Após atingir recorde, dólar fecha em queda de 1,34%

Exterior ajudou, mas na semana moeda sobe 1,56%


23/01/2016    16h      |    Foto: Divulgação  dólarCom o maior apetite por risco no exterior, o dólar comercial encerrou o pregão em queda, um dia após atingir cotação recorde. A moeda americana terminou a sexta-feira cotada a R$ 4,108 na compra e a R$ 4,11 na venda, um recuo de 1,34% ante o real. Na semana, no entanto, a divisa acumula ganho de 1,56%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou os pares internacionais e fechou em alta de 0,83, aos 38.031 pontos. No acumulado da semana, no entanto, o Ibovespa perde 1,2%. Segundo analistas, a desvalorização do dólar durante todo o pregão esteve atrelada ao ambiente externo, com os investidores esperando por novos estímulos monetários na região do euro e na China e com a recuperação dos preços do petróleo, o que beneficia a moeda dos países produtores do óleo. O barril do tipo Brent registrava alta de 8%, a US$ 31,59, pouco antes do encerramento dos negócios no Brasil. Alexandre Tombini, presidente do Banco CentralSob pressão, BC decide manter taxa de juros estável em 14,25% ao ano — O cenário externo está beneficiando o real e não temos nada de relevante do ponto de vista interno. A expectativa de incentivos na Europa e na China fazem com que os investidores tomem mais risco — afirmou Bernard Gonin, analista macro da Rio Gestão de Investimentos. No exterior, o dólar ganha em relação a maior parte das moedas fortes. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, subia 0,47%. “Em movimento de correção técnica, após o exagero de ontem, o dólar comercial opera em queda ante o real. O cenário de menor aversão ao risco faz com que os agentes desmontem parte das posições defensivas assumidas nos últimos dias”, afirmou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, em relatório a clientes. Na quinta-feira, dia seguinte à decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros inalterada em 14,25% ao ano, o dólar comercial fechou na maior cotação nominal registrada desde a criação do Plano Real, em 1994. A moeda americana avançou 1,51% contra o real, a R$ 4,166 para venda, um recorde parta valores de fechamento. O recorde anterior era dos R$ 4,145 registrados em 23 de setembro. PETROBRAS PERDE FORÇA E FECHA EM QUEDA A alta da Bolsa foi encarada por analistas e operadores mais como um movimento de correção e não como uma reversão de tendência. Essa valorização também perdeu força no decorrer do pregão. Na máxima, o Ibovespa subiu quase 2%. Segundo analistas, essa recuperação foi possível devido às declarações, na noite de quinta-feira, do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que indicou que novos estímulos monetários podem ser promovidos na região. — O Draghi animou o mercado com a indicação de novos incentivos, o que fez as Bolsas europeias subirem. Mas por aqui, no entanto, é um movimento de ajuste e não uma reversão de tendência. A expectativa de de resultados mais fracos para as empresas brasileiras na temporada de balanços do quarto trimestre e projeções de uma recessão em torno de 3% em 2016 — avaliou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor. Com as dúvidas em relação à economia brasileira, as ações da Petrobras não conseguiram sustentar a alta, apesar da elevação do preço do petróleo no mercado internacional. Os papéís preferenciais (PNs, sem direito a voto) fecharam em queda de 1,55%, cotados a R$ 4,43, e os ordinários (ONs, com direito a voto) recuaram 0,47%, a R$ 6,26. No período da manhã, esses papéis dispararam, chegando a subir mais de 6%. O mesmo ocorreu com a Vale, que passou para o terreno negativo no período da tarde. As preferenciais fecharam em queda de 1,89% e as ordinárias recuaram 1,20%. O setor bancário, o que tem o maior peso na composição do Ibovespa, teve um desempenho melhor e conseguiu manter os ganhos até o final dos negócios. As altas das preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco foram de, respectivamente, 0,95% e 2,05%. As Bolsas americanas também operam em forte alta, consolidando o pregão de recuperação. O Dow Jones sobe 1,04% e o S&P 500 registra valorização de 1,74%. Na Europa, os principais indicadores registraram altas significativas. O DAX, de Frankfurt, registrou valorização de 1,99%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, avançou 3,10%. No caso do FTSE 100, de Londres, a variação foi de 2,19%.  



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