MAGNO PRISCO
Ex-jogador do Americano, Magno Prisco, que toda Campos conhece como Maguinho, levou para a crítica o que aprendeu em sua experiência nos campos, nos vestiários e nos bastidores do mundo da bola. Como cronista esportivo, ele tem o slogan radiofônico de “O craque de ontem que analisa os de hoje”. Como jornalista formado na Faculdade de Filosofia de Campos, há alguns anos escreve a história do esporte em sua coluna em jornais de Campos. Agora, sua nova jogada com as letras penetra em viagens pelo tempo, em torno da mitologia dos Jogos Olímpicos e seus heróis, incluindo personagens de Campos e região que deixaram suas digitais nas suas epopeias, histórias que serão contatas semanalmente a partir deste sábado no Campos 24 Horas, na Arena Olímpica, onde Maguinho transmite suas emoções sobre o que mais lhe encantou em suas vivências e experiências como pesquisador do esporte e observador também do jogo da vida, assim como as circunstâncias em que se realizaram os Jogos e sua saga, o homem em sua dimensão na busca de superação dos limites, o contexto histórico dos fatos, além dos notáveis e fascinantes personagens que marcaram a história das Olimpíadas. Desfrutemos, pois.
MITOLOGIA OLÍMPICA
Vamos iniciar uma viagem ao fantástico mundo Olímpico e Paralímpico, resgatando as façanhas dos “Heróis do Esporte”. As Olimpíadas começaram muito tempo atrás. Bem antes de Cristo. Tão antes, que existem sérias dúvidas sobre a data exata de seu início. Por causa dessas incertezas, surgiram algumas lendas. A mais famosa tem Hércules como personagem principal e um dos Heróis da Mitologia Grega. Filho de Zeus (Rei dos deuses Gregos). A verdadeira história das Olimpíadas tem uns 2500 anos. Os jogos olímpicos têm esse nome porque se referem a cidade da Antiga Grécia chamada “Olímpia”, local onde eram praticados jogos esportivos nos momentos de trégua entre uma guerra e outra. E está envolta na brisa de lenda que sempre cerca os grandes acontecimentos esportivos ou os desempenhos de seus campeões. Durante muito tempo os Jogos Olímpicos deixaram de ser disputados, os gregos acreditavam que ninguém seria capaz de ter, nos velhos estádios, um desempenho comparável ao de Hércules, nos seus doze desafios. Mas no ano 884 a.C., algo de muito grave ocorreu na região grega da Élida. Uma epidemia assolou toda a área. Desesperado com o que estava acontecendo, o rei Ífito foi consultar a sacerdotisa Pítia – e aí que a lenda novamente se confunde com nossa história. – Os deuses só farão cessar a peste – anunciou Pítia, muito segura de si – se voltarem os Jogos Olímpicos! (Leia mais abaixo)
OS JOGOS RETORNAM
Então, os jogos voltaram e passaram a ser realizados regularmente, como agora de quatro em quatro anos. Oficialmente contam a partir de 776 a.C. quando se iniciou o registro dos nomes dos campões. As Olimpíadas naqueles tempos eram muito diferentes das atuais. Duravam cinco dias e havia provas para adultos e para efebos (nome grego para adolescentes). O Primeiro dia – Sacrifícios, cerimônias de abertura e nos demais dias, as competições. No Último e Quinto dia – Cerimônias de encerramento, proclamação dos heróis e novos sacrifícios. Os notáveis de cada modalidade recebiam troféus de valor simbólico. Só que, no lugar das medalhas de hoje, eles recebiam uma coroa feita de ramos de oliveira. Depois participavam de grandes festanças, com banquetes, vinhos e presentes. Transformavam-se em autênticos heróis e eram conduzidos às suas cidades em carros puxados por quatro imponentes cavalos. Quase sempre, os campeões tinham regalias pelo resto de suas vidas. É que os gregos acreditavam que deviam a eles a extinção da peste terrível, pois, suas conquistas acalmavam a ira dos deuses do Olimpo.
Os JOGOS ACABAM
No século II a.C. a Grécia foi anexada à província da Macedônia e, aos poucos, seus usos e costumes entraram em decadência. Entre eles, claro, estavam os famosos Jogos Olímpicos. Naquela época, os romanos, com um império muito grande e poderoso, já dominavam o mundo. Quando eles começaram a incorporar à sua cultura as tradições que os gregos vinham perdendo, os jogos mudaram de cenário. Mas, infelizmente, não duraram. Os gregos e romanos tinham pensamentos bem diferente a respeito do “Esporte”. E os jogos foram então, lentamente, sendo esquecidos – até porque, em Roma, eles não tinham qualquer seriedade. Os próprios imperadores, de vez em quando, participavam de algumas provas, para satisfazer sua vaidade. E ganhavam de qualquer jeito. Foi o que aconteceu com Nero. Antes de fazer isso, Nero resolveu entrar nos Jogos Olímpicos. Competiu numa corrida de carros puxados por dez cavalos – meio desastrado levou um tombo no percurso e não conseguiu terminar a prova, mas, como era o único competidor, foi logo proclamado campeão. Desse jeito, realmente os jogos não poderiam continuar. E, lá pelo ano de 390 de nossa era, os jogos foram extintos por causa da conversão ao cristianismo do imperador Teodósio I, decidiu acabar com todas as festas de origem profana, entre elas as Olimpíadas. Não se ouviu mais falar das competições por séculos e mais séculos, mas da mesma forma, que as coisas boas acabam as coisas ruins não duram para sempre. Por isso, um dia as Olimpíadas teriam que voltar.
OS JOGOS VOLTARAM
BARÃO OLÍMPICO
Sempre que você ler, ouvir e ver algum registro relacionado com as Olimpíadas irá deparar-se com um nome inevitável: o Barão. Mas afinal, quem foi ele? O Barão de Coubertin, na verdade chamava-se Pierre de Fredy - nasceu em Paris no dia 1º de janeiro de 1863. Tornou-se famoso e importante na história do esporte por ter restabelecido os Jogos Olímpicos da era moderna. Interessante é que Pierre nunca praticou esporte. Na juventude, preferiu dedicar-se à educação dos jovens. Devido a esse interesse, pesquisou as ações do educador inglês Thomas Arnold. Para Arnold, o esporte era a opção “melhor” de levar os jovens a gastarem suas energias, de modo mais saudável. E daí, o Barão começou a alimentar um sonho: Promover uma grande festa internacional do esporte. Na época, ele afirmava: Quero uma comemoração que faça inveja aos deuses do Olimpo – imaginava o nosso ilustre Barão. O resultado da festa foi o renascimento dos Jogos Olímpicos no ano de 1896, em Atenas, capital da Grécia. Pierre de Fredy morreu no dia 2 de setembro de 1937 aos 72 anos de idade em Genebra (Suíça). Seu corpo está sepultado em Olímpia, junto ao templo erguido para os deuses gregos.