Analistas preveem mandato difícil para Dilma

Governo Dilma é avaliado como bom ou ótimo por 40% e 68% culpam Dilma por corrupção


quinta-feira, 1° de dezembro de 2014    -    Foto: Divulgação size_590_dilmaOs primeiros anos do segundo mandato não devem ser fáceis para a presidente Dilma Rousseff (PT), que toma posse às 14h desta quinta-feira. Cientistas políticos preveem três pontos críticos ao governo: desgaste pelos escândalos da Petrobras, recessão econômica e dificuldade em aprovar projetos no Congresso. Professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o pós-doutor em Ciência Política Carlos Pereira acredita que o esquema de corrupção da Petrobras será o principal desafio da presidente – principalmente em 2015, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) deverá julgar os políticos envolvidos no esquema. “A sorte do governo está lançada. Sem força política no Congresso, ele terá que se defender se todo esse esquema for confirmado”, analisa o especialista. Veja momentos importantes no 1º mandato de Dilma Governo Dilma é avaliado como bom ou ótimo por 40% 68% culpam Dilma por corrupção O pós-doutor em Ciência Política também cita a posição de Dilma Rousseff. “Vislumbro uma situação dificílima para o governo se surgir alguma evidência ligando a presidente ao esquema”, aponta. Ele lembra que a oposição, já nos últimos meses de 2014, buscava o impedimento de Dilma na Presidência. Cientista Política da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Maria Teresa Kerbauy, acredita que os efeitos do escândalo na estatal vão impactar em mais da metade do segundo mandato de Dilma, o que pode comprometer o Partido dos Trabalhadores na próxima eleição. Para minimizar o impacto, a professora diz que o “governo não poderá seguir com o discurso de como se não estivesse sendo atingido”. As investigações da operação Lava Jato apontam o PT e partidos da base do governo (PMDB e PP) como os principais beneficiados nos desvios de dinheiro da Petrobras. Em depoimento, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa contou que o ex-ministro Antônio Palocci teria solicitado R$ 2 milhões do esquema em 2010 para a campanha política do primeiro mandato de Dilma. Economia Maria Tereza Kerbauy prevê desgaste também em função da crise econômica. Os arranjos que começaram a ser feitos pela nova equipe econômica de Dilma devem ter retorno somente em 2017. Até lá, a população vai sentir os efeitos - principalmente com a diminuição do poder de compra - e isso pode gerar uma nova onda de protestos pelo país. “Talvez não com a mesma intensidade das manifestações de junho de 2013”, analisa. Ela lembra, no entanto, que as pautas que motivaram os protestos serão as mesmas: aumento da tarifa de ônibus, reajuste do combustível e da energia elétrica. A especialista cita ainda as medidas impopulares já anunciadas pelo governo, que alteram as regras da previdência: seguro desemprego, afastamento do trabalho por motivo de saúde e o pagamento de pensão.  “O novo ministro da Previdência precisará ter muito diálogo com as centrais sindicais”. Congresso O professor da FGV Carlos Pereira teme um ano problemático para a presidente no Congresso, o que poderá acarretar em muita dificuldade na aprovação de projetos. “Em 2015 e 2016 poderá haver muita restrição”, diz. Ele explica que a reação dos parlamentares é um reflexo do primeiro mandato de Dilma. “Em vez de compartilhar poderes, ela concentrou no PT e com isso conseguiu aprovar pouco”, lembra. Nos primeiros quatro anos, o governo perdeu o apoio do PSB e de parte do PMDB. A professora da Unesp completa ainda que a mudança da presidência da Câmara, em fevereiro, pode definir como será a relação de Dilma com o Congresso nos próximos anos. Segundo ela, existia um acordo de alternância entre PT e PMDB e em 2015 seria a vez de um parlamentar do Partido dos Trabalhadores se candidatar ao cargo. O PMDB, no entanto, deve romper o acordo e lançar um nome para a eleição na Câmara. Além disso, Dilma terá de lidar com uma oposição mais forte do PSDB. “Antes a oposição não se posicionava como oposição. Precisamos esperar a reação dos novos parlamentares (troca de mandato) para ver se vão continuar com o mesmo discurso forte que se viu nos últimos meses, depois das eleições. Se continuar pode trancar as pautas do governo”, acrescenta Maria Teresa Kerbauy.



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