18/09/2015 - às 18h25 - Foto: Divulgação

No dia 18 de setembro de 1904, nascia o America Football Club, tradicional clube do Rio de Janeiro, que tem sua sede no bairro da Tijuca. Os fundadores da instituição foram Alberto Klotzbücher, Oswaldo Mohrstedt, Henrique Mohrstedt, Gustavo Bruno Mohrstedt, Alfredo Mohrstedt, Jaime Faria Machado e Alfredo Guilherme Koehler. Nesta sexta (18), o clube da Campos Sales comemora 111 anos de existência, glórias, títulos e alegrias a sua torcida.
Para alegrar ainda mais a sua torcida, o aniversário de 111 anos marca a volta do Mecão a Primeira Divisão do Campeonato Carioca, depois de quatro anos seguidos na Série B. Os torcedores ainda esperam mais um presente este ano, pois sonham com a conquista da Copa Rio, que se vier acontecer, colocará o clube novamente no cenário nacional, sonho de consumo do presidente Léo Almada, tido como o grande responsável pelo acesso.
Começo alvinegro do America
Depois de discutirem por horas, os membros do clube chegaram a uma lista com três sugestões. Oswaldo Mohrstedt sugeriu Rio Football Club, em homenagem à cidade que abrigaria a agremiação recém criada. Henrique Mohrstedt preferia Praia Formosa Football Club, em alusão ao nome da rua onde o clube seria fundado. Porém, Alfredo Guilherme Koehler sugeriu America, em homenagem ao novo continente, e o nome foi aprovado.
O America fez seu primeiro jogo contra o Bangu, seu maior rival até hoje, em 6 de agosto de 1905. Apesar de ter sido fundado no mesmo ano, o Alvirrubro já era um clube estabelecido, pois anos antes já praticava o futebol com operários e técnicos ingleses da Fábrica Bangu, que deu origem ao time. Em campo, goleada de 6 a 1 para os adversários, em um resultado que em nada antecipava a superioridade americana nos próximos anos (107 vitórias, 68 empates e 102 derrotas).
Coube a Amilcar Teixeira Pinto, capitão do America na partida, a honra de marcar o primeiro gol da história do clube. O uniforme com camisas e meias pretas, e calções brancos resistiria até 1908 quando o clube adotou o vermelho e branco por sugestão de Belford Duarte, ícone do futebol brasileiro no início do século passado, influenciado pelo belo uniforme do Mackenzie College, de São Paulo.
A transferência definitiva para a Tijuca aconteceria anos mais tarde. Em dificuldades financeiras, o Haddock Lobo Football Club, que jogou os primeiros Campeonatos Cariocas, fundiu-se ao America em 1911. Desta maneira, o clube Rubro passou a ser dono do estádio da Rua Campos Sales e ganhou mais jogadores de qualidade. Nesse momento, o America se tornou um clube maduro e estabelecido, pronto para conquistar os primeiros títulos que estavam por vir.
Primeiros títulos e "Campeão dos Campeões"
Em 1913, o America sagrou-se campeão carioca e conquistou o primeiro título de sua história. Depois, o Mecão conquistou o Rio por mais cinco vezes em um período de 19 anos (1916, 1922, 1928, 1931 e 1935). No ano de 1936, o time Rubro conquistou a Taça dos Campeões Rio-São Paulo ao derrotar a Portuguesa (SP) em três jogos. Na primeira partida, a Lusa venceu por 3 a 2, mas depois a equipe rubra venceu por 1 a 0 e 3 a 1.
No ano de 1960, o América ganhou seu último Estadual. Mas em 1982, conquistou seu maior título até hoje, ao se sagrar Campeão dos Campeões. Em uma competição que contou com os campeões e vices dos principais estaduais do Brasil, o time, liderado por Duílio, Moreno, Gilson Gênio, Luisinho Lemos e companhia, deixou para trás times como Atlético (MG) e Portuguesa, para derrotar o Guarani na final.
Declínio e injustiça no futebol brasileiro
Apesar da boa campanha no Campeonato Brasileiro de 1986, onde terminou em quarto lugar, no ano seguinte a decadência americana começou por uma grave crise no futebol brasileiro. Na década de 1980, a Confederação Brasileira de Futebol passava por problemas financeiros e deixou claro que iria diminuir o número de equipes no Brasileirão, determinando que o campeonato de 1987, teria 24 clubes, definidos pelas posições na segunda fase do torneio no ano anterior.
