Autismo em Campos: Desafios para pais, Prefeitura e instituições

Em levantamento exclusivo, Campos 24 Horas mostra desafios e avanços no tratamento e educação de crianças com autismo de graus leve a severo no município


  • Atualização em 07/11/2024, 07h24, Foto: Campos 24 Horas/arq..

Postado por Fabiano Venancio - A incidência de casos de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) tem aumentado de forma bastante significativa no Brasil. Em Campos, este quadro não é diferente. Como acontece em praticamente todas as cidades, a demanda em Campos é também sempre maior do que a oferta nas áreas saúde e educação, de acordo com Nayra Peçanha, diretora da Associação de Pais de Pessoas Especiais (Apape), que deu detalhes ao site a respeito dos serviços oferecidos na instituição. Uma revelação feita por ela chama a atenção: todos os dias há um caso novo que chega à instituição. Nesta matéria especial, o Campos 24 Horas traz visibilidade sobre o tema, a fim de mostrar como anda o tratamento de pessoas com Transtorno Autista nas redes públicas de saúde e educação do município, além de dar visibilidade ao TEA e tornar a sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva. Vale ressalta que o TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a forma como o indivíduo se relaciona com o mundo ao seu redor. Caracteriza-se por dificuldades na comunicação e interação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos. Um vereador campista, que é pai de um autista e se dedica à causa, também falou ao Campos 24 Horas. Ele destaca: "os avanços no tratamento em Campos, a partir do governo Wladimir, são inegáveis". (leia a matéria abaixo)

“A demanda é sempre maior, e o nosso trabalho é encaminhar mensalmente essa comunicação à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social. Nós temos oito assistentes sociais que vão fazer o primeiro acolhimento a essa pessoa, onde sabemos das necessidades familiares e suas condições socioeconômicas. Quando não temos vaga, fazemos a comunicação à Vigilância Sócio-assistencial, através de um relatório de monitoramento e avaliação para que a Secretaria tome conhecimento que há uma pessoa que necessitando de atendimento especializado. É uma situação que chega até nós todos os dias”, disse Nayra Peçanha. A instituição conta com vários programas junto às redes de apoio e profissionais de reabilitação (na encefalopatia), neuropsicólogos, neuropsicomotricistas, psicopedagogos, fonoaudiálogas e geneticista, doação do XY Diagnose. (Leia mais abaixo)

O atendimento na Apape abrange ainda médicos e advogados para cuidar de dificuldades em ações como pensão alimentícia, entre outros direitos e benefícios como em questões de capacitismo. Mas há carências como falta de neurologistas, neuropsiquiatras e neuropediatras, aponta Nayra.  Há cinco fonoaudiólogas na casa, que tratam desde cuidados centro autismo da primeira infância e a reabilitação da encefalopatia. “Mas precisamos ampliar a equipe de fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Porque a fisioterapia é a parte motora considerada base da pirâmide para trabalharmos as etapas que levam a criança desenvolver cognição. Falar é a cereja do bolo, mas se não trabalharmos a parte motora não vamos ter êxito em outras habilidades. Que o programa precisa ser ampliado, não há dúvida”, avalia. “Não temos este especialista, a gente provoca a rede para que oferte este serviço. Temos uma equipe transdisciplinar, com profissionais que acompanham o serviço social para entender as demandas e articular redes de apoio. Todo momento é articulado rede educação e saúde equipamentos CRAS e CREAs”, disse ainda Nayra.

"ELES SÃO MUITO INTELIGENTES" - Nayra fala do processo de desenvolvimento dos meninos que estudam ou trabalham com excelente desempenho. "Eles são muito inteligentes, e alguns deles já se destacam em comparação com os típicos, casos de Miguel Alves, que ficou em 1º lugar em informática no IFF (Instituto Federal Fluminense); Rafael Cabral, que passou na prova para estudar na Faetec; William, que está no SuperBom; além de outros seis que estão na Fundação CDL".

SUPORTE NAS ESCOLAS - A nova lei de educação inclusiva possibilitou abrir chances para um processo seletivo visando a contratação de mais de duas mil pessoas, entre mediadores e cuidadores para prestar atendimentos às pessoas com deficiência, garantindo suporte nas escolas, mas há ainda demanda superior à oferta.

"Precisamos reduzir essa defasagem através dessas contratações. Vamos ver o que se pode fazer este ano com as disponibilidades orçamentárias. Já avançamos muito porque não tínhamos nada e as conquistas são significativas”, disse o vereador Leon Gomes (PDT), pai do pequeno Benjamim, que é autista, e se dedica à causa.

Leon Gomes reconhece que há deficiências, mas reitera que os avanços são inegáveis.  “Em Campos, a inclusão de pessoa com deficiência era um tema pouco abordado. Antes de 2021, a inclusão de pessoa com deficiência era um tema pouco abordado. No entanto, a partir do meu mandato e com apoio integral do prefeito e Wladimir Garotinho (PP) começamos a progredir significativamente nesta área. Embora tenhamos muito ainda a conquistar, já alcançamos várias conquistas importantes ao longo destes quatro anos”. (Leia mais abaixo)

Entre os avanços, a cessão pela prefeitura de dois terrenos à Apape e Apae, permitindo que essas organizações ampliem seus serviços e atendam mais pessoas; o projeto Neoroação, com realização de diagnóstico precoce e oferece atendimento com uma equipe multidisciplinar, crucial para identificar e tratar as necessidades desde os primeiros sinais; a criação de uma escola de educação inclusiva que funciona no contraturno garantindo que crianças com deficiência tenham acesso a uma educação adaptada.

DESAFIOS FUTUROS - Apesar dos avanços, há ainda muito a ser feito, reconhece Leon. De acordo com o vereador, uma das metas é a criação da Secretaria de Direito e Proteção à Pessoa com Deficiência, “um espaço que será fundamental para discutir a desenvolver políticas públicas voltadas para a inclusão e proteção das pessoas com deficiência”.

O legislador destaca que os compromissos são contínuos, por conta da demanda e ainda por ser um direito da pessoa com deficiência. “Estamos comprometidos em continuar essa jornada, promovendo um ambiente mais inclusivo e acessível para todos. Juntos podemos transformar a realidade das pessoas com deficiência, e em Campos, vamos lutar para garantir que seus direitos e necessidades sejam sempre priorizados”, concluiu.

Segundo especialistas, esse crescimento da prevalência do TEA pode estar associado a três fatores principais. Primeiro, pelo aumento do acesso aos serviços de diagnóstico, por maior esclarecimento da população, menos estigma e maior disponibilidade de serviços. Segundo, o diagnóstico dos casos mais leves, que antes não eram identificados. Terceiro, um crescimento real do número de casos até o momento já associado com maiores idades materna e paterna e uso de algumas substâncias durante a gestação, como por exemplo o ácido valpróico.

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