



Os 30 anos de fundação da Associação Irmãos da Solidariedade, comemorados nesta quarta-feira (18), foram relembrados logo após um café da manhã e orações, com pacientes da Casa e funcionários. A fundadora da Organização não Governamental (ONG), Fátima Castro, diz que neste dia tudo passa em sua mente como se fosse um filme que ninguém, nem mesmo ela, pensava que fosse se estender por tantas décadas.
- Quando eu comecei a cuidar de uma mulher que bateu à minha porta com uma doença que ninguém sabia o que era, tudo foi feito sem pensar no que aconteceria mais tarde, foi feito para resolver um problema daquela época. A partir dali outros pacientes surgiram e a gente foi resolvendo, cuidando, até que a Casa virou referência nacional – explica a fundadora.
Segundo Fátima Castro, a luta não para e os problemas são muito parecidos com os de 30 anos atrás, entre eles, o preconceito, falta de apoio, de respeito, abandono e o pior, a não descoberta da cura. “Há décadas que a Casa é referência nacional em atendimento aos doentes de Aids, por isso, não dá pra contabilizar quantas pessoas já passaram por ela. Aqui não tem números, tem pessoas que merecem tratamento digno, respeito e carinho e é isso que oferecemos”, diz Fátima Castro.
A CASA
A Associação Irmãos da Solidariedade é a única casa de apoio do Estado do Rio aos doentes de Aids. Na cidade do Rio de Janeiro tem a Associação Viva Cazuza, mas só para crianças. No município de Itaperuna tem uma entidade que acolhe, mas não com a estrutura de Campos. No país são poucas as casas como a entidade de Campos, em que os pacientes residem, tem atendimento ambulatorial com médicos e enfermeiros 24h, além de dentistas, assistentes sociais, psicólogo e psiquiatra, fisioterapeuta, departamento jurídico, entre outros. Sem falar que atende a doentes de AIDS não residentes na Casa. São quartos feminino e masculino, sala de estar, sala de reunião, sala de oração, salão de cabeleireiro, oficinas e outros. “Algumas pessoas perguntam porquê eu não amplio a Casa. E eu sempre digo que aqui não é depósito de gente, por isso permanecemos com capacidade para 40 pacientes. Se for para deixar as pessoas aqui de qualquer maneira, eu prefiro fechar as portas”, finaliza Fátima Castro.