quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 - Foto: Saulo Garcez / Campos 24 Horas


Os prejuízos sofridos pelo município de Campos com a seca deste ano são tema de debate em audiência pública na tarde desta quarta-feira (17), na Câmara de Vereadores. A audiência ocorreu por iniciativa do vereador Mauro Silva(PTdoB). Participaram da audiência o secretário municipal de Agricultura, Eduardo Crespo, e representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater/RJ), do Instituto do Ambiente(Inea), do Instituto Estadual de Ambiente (Inea), representantes de usina, entre outros. As perdas em Campos chegam a R$ 128 milhões.
Ao final da audiência, os participantes falaram ao
Campos 24 Horas.

A criação de um fórum permanente de discussão, que envolva os governos federal, estadual e municipal, além de órgãos ligados ao setor agrícola, para evitar prejuízos como o ocorrido este ano por causa da estiagem histórica, foi uma das propostas apresentadas pelo vereador Mauro Silva.
"Primeiro passo que estamos dando é ter a integração de todas as entidades envolvidas. É importante ressaltar que só com o esforço conjunto de todas essas forças poderemos criar estratégias que poderão minimizar a seca na nossa cidade. Essa é uma questão regional que aflige o estado todo. Estamos procurando caminhos e políticas públicas. Um fórum permanente de discussão seria o melhor caminho", afirmou o vereador Mauro Silva, que acrescentou.
"A limpeza dos canais e a questão hídrica devem ser abordadas de uma maneira regional. Precisamos criar mecanismos para que os produtores rurais tenham menos danos. Estamos fazendo planejamento das questões que estamos passando. Fizemos uma análise e vai sair um fórum para discutir a questão da seca e da enchente e que possamos resolver de uma vez por todas a situação dos produtores. Só um conjunto de ações é capaz de enfrentar a situação que estamos passando não só no município, mas no estado e no país", pontuou.
Luiz Carlos Teixeira Guimarães, engenheiro agrônomo da Emater:

"Na realidade tivemos agora recente poucas chuvas, mas elas não foram generalizada aqui na região. A região da Baixada Campista está muito prejudicada, continua sofrendo o processo de seca. Isso vai comprometer a plantação do ano que vem.
Nós tivemos sim em alguns locais alguma chuva que de certa forma tendem a amenizar a situação. Apesar de ser atividade de cana de açúcar uma maior resistência, tivemos um grande fator de prejuízo. Pelo valor econômico, outro fator importante que teve prejuízo foi o setor da agropecuária, com animais que perderam peso e morreram pela falta de capacidade de alimentação. Isso causou também muito prejuízo representativo", disse Luiz Carlos.
Paulo Jorge Xavier Souza, coordenador regional dos recursos hídricos do Inea

"Atualmente, só podemos fazer algumas limpezas em acanais. Os níveis dos rios ainda estão bem baixos. A Lagoa Feia está com um nível suportável e está atendendo aos produtores daquela região.
Existe um trabalho e uma proposta de um projeto para ser aplicado aqui na região. Isso implica em diversas obras. Não só no período de secas, mas também no controle de cheias. A audiência de hoje foi muito oportuna e as idéias tem que sair do papel e partir para ações. A Prefeitura de Campos está tomando a iniciativa e o Estado mais uma vez continua como parceiro", ressaltou Paulo Jorge.
Eduardo Crespo, secretário de Agricultura
"As medidas preventivas para evitar uma nova seca devem prioriza um diagnóstico dessa perda histórica, principalmente com os médios e pequenos agricultores. Aproveitar o espaço que a Câmara está nos proporcionando para discutir sobre essa situação. Recursos públicos que nós temos e que podemos usar para trabalhar. Um alinhamento juntando os recursos do estado e governo federal. Existem políticas diversas sendo discutidas e incorporadas para nossa cidade. É importante os vereadores conhecerem o trabalho dos produtores.
Fazer micro barragens para fazer levantar o rio, a fim de que á água possa entrar em canais e tubulações. Aproveitar esses recursos antes dela chegar ao mar para preservar. Sem prejudicar as questões ambientais e o abastecimento de água para população. Já estamos no final do mês de dezembro e estamos fora da média de chuvas. Tudo indica que teremos um 2015 com uma nova estiagem. Enquanto não se reverte, temos que estar preparados para isso. Precisamos de ações inteligentes", afirmou Eduardo Crespo