Apesar da crise, ar-condicionado segue em alta e setor cria vantagens para consumidor

Alta temperatura no início do ano impulsionou as vendas e animou os comerciantes do setor


15/01/2017    10h     |    Foto: Divulgação  O desemprego e a crise que afeta os salários dos servidores públicos estaduais não prejudicaram as vendas de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores nos últimos meses. Segundo gerentes de lojas especializadas, o forte calor no Rio fez a procura disparar. Cientes da dificuldades dos consumidores, os lojistas vêm oferecendo vantagens. — Desde o ano passado, oferecemos um crédito maior. Passamos de um financiamento em seis vezes para dez parcelas sem juros. Se não tem dinheiro vivo, o consumidor pode fazer um crediário maior da loja. No caso de compras à vista, damos descontos — disse Edson Barbosa, gerente da loja ClimaRio. Segundo pessoas ligadas ao setor, a previsão ainda é de crescimento, mesmo com a crise econômica afetando o poder de compra da população. — Nos primeiros dias de 2017, estava muito quente, e a loja ficou cheia. Vendemos bem, pois fazia muito calor. Por mais que as pessoas estejam com dificuldades financeiras, ter um aparelho de ar-condicionado em casa é fundamental — lembrou Márcio Beatriz, gerente da loja OsmagRio Refrigeração. O percentual de crescimento nas vendas do setor varia de 10% a 20%. Para quem comprou um eletrodoméstico neste início de ano, a melhor opção foi a compra à vista em troca de um desconto maior, evitando o parcelamento longo. — Comprei um novo ar-condicionado para a sala. É o segundo que terei. Não dá para chegar em casa, depois de um longo dia de trabalho, e ter que sofrer com o calor — disse o instrutor de trânsito Ronaldo Alves, de 35 anos. Segundo os vendedores, a torcida, agora, é para que o verão siga intenso até depois do carnaval, para manter as vendas num patamar mais alto. Aparelho do tipo janela atrai mais Segundo o site de comparação de preços “Buscapé”, dos cinco aparelhos de ar-condicionado mais procurados, três são do tipo janela (veja o quadro abaixo). Uma pesquisa feita pelo comparador mostrou que os preços médios oferecidos pelo comércio diminuíram ou pouco aumentaram na comparação entre 2016 e 2017. No caso, por exemplo, do aparelho Consul de 10.000 BTUs, de janela, o preço médio caiu 0,8%, passando de R$ 1.072, em 2016, para R$ 1.063, este ano. Um detalhe apresentado pelo Buscapé diz respeito à movimentação por parte dos consumidores atrás de produtos. Segundo o site, houve uma pequena queda na procura em dezembro de 2016 e janeiro de 2017, se comparado com o período de dezembro de 2015 e janeiro de 2016. Sobre a evolução das pesquisas nos últimos três meses, a movimentação de consumidores atrás de produtos mais em conta disparou. Na comparação entre novembro de 2016 e os primeiros dez dias de janeiro, houve uma elevação de 94% no volume de interessados em compras. Segundo o site, a intenção dos consumidores é economizar o máximo possível. Ventiladores são opção para de menor gasto Para quem está com a corda no pescoço, mas precisa investir num eletrodoméstico para amenizar o calor, o jeito tem sido optar por ventiladores, sejam básicos ou mais potentes. Segundo lojistas, os modelos disponíveis no mercado custam, atualmente, de R$ 60 a R$ 300, bem menos do que a metade do valor de um ar-condicionado pouco potente. — Nas duas últimos semanas, tivemos boas vendas de ventiladores. Nada comparado a 2015, mas não podemos reclamar diante da crise. Para quem tem contas atrasadas ou está com o orçamento apertado, o investimento num ventilador é a única opção — disse Mariano Olívio, gerente da loja VentShopping. O lojista lembrou que a instalação dos ventiladores e o consumo de energia decorrente disso geram menos gastos para o consumidor. Quando é necessária a colocação, caso dos ventiladores de teto, a compra até inclui o custo da instalação na casa do cliente. — Temos que oferecer vantagens ao consumidor para atraí-lo — disse Olívio. Depoimento Eduardo Terra Presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo ‘O comprador está reticente, mais arisco’ — A primeira coisa que o varejo tem que entender é que existe interesse em comprar, mas as pessoas precisam de melhores condições de crédito.Vender em até 12 vezes sem juros ameniza as condições de pagamento para o consumidor, que acaba com uma parcela que cabe em seu bolso. Mas o cenário, hoje, é esse: mesmo quem tem condições de comprar à vista está reticente. O vendedor precisa atrair esse comprador, tem que convencê-lo de que as condições são boas para um investimento considerado alto. O cliente está mais arisco, mais racional. Quem tem dinheiro precisar ter vantagem para gastar. Vamos ter um primeiro semestre repleto de promoções, até que o índice de desemprego caia. Fonte: Extra 



fique bem informado