terça-feira, 29 de outubro de 2013 - Foto: Arquivo
A denúncia do MP sobre o caso Amarildo revela que o ajudante de pedreiro foi torturado pelos policiais da unidade (Leia mais abaixo)
Em julho deste ano, pouco após o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza na Rocinha, um homem que se identifica como policial civil negociou a entrega de armas do tráfico com um bandido. Numa escuta telefônica em poder da 15ª DP (Gávea), o homem pede a um traficante identificado como Juliano Ferreira de Medeiros, de 26 anos, o Espinha, que entregue armas à polícia para “deixar o morro em paz”. A ligação foi feita em 18 de julho, quatro dias após a sessão de tortura que terminou com a morte de Amarildo de Souza, e faz parte dos grampos da Operação Paz Armada.
Em seguida, o traficante, um dos denunciados pelo Ministério Público na ação, responde que não entregaria o armamento, pois ele já teria dado fuzis para um PM da UPP da Rocinha infiltrado na quadrilha. Segundo o bandido, o policial “não apresentou as armas”.
A denúncia do MP sobre o caso Amarildo revela que o ajudante de pedreiro foi torturado pelos policiais da unidade para entregar a localização de um paiol de armas na favela. De acordo com o documento, a “operação não atingiu o objetivo almejado, haja vista a insuficiente apreensão de material ilícito”.
Horas depois da primeira ligação pedindo os armamentos, uma pessoa que se apresenta como delegado negocia com o traficante a entrega do corpo de Amarildo. O homem afirma que “a paz será selada” se o corpo aparecer. Como resposta, o bandido alega que “a morte do Boi (apelido de Amarildo) foi de responsabilidade da UPP do major”. Ele se referia a Edson Santos, ex-comandante da unidade, preso acusado pelo sequestro seguido de morte de Amarildo.
A perícia da Polícia Civil em três das quatro viaturas do Bope que estiveram na Rocinha na noite da sessão de tortura deu positivo para a reação com luminol, o que indica que se trata de material orgânico. As amostras foram encaminhadas para novo exame para indicar a presença de sangue. O MP investiga se a tropa de elite retirou o corpo de Amarildo da favela. (Leia mais abaixo)