Privacidade violada: aplicativos de VPN gratuitos coletam dados e encaminham à China


  • 15/07/2025, 16h06 .

Uma investigação recente revelou que milhões de usuários gratuitos de redes virtuais privadas (VPN) tiveram seus dados inadvertidamente fornecidos ao governo chinês. O estudo, conduzido pelo Tech Transparency Project (TTP), expôs que vários dos aplicativos VPN grátis mais baixados tinham links ocultos para a Qihoo 360, uma empresa de tecnologia chinesa sancionada pelos EUA em 2020 por seus supostos vínculos com o exército de Beijing.

Privacidade em risco (Leia mais abaixo)

Entre os aplicativos sinalizados estão alguns dos mais frequentemente baixados pelos usuários, como a Turbo VPN, VPN Proxy Master, Thunder VPN, Snap VPN e Signal Secure VPN. Todos eles apresentaram vínculos com a companhia Qihoo 360, que foi colocada na lista negra dos EUA devido a preocupações com a segurança nacional. A principal preocupação reside no modo de operação das VPNs. Como elas direcionam o tráfego de internet dos usuários por meio de servidores externos, elas podem ter acesso a dados confidenciais, como o histórico de atividade de navegação, endereços IP e até mesmo credenciais de login. Via de regra, ao contratar um dos melhores servidores VPN do mercado, os usuários têm a promessa de que não haverá registro ou uso indevido desses dados. Mas nada é garantido no caso de empresas cujos vínculos institucionais se mostram tão questionáveis.

Plataformas negligentes

A situação é alarmante porque o governo chinês pode exigir que empresas sediadas em seu território compartilhem dados de usuários mesmo sem que eles sejam informados. E como nenhum dos 20 aplicativos de VPN vinculados à China publicou a localização de sua sede, a maioria das pessoas nem mesmo sabia dos riscos a que estavam sujeitas.

Especialistas em segurança apontam a negligência das plataformas de aplicativos como grande responsável. Se de um lado, a Apple defendeu a presença dessas VPNs na App Store afirmando que sua política institucional não bloqueia aplicativos com base na origem geográfica. De outro, o Google chegou a conceder um selo de “verificado” a um desse apps, conferindo uma credibilidade suplementar ao serviço de VPN problemático.

Como se proteger (Leia mais abaixo)

Este caso colocou em voga um problema mais amplo: a ilusão de privacidade que muitos aplicativos gratuitos oferecem. Com promessas de vantagens irrecusáveis, como largura de banda ilimitada, custo zero e acesso fácil sem necessidade de cadastro, esses programas são armadilhas perfeitas. Especialmente porque eles estão listados em lojas oficiais, sugerindo ao usuário médio que são seguros e legítimos.

Como os usuários podem se proteger, então? Segundo especialistas, o primeiro passo é evitar aplicativos de VPN gratuitos. Embora possam existir provedores idôneos no mercado, é muito difícil garantir a segurança e a privacidade desses programas. Para máxima segurança, é sempre melhor investir em um serviço de VPN pago. As melhores empresas do ramo oferecem transparência não apenas em suas políticas de não registro, como também na localização de suas sedes, nos protocolos de criptografia usados e na auditoria independente de seus serviços. A mesma lógica deve ser aplicada a demais programas de segurança disponíveis para download, como software antivírus e gerenciadores de senhas. Deve-se ter em mente que, quando assunto é privacidade, não é aconselhável confiar demais em ofertas de gratuidade. Para os usuários que tenham baixado alguns dos aplicativos VPN listados acima, a recomendação geral é de excluí-los imediatamente, junto com quaisquer contas criadas por meio dele.



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