Artigo de Elias Rocha - É verdade que a velocidade com a qual o mundo de hoje se transforma exige de cada um de nós uma capacidade constante de adaptação. Os novos paradigmas, o desenvolvimento tecnológico, as mudanças no mercado e a virtualização da vida são apenas exemplos evidentes dessas grandes transformações. Elas, inclusive, alteraram totalmente nossa perspectiva de vida, principalmente com o mal do século a pandemia do Covid-19.
Desse modo estamos num dilema nesse período de quarentena: o que fazer sem as aulas? E as nossas crianças? E as mães? E A EDUCAÇÃO: O QUE FAZER? (Leia mais abaixo)
Nesse contexto, a educação representa um dos grandes desafios contemporâneos. Afinal, ouve-se, desde sempre, que a educação molda hoje e o amanhã. Essa relação não é tão simples assim, depende de vários atores!
Se a educação molda a criança que constrói o futuro, essa mesma criança, por sua vez, também é responsável por moldar a educação. A relação é de mão dupla, assim como todo o processo de troca de conhecimento. Cabe, aos profissionais dE ensino a sensibilidade de compreender qual cenário foi berço das novas gerações para, então, ser capaz de cativá-los e capacitá-los. Essa é a grande premissa da EDUCAÇÃO DO PRESENTE E DO FUTURO.
Sabe-se que, para que se sintam preparadas para o mundo que conhecem e almejam, as novas gerações exigem mudanças. É necessário que a troca de experiências proporcionada em sala de aula ou fora dela seja significativa e pertinente as realidades singulares que os alunos vivem e que os outros profissionais, principalmente os professores, ainda não chegaram.
Logo, a educação do futuro começa agora e as escolas que querem se destacar devem investir em tecnologia e novas práticas pedagógicas, criando condições para que o aluno possa enfrentar uma realidade em constante mudança. Sim, a aprendizagem flexível tem sido referida para expressar um refinamento das metodologias de Educação. Na flexibilização de currículo, empreendedorismo e formação de responsabilidade social, além de metodologias ativas diferentes de ensino, fazem parte dessa nova educação. Sua escola está pronta para a educação do futuro? O desafio é grande e a responsabilidade é ainda maior. O futuro é agora.
É comum encontrar professores com medo de que a tecnologia possa, um dia, substituí-los em sala de aula. Isto nunca acontecerá. O processo de aprendizagem, é e será totalmente dependente do fator humano. E aí entra a interessante parceria entre educador e tecnologia. Se bem utilizada, ela se transforma em excelente ferramenta, capaz de ajudar a transmitir e fixar conhecimento. A educação é parceria de corpo e alma (afetividade) entre o ensinante e o aprendente! (Leia mais abaixo)
Vale lembrar que existem alunos dos mais diferentes perfis e que cada um assimila o conteúdo passado na escola de uma maneira. Há quem prefira os recursos visuais, há aqueles que exigem mais da audição para memorização da matéria, assim como também existem alunos cinestésicos, que, para assimilar o conteúdo transmitido pelo professor, necessitam de ação. Para cada um desses tipos de aluno, a tecnologia pode atuar em conjunto com o professor.
Nota-se que celulares, tablets e notebooks, por exemplo, já são considerados parte do material didático. Escolas que se estruturam para utilizá-los e preparam seus professores para aproveitar esses recursos da melhor forma possível certamente já observam alunos mais focados, mais motivados para aprender e, naturalmente, melhor preparados. Por meio desses aparelhos, experimente estimular, em sala, pesquisas do assunto que está sendo trabalhado.
Vale utilizar vídeos, sites de notícias e de busca, bancos de imagens e podcasts com o tema tratado na aula. Esses mesmos recursos, aliás, podem não apenas servir como fonte de buscas como também de produção, incentivando os alunos a transformar aquilo que aprenderam em conteúdo audiovisual. Não tenha medo de modernizar a forma como ensina. Claro, antes de aplicar a tecnologia, estude e conheça bem cada possibilidade. Analise bem qual e quando o recurso se aplica ao objetivo educacional. Convergentes, esses recursos farão a diferença na forma de lecionar e de aprender.
