Amor ao próximo ensinado de geração a geração


02/01/2016   07h30   |   Foto: Campos 24 Horas Amor Ao Proximo (1) Amor Ao Proximo (2)De pai para filho. Assim surgiu a vontade do supervisor comercial Alexandre Sertori Gonçalvez de querer levar para crianças carentes o carinho que ele via seu pai, Rui Sérgio Goncalves, transmitir para os pequenos em orfanatos, como eram chamadas as casas de acolhimento na época, além de população de rua. Esse gesto de amor ao próximo fez com que Alexandre crescesse e multiplicasse esse ato de humanidade feito pelo pai, já falecido, a crianças de um acolhimento em Campos. - Eu sempre tive vontade de fazer este projeto social. Há muitos anos, meu pai plantou essa semente em minha vida - disse Alexandre, que juntou a semente plantada em seu coração com  mais 20 sementes presentes no coração dos outros integrantes de sua igreja para formar, em fevereiro deste ano, um grupo para  visitar, uma vez por mês, a Casa de Acolhimento Portal da Infância, localizada em Donana, que recebe crianças entre 3 e 17 anos, aproximadamente.  Esse local recebe crianças que são enviadas pelo Juizado da Infância, por terem sofrido algum tipo de violência ou negligência de seus pais ou responsáveis. Elas permanecem lá e recebem acompanhamento de conselheiros junto à família para saber se podem ser reintegradas ao ambiente familiar. “Conheci esse local através da ótica onde trabalho, numa ação social de distribuição de brinquedos que fizemos”, disse. A ação é verdadeiramente nobre. Consiste em uma visita, a partir das 10h, que tem como uma das ações levar lanche e um bolo para comemorar e cantar parabéns para os aniversariantes do mês. Além disso, eles também ganham presentes, que são entregues pelos voluntários que “adotaram” aquela criança. - Cada criança que faz aniversário é adotada por uma pessoa que fica responsável pelo presente. A igreja que eu participo, que é a Tribo de Gade, doa uma quantia mensal para que possamos fazer o lanche e o bolo. Além disso, levamos um grupo de louvor e damos a palavra. Depois, brincamos de corda, bola, entre outros”, disse Alexandre, lembrando que doar amor e atenção é tão importante quanto a festa e os presentes. Certamente, essa ação de amor ao próximo, durante todo o ano, deixa lembranças fortes nas pessoas que estão envolvidas. Não foi diferente com Alexandre, que lembra com carinho acontecimentos que o marcaram. Um deles se refere a uma voluntária do grupo que, quando criança, viveu em um orfanato e leva testemunho para outras crianças, mostrando que Deus pode mudar a história de cada um. - Além dessa irmã voluntária, outra que me marcou foi o pedido de uma criança para orar por ela e pela sua mãe, que é alcoólatra, para ela parar de beber e tirá-la dali. Quando abri os olhos, mais três crianças estavam orando conosco nessa mesma situação – conta Alexandre, lembrando de outras histórias também.  Alexandre destaca que leva sua filha, de 11 meses, para o projeto e ressaltou o apoio da esposa e da igreja. “Os pais que participam levam seus filhos também e incentivamos isso, pois nossa futura geração tem que crescer com estes princípios de ajudar ao próximo para que o nosso mundo se torne melhor. Às vezes, as pessoas falam isso por demagogia, mas quem conhece a palavra e sabe o que Cristo fez por nós, faz isso naturalmente”. O presidente da Fundação Municipal de Infância e Juventude (FMIJ), Rodrigo Carvalho, Alexandre é um ótimo exemplo de que esse tipo de ação de solidariedade deve acontecer não só neste período, mas durante todo o ano, pois as crianças necessitam desse carinho sempre. “Elas gostam desse calor humano, de atenção. Então, esse tipo de ação deve ocorrer sempre”. Rodrigo ressaltou ainda que , quem quiser fazer qualquer tipo de doação para os acolhimentos, pode procurar a própria Fundação, situada na Av. Rui Barbosa, 533 Centro, para maiores informações. Prefeitura faz sua parte - A secretaria de Desenvolvimento Humano e Social realiza um trabalho permanente, durante o ano inteiro, com os moradores de rua e possui equipamentos, como o CentroPop e Casa de Passagem, que oferecem a eles local adequado para dormir e se alimentar, além de encaminhá-los para retirada de documentos, contato com os vínculos familiares, assistência psicológica e judiciária, além de encaminhá-los para cursos de capacitação e, quando preparados, para o mercado de trabalho. Segundo o secretário, Thiago Ferrugem, o trabalho de convencimento feito pela equipe de assistentes sociais para tentar levar os moradores de rua para a Casa é lento e requer muito diálogo. “Realizamos trabalho de convencimento para que sejam encaminhados com tranquilidade. Ninguém pode retirá-los à força das ruas. O nosso objetivo é resgatar a identidade dessa pessoa”, explicou o secretário. Segundo Thiago, 90% da população em situação de rua vêm de outras cidades. Muitos deles, estão nas ruas em consequência da dependência química. Além da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, outros órgãos da prefeitura auxiliam nesse resgate de identidade das pessoas em situação de rua. “A Secretaria de Saúde desenvolve um acompanhamento de vacinação dessas pessoas. A de Educação auxilia no ensino. A guarda Civil também nos ajuda. Enfim, todas as secretarias envolvidas se unem em prol dessa população em situação de rua”, disse. Algo que também deve se destacada é que a prefeitura ajuda na passagem daqueles moradores que desejam voltar para casa. É feita uma busca no catálogo nacional para a identificação do morador e, caso seja a vontade dele retomar à sua cidade, a prefeitura sede carro e passagem para esse cidadão. De acordo com o secretário, haverá uma audiência pública no dia 18 de janeiro para conversar sobre a população em situação de rua do munícipio. É o governo municipal e a população juntas nesta causa de amor ao próximo. “Nossa cidade é conhecida por ter uma população muito caridosa e, por isso, no dia 18, vamos nos reunir na CDL para conversamos e pensamos juntos numa forma de ajudar essa população em situação de rua. Pretendemos também implantar o Fórum Permanente no município”, finaliza.



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