Clima esquenta para eleição indireta de governador e como se movimentam Ceciliano, Castro, Bacellar, Thiago e Vitor

Campos 24 Horas mostra o que está por trás da disputa na Alerj para escolha do nome que vai substituir Cláudio Castro a partir de marco


  • Atualização em 15/01/2026, 07h12, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - Mesmo com o recesso parlamentar, o clima na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) é de disputa interna e inquietação, tendo em vista que o nome do novo governador será escolhido pelos deputados estaduais numa eleição indireta, possivelmente no próximo mês de março, logo após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que tem previsão de ocorrer no final de fevereiro, para disputar o Senado. E o resultado desta votação na Alerj pode alterar o cenário político estadual. Em amplo levantamento junto a deputados e fontes da Alerj, a reportagem do Campos 24 Horas mostra como o jogo para a escolha do novo governador está sendo jogado nos bastidores da Casa e como se movimentam nomes como André Ceciliano (PT), Cláudio Castro (PL), Eduardo Paes (PSD) e deputados da região, como Thiago Rangel (Avante) e Vitor Junior (PDT). Além disso, o presidente afastado da Alerj Rodrigo Bacellar (União) também se movimenta junto ao PT para definir seu futuro político.

A reportagem obteve dados que apontam que a eleição para o mandato-tampão de governador pode ter a influência de nomes importantes do governo federal e da cúpula do PT, que já estariam fazendo contatos com os deputados estaduais para pedir votos para Ceciliano, visto que a eleição do Rio é estratégica no Sudeste, onde o presidente Lula terá que ter um palanque forte por causa da grande influência do Bolsonarismo. Além de tudo isso, a Alerj ainda vive a expectativa do desfecho de investigações policiais que estão em andamento. (Leia mais abaixo)

Inicialmente, o Campos 24 Horas mostra o porquê da eleição indireta histórica que acontece pela primeira vez no estado do Rio, com deputados escolhendo o nome do novo governador: Como o vice-governador Thiago Pampolha (MDB) deixou o cargo para ingressar no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e o próximo da linha de sucessão, Rodrigo Bacellar (União), está afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em virtude do caso TH Jóias (aqui), o comando do Palácio Guanabara ficará interinamente com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ), Ricardo de Castro, até que a Alerj eleja o nome que vai governar o Rio num mandato-tampão até dezembro, a quem caberá um papel preponderante na eleição de outubro e mexer com o cenário eleitoral, que atualmente tem o prefeito do Rio, Eduardo Paes, como pré-candidato favorito nas pesquisas.

NOMES FORTES  - No páreo, além do chefe da Casa Civil Nicola Micione (PL), (candidato de Cláudio Castro), está André Ceciliano (PT), ex-presidente da Alerj e Secretário especial de Assuntos Parlamentares da Presidência da República.

Ceciliano, segundo apurou a reportagem, tem o apoio do Palácio do Planalto e da cúpula do seu partido, que inclusive já estaria mobilizando deputados estaduais do PT, PDT, PSOL e PSB para votarem no petista.

A movimentação do PT tem se intensificado nos últimos dias em razão dos movimentos do prefeito Eduardo Paes (PSD), que tem flertado com a possibilidade de abrigar dois candidatos no Rio na eleição para presidente da República: além do presidente Lula, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

Em razão dessa posição de Paes, os petistas estão jogando pesado na candidatura de Ceciliano, até porque o governador em exercício no período de março até dezembro terá situação privilegiada de liderar as articulações para a eleição direta de governador em outubro, influenciar na construção de alianças e na formação de chapas. (Leia mais abaixo)

Seria então a grande oportunidade do PT em reconquistar o governo do Rio, após 23 anos, depois que Benedita da Silva exerceu o cargo em 2003.

PAES DE OLHO NA ALERJ E MOVIMENTAÇÃO DE BACELLAR - Caso obtenha os votos da maioria dos 70 deputados estaduais para exercer o mandato-tampão de governador, Ceciliano pode se tornar candidato natural do partido ao Palácio Guanabara na eleição de outubro. E isso coloca o prefeito Eduardo Paes em estado de alerta. Se perceber que Ceciliano se tornará uma ameaça à sua pretensão de ser governador, Paes pode tentar influenciar deputados do seu partido a não votarem no petista.

Ainda de acordo com a apuração do Campos 24 Horas, nos bastidores da Alerj circula a informação de que o presidente afastado Rodrigo Bacellar se movimenta para ter o apoio do PT no sentido de retornar à presidência da Casa.

Mesmo defenestrado pelo STF da presidência por suspeita de colaboração com o ex-deputado TH Jóias (MDB), acusado de envolvimento com o Comando Vermelho, Bacellar ainda está no cargo de deputado, do qual pediu licença para se defender das acusações.

Outra informação sustenta que Bacellar poderia renunciar a presidência da Alerj para obter apoio a fim de tornar-se elegível para a Câmara Federal ou mesmo para conseguir indicação para uma vaga no Tribunal de Contas (TCE-RJ). Nesse caso, além da eleição indireta de governador, também ocorreria nova eleição para presidência da Alerj, atualmente presidida pelo 1º vice-presidente, deputado Guilherme Delaroli (PL), que moralizou a Casa e acabou com a farra do dinheiro público, exonerando em torno de 200 pessoas, muitas delas apadrinhadas por políticos como Sérgio Cabral e Paulo Melo, e que apenas recebiam salários. (Leia mais abaixo)

BLOCO INDEPENDENTE DE DEPUTADOS - Deputados da região, como Thiago Rangel (Avante) e Vitor Junior (PDT), podem ter grande influência na escolha do nome para o mandato-tampão de governador. Thiago e Vitor integram um bloco independente de deputados (AQUI), formado recentemente na Alerj. O Campos 24 Horas confirmou a formação do bloco e a expectativa de que os deputados que o integram tenham papel decisivo na eleição indireta de governador.

FLÁVIO BOLSONARO E RODRIGO AMORIM - Por outro lado, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ignora a preferência de Cláudio Castro por Nicola Miccione e busca emplacar um nome de sua confiança para ser o governador até dezembro. Um dos primeiros da lista é o deputado Rodrigo Amorim (PL), um dos mais influentes parlamentares da Casa, também presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).



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