O professor tem que ir para além da sala de aula. Professores devem fazer conhecimentos que valem além da sala de aula. A aprendizagem, naturalmente deve começar ali, mas pode ter sequência em outros espaços. Incentive professores a explorar outros ambientes da escola (como pátio, laboratórios, quadra, entre outros) e até mesmo fora dela, como museus, parques e outros lugares públicos e não convencionais. Temos a educação formal, não formal e a informal.
Está mais do que provado que vivências e experiências que complementem o estudo dado de forma tradicional facilitam e até tornam mais rápido o processo de aprendizagem. Isso acontece porque uma simples mudança de ambiente já traz motivação e desperta o interesse do aluno pelo aprendizado. Aprender rima com estar e querer. (Leia mais abaixo)
Estamos querendo os nossos alunos protagonistas mesmo dentro da sala de aula, experimente reorganizar a turma em outros formatos além das fileiras de carteiras tradicionais. Uma grande roda em classe ou pequenos grupos para debater uma lição facilitam o exercício do diálogo e tornam o aprendizado mais dinâmico e mais interessante. Outra estratégia que tem se destacado na educação são as aulas invertidas, onde o aluno é colocado no centro do processo de ensino.
Assim, com o uso dessas metodologias ativas, o professor primeiramente lança um tema para que seus alunos venham para sala com conhecimento prévio sobre ele para, então, trocar informações, fazer novas descobertas e enriquecer o conhecimento. Essa tendência promove o desenvolvimento de uma aprendizagem ativa-reflexiva, colaborativa e investigativa. Temos o dever de elevar os nossos alunos para o campo do reflexivo.
Estamos falando de uma educação ativa, empreendedora, pois faz parte do papel da escola transformar seu aluno em um cidadão consciente, crítico e reflexivo (an education for life - uma educação para o resto da vida), um cidadão para o mundo, capaz de ser um agente ativo na transformação da sociedade. Dentro desse contexto, ganha força a inserção do empreendedorismo dentro das escolas.
A ideia não é necessariamente transformar alunos em empresários, mas desenvolver neles habilidades e competências (BNCC) para que possam fazer a diferença e se destacar no mercado de trabalho. Virtudes como autonomia, criatividade, responsabilidade e comprometimento são aflorados por meio da educação empreendedora, uma educação significativa e que vale a pena. É o além da sala de aula!
Outras ideias são os projetos multidisciplinares ou interdisciplinares que têm ganhado bastante espaço na grade curricular das escolas em todos os segmentos de ensino. Tendência para a educação, esses projetos são iniciativas que, além de “passear” pelas diversas disciplinas, ajudam na construção de valores humanos. O objetivo é abrir espaço dentro da escola para trabalhar temas relevantes da sociedade, que são tão importantes quanto as disciplinas tradicionais. (Leia mais abaixo)
Como já destacamos em outros escritos, está em voga também é outra tendência para os próximos anos na educação é a gamificação, expressão que vem do inglês gamification. Por meio de jogos de tabuleiros, cartas, games ou outras mecânicas e dinâmicas de jogos, é possível não só estimular mais os alunos ao aprendizado, como também avaliar suas principais habilidades e/ou dificuldades, para serem aperfeiçoadas posteriormente.
A ideia é que o professor insira os jogos como ferramenta para assuntos que estejam em debate. O mercado já oferece diversas plataformas e possibilidades, com opções de conteúdo para todas as faixas etárias, desde que o professor esteja formado para tal, o que implica em domínio epistemológico, teórico e metodológico em sua área de docência, complementada pelo letramento digital
Assim, o momento de mudanças é oportuno para aproximar escolas de pais e alunos, com foco no diálogo sobre como essas alterações vão interferir na condução dos estudos. As instituições podem, inclusive, aproveitar essas ocasiões de aproximação para coletar com eles os pontos fortes, as críticas e as sugestões acerca do trabalho até então prestado.
Desse modo, com um frescor conclusivo, sem concluir, afirmamos que estamos vivendo um tempo precioso e uma oportunidade valiosa para observar os caminhos que estão dando certo e aqueles que a rota deve ser ajustada, tempos de novos tempos e de uma quarentena para analisarmos: O QUE FAZER PARA MELHORAMOS A NOSSA EDUCAÇÃO?
ELIAS ROCHA GONÇALVES é professor, advogado e Ph.D em Organização e Gestão Escolar. (Leia mais abaixo)