido pela Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) a um frigorífico do qual Bacellar é suspeito de ser sócio oculto — o que ele nega. Segundo a PF, o empreendimento pode ter sido utilizado para lavagem de dinheiro.

Documentos mostram que a AgeRio concedeu dois financiamentos à empresa: um de R$ 629 mil e outro superior a R$ 2 milhões. O caso também já era investigado pelo Ministério Público.

A investigação aponta ainda que Bacellar teria sido consultado sobre a resposta da AgeRio às autoridades. Em mensagens encontradas no celular apreendido pela PF, os esclarecimentos enviados ao Ministério Público foram repassados ao deputado.

Em seguida, ele encaminha o documento ao advogado com a mensagem: “Cláudio mandou para André que o prazo é segunda e que fizeram essa defesa, mas se precisar que mude algo eles põem lá”. Para a Polícia Federal, “Cláudio” pode se referir ao governador Cláudio Castro, e “André”, a André Luiz Vila Verde de Oliveira, presidente da AgeRio à época. O advogado responde: “Resposta é essa mesma”. Bacellar então questiona: “Tá certo? Manda eles enviarem assim?”, recebendo confirmação.

Planilhas - Outro ponto destacado pela PF são planilhas apreendidas que indicariam a influência do parlamentar na indicação de cargos no Executivo. (Leia mais abaixo)

Os documentos listam nomes de deputados, áreas de atuação política e pedidos feitos a Bacellar, como espaços no governo, dezenas de cargos e estrutura para campanhas eleitorais. Em outro material, aparecem nomes de indicados e dos ocupantes de cargos em órgãos como o Detran e a Faetec, sugerindo atuação em áreas como trânsito e educação. Para os investigadores, os dados indicam um possível “loteamento” da estrutura administrativa do estado.

Bacellar chegou a ser preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho para o então deputado TH Joias. Ele foi solto uma semana depois. Desde então, aliados indicados por ele para cargos no governo, como na Secretaria Estadual de Educação e no Departamento de Estradas de Rodagem, foram exonerados.

Nesta semana, Bacellar pediu afastamento da Alerj pela quinta vez, em licenças sucessivas de curto prazo, mantendo-se formalmente no cargo. Atualmente, ele está em Teresópolis, onde permanece em uma casa que divide com Jansens Calil Siqueira, apontado como responsável pelo frigorífico investigado.

O que dizem os citados - Procurados pela reportagem, o deputado Rodrigo Bacellar e o frigorífico citado na investigação não responderam até a última atualização desta matéria.

Em nota, a Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) informou que todos os esclarecimentos enviados ao Ministério Público foram elaborados com base nos fatos apurados. (Leia mais abaixo)

A agência afirmou ainda que o financiamento concedido ao frigorífico seguiu todos os critérios exigidos antes da liberação do crédito.

André Vila Verde disse que não é a pessoa mencionada e não tem conhecimento das informações apresentadas.

Ele afirma que deixou a Presidência da AgeRio em março de 2024 e, desde maio do mesmo ano, não possui relação com a instituição.

Fonte: g1



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