O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), aguardará o resultado de novas diligências já em curso para decidir se devolverá as investigações do caso Master à primeira instância do Judiciário. As apurações eram tocadas pela Justiça Federal de Brasília e São Paulo.
Toffoli marcou novos depoimentos na investigação. Eles ocorrerão na próxima semana, na segunda (26) e na terça-feira (27), quando estão previstas as oitivas de executivos ligados ao Master e ao Banco de Brasília (BRB). Depois dos depoimentos, ele analisará se há menções a autoridades com foro. Se não houver, planeja devolver o inquérito à primeira instância, segundo fontes ouvidas pelo Valor. (Leia mais abaixo)
O caso subiu ao Supremo após uma citação ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que não é formalmente investigado. Foi apreendido em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, dono do Master, um envelope com o nome do parlamentar. O documento tratava de um negócio imobiliário. Ao Valor, Bacelar disse na ocasião que trabalhou com um fundo para a construção de um empreendimento em Trancoso, na Bahia. Ele foi consultado por Vorcaro sobre o imóvel, mas a operação não foi adiante.
Desde dezembro, quando as investigações foram para o STF por ordem de Toffoli, essa é a primeira vez que o ministro considera a possibilidade de deixar o caso. Ele afirmava a interlocutores que seguiria na relatoria e que o caso ficaria no STF, mesmo com as revelações de que familiares teriam relação com um fundo citado nas apurações. A atuação à frente do inquérito também está sendo criticada por integrantes da Polícia Federal (PF), do Banco Central (BC) e do próprio Supremo. (Leia mais abaixo)
O primeiro episódio que gerou críticas ao ministro foi a viagem, realizada em novembro, com o advogado de um dos diretores do Master. Da semana passada para cá, uma série de novas revelações surgiram. O jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, publicou reportagem segundo a qual o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, estaria por trás dos fundos de investimentos que compraram parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná.
Segundo a reportagem, o cunhado de Vorcaro foi o único cotista, entre 2021 e 2025, do fundo de investimento Leal. Foi com o uso desse fundo, diz o texto, que Zettel passou a ser sócio do Tayayá. Antes, o jornal Folha de S.Paulo já havia revelado que outro fundo também teria participação da DGEP Empreendimentos Incorporadora, que contava com um primo do ministro como um dos sócios. (Leia mais abaixo)
Na quarta-feira (21), foram divulgadas novas informações a respeito dos laços entre a família de Toffoli e fundos citados na apuração do caso Master. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a Maridt Participações, empresa de dois irmãos do Toffoli que chegou a ter um terço das participações no Tayayá, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro de Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.
O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, um dos irmãos do ministro e que aparece como diretor-presidente da Maridt. De acordo com a reportagem, a esposa de José Eugênio foi encontrada e disse que nunca soube que sua casa foi sede da empresa e não tem conhecimento de ligações com o resort. (Leia mais abaixo)
Toffoli teria continuado a frequentar o resort mesmo após sua venda. Relatos dados à Folha de S.Paulo dão conta que o ministro do STF costuma chegar ao local de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à casa que mantém em uma área perto do Tayayá.
Todos os episódios, somados às decisões de Toffoli que foram consideradas pouco usuais, aumentaram a crise envolvendo o inquérito do caso Master. O presidente do Supremo, Edson Fachin, chegou a antecipar sua volta a Brasília para conversar com colegas sobre os últimos desfechos. Ele se colocou à disposição para buscar saídas, informou que está acompanhando os desdobramentos, e disse que o momento exigia sua presença na capital federal. (Leia mais abaixo)
Para além das revelações, a atuação recente tem gerado desconfortos. O episódio que causou maior antipatia foi a decisão de barrar, em um primeiro momento, o acesso da PF às provas obtidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira e que aprofundou as apurações sobre o suposto esquema de fraude no Master.
Na primeira decisão, Toffoli determinou que os dispositivos apreendidos, entre eles 39 celulares e 31 computadores, ficassem lacrados no STF. Foi necessária uma dobradinha entre PF e PGR, que pediram que o ministro reconsiderasse a ordem para que ele decidisse enviar o material ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em um segundo recuo, determinou que quatro peritos da PF indicados por ele poderiam analisar as evidências. (Leia mais abaixo)
A decisão de acautelar dispositivos apreendidos no STF levou a uma resposta dura de Andrei Rodrigues, chefe da PF. Em petição a Toffoli, ele disse que manter o material no STF inviabilizaria a continuidade da investigação e que parte das provas poderia se perder.
Após o ministro autorizar a participação de peritos, o desconforto seguiu: a cúpula da PF, segundo apurou o Valor, não participou da escolha dos agentes que iriam examinar os equipamentos na PGR. (Leia mais abaixo)
Fonte: Valor