Audiência na Câmara discute Segurança Pública


quinta-feira, 5 de junho de 2014   -      Foto: Ascom

Audiência resulta em comissão que irá estudar propostas para a segurança

audiência violência 2audiência violência 6audiência violência 8Várias autoridades políticas e da área de segurança pública participaram da audiência pública na Câmara de Vereadores, na tarde desta quinta-feira (05), da qual saíram propostas que deverão ser implantadas para a redução dos índices de violência em Campos. O presidente da 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Campos), Carlos Fernando Monteiro Guru, conduziu os trabalhos.

Foi apresentado, por meio de slide, o depoimento de uma ex-usuária de crack, que relatou seu drama enquanto dependente. Ela disse que ir de encontro à droga é opcional; sair, não. Nos três primeiros meses deste ano, Campos registrou 92 homicídios, sendo 24 em janeiro, 36 em fevereiro e 32 em março.

A iniciativa da audiência para discutir a segurança pública foi da OAB e do Rotary Clube São Salvador, com apoio da Câmara. Guru disse que a sugestão da OAB é pela implantação no município do Disque Denúncia com a mesma metodologia desenvolvida no Rio de Janeiro pelo Movimento Rio de Combate ao Crime (MovRio).

“Entendemos que hoje é um dia importante para a cidade. Não viemos discutir índices, embora a imprensa traga diariamente notícias sobre os crimes”, afirmou ele, destacando que a audiência foi um desdobramento do fórum de segurança realizado em março na Universidade Cândido Mendes.

audiência violência 3O comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), tenente coronel Antônio Carlos Sabino, explicou que nem o Rio de Janeiro e ou Campos estão entre as 30 cidades mais violentas do país.

“O problema é que os jovens estão em completo abandono, sem perspectiva de vida. A juventude está doente e precisamos criar políticas governamentais sérias de combate ao crack, pois estamos vivendo uma epidemia dessa droga no país”, afirmou ele, acreditando que, sem educação, o Disque Denúncia de nada vai adiantar. “Hoje, a maioria das ligações para o Disque Denúncia do batalhão são trotes”.

O delegado titular da 134ª Delegacia Legal (Centro), Geraldo Rangel, disse que não adianta apontar culpados, pois todos têm culpa e a solução é de todos. Ele sugeriu o aprimoramento do sistema de câmeras de segurança do município.

O comandante da Guarda Civil Municipal, Francisco Melo, explicou que as imagens das 54 câmeras instaladas no município são de qualidade e suficientes. “São imagens cedidas com frequência para a polícia e Ministério Público. Precisamos criar uma agenda real de trabalho, escolher um tema e atacá-lo”.

audiência violência 9O coordenador do MovRio, Jaques Zajdsnajde, disse que discutir, criticar e ser criticado é um ato de grandeza, “Se todo o Brasil se reunisse para debater questões como essa, que não são partidárias, muita coisa iria melhorar. Acredito que esse é um problema que tem solução”, afirmou ele, destacando que o Disque Denúncia foi criado no Rio em 1995, quando a cidade passou a registrar muitos casos de sequestro — foram 203 naquele ano. “É um sistema que quase não recebe trote, pois a polícia tem credibilidade, com treinamento dos profissionais que prestam atendimento”.

O pastor Carlos Magalhães, que representou a 2ª Igreja Batista de Campos, afirmou que toda violência é condenável. “Minha proposta é lutar por uma sociedade justa, diminuindo a diferença entre as pessoas”.

Para o secretário municipal da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio, a pobreza não é a geradora de violência. “O que gera é a invisibilidade do governo para com as periferias”, explicou ele, destacando que Campos é polo de uma série de ações voltadas para a inclusão social.

O procurador geral da República, Eduardo Santos de Oliveira, disse que a violência é tão antiga quanto o homem e é preciso dissociar a pobreza do crime. “É preciso estratégia para lidar com o traficante, já o menor infrator passa a ser ferramenta em suas mãos e ele não merece respeito do estado”.

Redução das desigualdades -

O presidente da Câmara de Vereadores, Edson Batista, fez uma reflexão da sociedade que se deseja construir. “Viemos de uma sociedade escravagista e de barões, mas nosso compromisso social deve ser por uma cidade mais equilibrada e não de barões. Desenvolvimento, sim, mas com justiça social. Com políticas de redução das desigualdades”. Para o vereador Paulo Hirano, a impunidade é o que estimula o crime.

Ao final da audiência, Guru agendou para a próxima terça-feira (10), às 16h, uma reunião na sede da OAB a fim de se criar uma comissão para estudar as propostas apresentadas.

 



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