terça-feira, 12 de maio de 2015 - Foto: Ascom



A Câmara Municipal de Campos realizou na segunda-feira (11) audiência pública para discutir a situação do trânsito de carroças no município, com representantes do poder público e dos movimentos de defesa dos animais. Os carroceiros não enviaram representante.
Os trabalhos foram abertos pelo presidente da Casa, vereador Edson Batista. Em seu discurso, ele disse que, apesar da cidade já não comportar a circulação de carroças, se faz necessária a definição de ações que não prejudiquem os carroceiros.
A reunião foi presidida pelo vereador Fred Machado. O tema integra as discussões do Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que começou a ser debatido pela Câmara no mês passado. A principal proposta apresentada na audiência foi a implantação do “cavalo de lata” — uma espécie de carroça mecanizada, que dispensaria o uso dos animais.
Idealizador do projeto, o engenheiro de produção, Jason Duani Vargas, do Rio Grande do Sul, falou sobre o invento que, segundo ele, visa acabar com maus-tratos a animais, melhorar a qualidade de vida de catadores e minimizar a interferência da coleta no trânsito. “Trata-se de uma estrutura metálica com carroceria para levar o lixo”.
Fred Machado sugeriu medidas que vão da restrição gradativa das áreas de circulação das carroças à proibição de novos cadastros. “Segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Campos tem hoje 1.120 carroceiros cadastrados e acredito que o primeiro passo será saber, por exemplo, se eles têm profissão e qualificação”, afirmou o vereador, destacando que elaborar o Plano de Mobilidade Urbana não é dever do Legislativo, mas do Executivo. “A Câmara está apenas dando sua contribuição”.
O vereador Nildo Cardoso concordou com o colega. “O tráfego de carroças, principalmente nas pontes, deve ser proibido. É covardia o que fazem com esses animais. Por causa do excesso de peso, eles acabam empacando em cima da ponte”, disse ele, destacando que cidades como Vitória não tem mais carroças. “Podemos começar por determinar o horário de circulação, que poderia ser das 9h às 15h, e permitir a circulação apenas nos bairros mais afastados do Centro”.
Representando a causa animal, Patrícia Coelho, pediu o fim das carroças. “Maltratar animais é crime. Muitos cavalos trabalham por 18 horas, debaixo do sol, com fome e sede. Sei que aqui é apenas o início de uma discussão polêmica. Não importa quando tempo vai se levar para mudar a realidade atual, mas que ela aconteça”.
Líder do governo na Câmara, vereador Mauro Silva lembrou que Câmara instituiu um grupo de trabalho não para elaborar o Plano de Mobilidade, mas colaborar com o Executivo.
“Em momento algum dissemos que o Plano não era competência do Executivo”, afirmou ele, destacando que o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Álvaro Oliveira, solicitou ao Ministério das Cidades a prorrogação do prazo, até novembro deste ano, para entrega do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. O prazo terminou em abril.