A falta de autoridade da CBF para impor suas decisões era evidente entre as equipes. Enquanto a confederação não se entendia, os clubes se organizavam para fazer valer seus interesses e criar um novo modelo para o Campeonato Brasileiro. A campanha foi bem sucedida e a união dos clubes ganhou força. Em junho de 1987, Octávio Pinto Guimarães, então presidente da CBF, anunciou que a entidade não teria condições de organizar o Brasileiro. O motivo: a falta de dinheiro para arcar com as viagens dos times e outras despesas. Sob o risco de ficar sem a competição que já era a mais importante do calendário, os grandes clubes resolveram tomar as rédeas da situação.
Assim surgiu o Clube dos 13. Porém, mesmo com a grande campanha no ano anterior, o America foi excluído da competição pelas principais equipes, pois sua torcida não estava entre as maiores do Brasil. Temendo um domínio do Clube dos 13, a CBF também organizou a sua competição e a equipe Tijucana foi convidada, porém, se recusou a participar por se sentir excluído da União dos Grandes Clubes Brasileiros, já que tinha feito uma grande campanha em 1986. A atitude tomada contra o time Rubro teria consequências irreparáveis nos anos seguintes, pois com a saída da elite, o America passou a viver com muitas dificuldades.
Em 1993, o clube vendeu seu Estádio, o Wolney Braune, para uma empresa que construiu um shopping na localidade. Em 23 de janeiro de 2000, o America inaugurou seu novo estádio no município de Mesquita, na Baixada Fluminense. Homenageando um torcedor ilustre que foi presidente do clube e da CBF, a diretoria americana batizou sua nova casa de Giulite Coutinho. A torcida americana voltou a sonhar com um título em 2006, quando o America chegou a final da Taça Guanabara. Mas, com arbitragem polêmica de William de Souza Nery, que não marcou um pênalti claro a favor dos rubros, o Mecão foi derrotado por 3 a 1, pelo Botafogo.
Rebaixamentos e retorno à elite
Em 2008, o America sofreu um duro golpe ao ser rebaixado para a Série B do Campeonato Carioca. Porém, no ano seguinte, ajudado pelo atacante Romário, que foi diretor de futebol do clube, o Mecão retornou a elite do futebol do Rio de Janeiro com o título da Série B e o Baixinho realizou o sonho do seu pai, Seu Edevair, que era torcedor americano e morreu alguns anos antes, ao jogar uma partida oficial com a camisa rubra.
O America fez uma boa campanha no Estadual de 2010, acabando na sexta colocação e se classificando para a Série D do Brasileiro. Entretanto, Romário deixou o clube após o Campeonato Carioca. O America fez uma campanha ruim na Quarta Divisão e no ano seguinte, o time fez uma das piores campanhas de sua história e terminou na última colocação do Carioca, sendo rebaixado novamente. Durante três temporadas, o America agonizou na Segunda Divisão. Em 2012, uma péssima campanha que quase levou o clube a disputar o grupo da morte, para se livrar do rebaixamento para a Série C do Campeonato Carioca.
No ano seguinte, o acesso bateu na trave, pois o Mecão chegou ao Triangular Final da Segundona, mas não conseguiu superar Bonsucesso e Cabofriense. No ano passado, uma campanha mediana, que não teve riscos de rebaixamento, mas o acesso também passou longe. Porém, em 6 de janeiro do ano passado, a história do America começava a mudar. Após a renúncia de Vinícius Cordeiro, Léo Almada foi eleito presidente, em eleição que chegou a ir parar na justiça. Por esse fato, o mandatário não conseguiu fazer um investimento alto para oCampeonato Carioca. Como seu primeiro mandato foi tampão, o presidente foi reeleito no dia 10 de novembro.
