Às vésperas do Carnaval, prefeitura não definiu calendário de blocos

A Riotur agora corre contra o tempo


  • 15/01/2020, 14h16, Foto: Divulgação.

Às vésperas do início da programação de blocos, o carnaval de rua do Rio ainda segue com indefinições na agenda. Nesta terça-feira, membros da prefeitura se reuniriam no Centro de Operações Rio (COR), na Cidade Nova, para tratar sobre os ajustes finais para os cortejos que estão por vir. O encontro, no entanto, precisou ser adiado após o prefeito Marcelo Crivella anunciar, na segunda-feira, que irá proibir que dois grandes blocos desfilem no mesmo dia pela Zona Sul — no domingo, uma grande confusão na dispersão do Bloco da Favorita, em Copacabana, repercutiu, inclusive, na imprensa internacional. A Riotur agora corre contra o tempo para conseguir remanejar os desfiles necessários, para que o planejamento possa ser feito.

Os chamados megablocos, que a prefeitura entende como sendo os blocos com público na casa das 250 mil pessoas, já não acontecem simultaneamente no planejamento feito pela Riotur, de acordo com o próprio órgão. A questão agora são os blocos "enraizados": aqueles que não podem deixar de acontecer naquele determinado lugar — caso da Banda de Ipanema e Suvaco do Cristo, por exemplo —, mas que mobilizam uma quantidade próxima ou igual a dos megablocos. Uma fonte ouvida pelo GLOBO afirmou que tais mudanças são pontuais e não devem exigir grande trabalho. As trocas, no entanto, envolvem, não só a organização destes cortejos, como patrocinadores, associações de moradores e órgãos públicos envolvidos na operação. Os ajustes devem ser concluídos na semana que vem, quando enfim a operação para o carnaval de rua de 2020 deverá ser debatida no COR. (Leia mais abaixo)

 — Recebi a visita dos presidentes das associações de moradores da Zona Sul. A pedido deles, estamos revendo o calendário de aprovação dos blocos. Uma coisa já decidimos: no dia em que tiver um megabloco, nesse dia só terá um megabloco, não terá muitos outros blocos, porque isso não é possível — disse Crivella nesta segunda-feira em vídeo publicado nas redes sociais.

— Se a Banda de Ipanema e o Suvaco de Cristo desfilarem no mesmo dia, um dos dois será transferido para o Centro. Ou então um dos dois terá que mudar de data. Mesmo que não sejam no mesmo horário. Porque muitas vezes as pessoas emendam um bloco que aconteceu de manhã em outro que começa a tarde. Isso vale para megablocos e blocos grandes — explicou, também na segunda-feira um auxiliar de Crivella.

Especialistas analisam Para o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, tal planejamento proposto por Crivella precisa ser acompanhado e em parte executado pela Polícia Militar. Principalmente em relação à segurança, um dos principais pontos nestes eventos, ele afirma que tudo depende do efetivo que PM e Guarda Municipal podem dispor.

— A segurança é um dos principais pilares da execução do carnaval. É basicamente um trabalho da PM. Então, para fazer ou não essa mudança, de centralizar um grande bloco por dia na Zona Sul, a PM precisa ser ouvida. Um evento com 300 mil pessoas exige um efetivo e estrutura policial, de bombeiros, ambulância... é preciso discutir se a polícia terá condição ou não de bancar um, dois ou mais blocos no mesmo local, no mesmo dia — afirma.



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