Tendo tempo para fazer um grande planejamento, Léo Almada formou um grande elenco, que seria comandado pelo técnico Arturzinho. O presidente ainda levou novamente o maior ídolo americano, Edu Coimbra, para o clube e ele chegou com a função de diretor geral de futebol. Nomes como Wagner Diniz, Fabio Braz, Abedi, Jean e Somália chegaram ao time. Apesar de ter uma grande equipe, o America teve alguns percalços ao logo da sua campanha, a torcida protestou diversas vezes, Arturzinho acabou sendo demitido na reta final da Série B e Edu Coimbra deixou o clube, pois não concordou com a demissão do treinador.
Porém, o acesso do America não seria impedido. Com Grandes atuações de Felipe, Taércio, Fabio Braz, Vagner Eugênio, Marlon, Muniz, Darlan, Accioli, Léo Rocha, Jean, Marcelinho, Ramon, Somália, entre outros, o Mecão passou por cima de Americano e Portuguesa no Triangular Final, conseguiu retornar a elite do futebol do Rio de Janeiro e de quebra foi o campeão da Segunda Divisão.
Ídolos históricos
O America conta com grandes jogadores em sua história. Talvez o primeiro grande jogador tenha sido o zagueiro Belfort Duarte, capitão do primeiro título do clube e que deu a idéia para que a camisa do Mecão fosse vermelha. Com uma maneira refinada de jogar, o defensor encantava pelo alto número de desarmes que conseguia durante os jogos, sem fazer faltas. Por conta disso, muitas competições passaram a premiar o jogador menos faltoso e o troféu levava o seu nome.
Após a era Belfort Duarte, o atacante Plácido Monsores se destacou. Quarto maior artilheiro da história do clube, com 167 gols, foi ele o grande nome do Mecão na campanha do título carioca de 1935. É um exemplo de atleta que conseguiu ser ídolo em dois rivais, pois além de brilhar no time rubro, Plácido se destacou também no Bangu. Outro defensor muito lembrado pelos americanos é Britto. Apesar de ter atuado em grandes clubes, como Corinthians, Flamengo, Vasco e Independiente (ARG), foi no America que o zagueiro chegou à Seleção Brasileira e, inclusive, disputou a Copa do Mundo de 1938, realizada na Itália, a primeira que o Brasil conseguiu passar da primeira fase e terminou na terceira colocação.
Talvez a torcida brasileira tenha tido o azar de não ver Maneco vestir a camisa Canarinho em uma Copa do Mundo, pois o auge do atacante foi no período da Segunda Guerra Mundial, época em que os Mundiais foram cancelados. Goleador nato, ele é o terceiro maior artilheiro do America, com 187 gols. Defendeu a Seleção Brasileira na década de 40 e fez parte de um dos maiores times da História do Mecão. O ponta-esquerda Zagallo, também tem uma grande história pelo clube. Campeão Mundial pelo Brasil em 1958 e 1962 como jogador, em 1970 como treinador e em 1994 como auxiliar-técnico, a "Formiguinha" começou sua carreira no America. Após deixar o Mecão, ele atuou apenas por Flamengo e Botafogo.
Sebastião Leônidas foi um zagueiro que defendeu o America entre 1960 e 1965. Foi campeão no último título carioca da equipe em 1960. Ele é considerado um dos pioneiros de uma tática que existe até hoje no futebol: a linha de impedimento. Suas grandes atuações despertaram o interesse do Botafogo, que o contratou para substituir um dos maiores ídolos da história do clube, Nilton Santos, que havia se aposentado. Estaria no elenco da Seleção Brasileira na Copa do Mundo em 1970, mas uma lesão o deixou de fora do Mundial.
O habilidoso meia Moreno também não poderia ser esquecido. Com um futebol refinado, foi um dos principais jogadores americanos na fantástica campanha do Campeonato Brasileiro de 1986, quando o America ficou na terceira colocação, onde foi eliminado apenas na semifinal, para o eventual campeão São Paulo. Moreno era dirigente do Mecão, mas se afastou no início deste ano para se dedicar à política.
O lateral direito Orlando Lelé também marcou história no clube. Conhecido por ser um grande marcador, o jogador não aliviava nas divididas e era temido pelos seus adversários. Foi autor do gol do título da Taça Guanabara de 1974. No ano seguinte, se transferiu para o Vasco. Gilson Gênio, foi um jogador que começou a carreira no Fluminense, onde participou da temida Máquina Tricolor, que conquistou os títulos Cariocas de 1975 e 1976. Em 1981, o ponta-esquerda chegou ao America, onde foi um dos grandes destaques do Mecão na conquista do título de campeão dos campeões.
O zagueiro Duílio não jogou muito pelo America, mas virou ídolo da torcida. Ele atuou apenas em 1982, mas conquistou a Taça Rio e o Torneio dos Campeões, em que era capitão. Em 2011, retornou para ser o treinador e revelou que era torcedor americano. Apesar da campanha de 2012, não conseguiu levar a equipe à elite do futebol do Rio de Janeiro. Quem mais vestiu a camisa do America foi o alemão naturalizado brasileiro Alex Kamianecky, que defendeu o Mecão por 12 anos (1967 a 1979), vestindo o manto rubro 673 vezes. Ganhou a Taça GB de 1974, mas sua maior demonstração de amor aconteceu quando deixou o clube: ao se transferir para o Sport (PE), ele exigiu que, no contrato, houvesse uma cláusula dizendo que ele não poderia enfrentar o time americano. Apesar de nunca ter jogado na Seleção, esteve na pré-lista para o Mundial de 1970.
Mas ninguém fez mais gols no America que Luisinho Lemos. Em três passagens pelo clube (1973 a 1974, 1982 a 1984 e 1985 a 1987), o atacante marcou 311 gols. Ele ainda conquistou a Taça Guanabara de 1974, a Taça Rio de 1982 e o Torneio dos Campeões. O "Tombo" nunca escondeu as cores de seu coração e sempre tratou o Mecão como o clube mais importante de sua carreira. Apesar de não ser o maior artilheiro da história do clube, o maior ídolo americano é Edu Coimbra. Para muitos apenas o irmão de Zico, ídolo maior do Flamengo, Edu é um messias para a torcida do e, para muitos - torcedores do clube ou não - jogou mais que o próprio irmão. Porém, como Zico se destacou no clube de maior torcida do Brasil, ganhou mais status. Edu marcou 212 gols no America e, como treinador, chegou a dirigir a Seleção Brasileira em três partidas em 1984.
Ídolos atuais
Os ídolos atuais também não podem ser esquecidos. As atuações de Felipe na Série B, que fez com que o goleiro fosse apelidado de Paredão Vermelho, ficarão para sempre na memória do torcedor. A segurança de Fabio Braz e Vagner Eugênio na defesa é sempre exaltada pelas arquibancadas. A dupla de volantes, Muniz e Darlan, desfilam um bom futebol e categoria no meio campo rubro. As atuações do jovem Marlon, que mais parece um veterano em campo, são sempre elogiadas.
Quem imaginaria ver um jovem tímido e franzino como Accioli se agigantar na Série B. E como esquecer a promessa de Jean, que quando retornou ao America garantiu que o acesso aconteceria. Léo Rocha, que depois de ser tão criticado no início da Série B, chamou a responsabilidade e foi o grande condutor americano no Triangular Final. Marcelinho, um jovem veterano de 36 anos, mas que coloca medo em qualquer garoto com sua velocidade e habilidade.
E o que falar de Ricardo Cruz? Ex-preparador de goleiros, que pediu a Deus para não ser efetivado como treinador, mas assumiu a responsabilidade e fez o America jogar um futebol bonito e envolvente. Tomou gosto pela nova função e após o título da Série B, quer dar mais um passo em sua carreira e conquistar a Copa Rio. Entretanto, o maior ídolo atual da torcida chama-se Léo Barros Almada. Dirigente do clube na década de 80, ele cansou de ver o America fazendo campanhas pífias, assumiu a responsabilidade de ser presidente rubro e fazendo muitas vezes investimentos onde colocava seu próprio dinheiro no clube, ganhou a torcida e levou o Mecão novamente à Primeira Divisão.
O America está mais vivo do que nunca. Quem é grande, nunca deixa de ser grande. Fato que o Mecão já é, a meta agora é o clube voltar a ser gigante. E que não duvidem desta equipe vermelha: ela já brilha novamente no cenário estadual e quer brilhar novamente no cenário nacional do futebol. E isso está mais próximo a cada dia.