Agosto Dourado alerta sobre a importância da doação de leite materno

pesar das medidas de isolamento decorrentes da pandemia de coronavírus, as doações dos Bancos de Leite Humano (BHL) da Secretaria de Estado de Saúde (SES) se mantiveram na média de anos anteriores




12/08/2020, 14h22, Foto: Divulgação.


Criadas para reforçar a importância do aleitamento materno e da doação de leite para filhos de mães que não podem amamentar, a campanha Agosto Dourado e a Semana Mundial da Amamentação, comemorada entre 1 e 7 de agosto, são celebradas em um cenário atípico. Apesar das medidas de isolamento decorrentes da pandemia de coronavírus, as doações dos Bancos de Leite Humano (BHL) da Secretaria de Estado de Saúde (SES) se mantiveram na média de anos anteriores. De janeiro a julho, as 408 doadoras do Hospital Estadual da Mulher (HMulher) e as 221 do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN) doaram 458,6 litros de leite, que foram distribuídos para 518 bebês. A marca foi alcançada por causa da estrutura de visita domiciliar ofertada pelas duas unidades, que busca o leite a ser doado na residência das lactantes cadastradas. (leia mais abaixo)


Ao todo, este ano, foram 10.952 atendimentos individuais realizados pelos BLH do HMulher e do HEAPN, sendo 865 visitas domiciliares. Comparando 2019 e 2020, a rede de BLH de todo o estado teve um aumento de cerca de 20% das doações. O secretário de Estado de Saúde, Alex Bousquet, lembra que a doação de leite materno é fundamental para o desenvolvimento de bebês prematuros e imunodeprimidos.


- Independentemente das circunstâncias, bebês que dependem de leite doado não podem esperar. Fazermos a busca ativa pelas doações, mesmo durante a pandemia, foi decisivo para continuarmos a salvar vidas - diz.


Em meio à pandemia de coronavírus, os bancos de leite humano (BLH) de todo o país tiveram um novo desafio com a necessidade de revisão dos protocolos de biossegurança. Mulheres apresentando sintomas gripais ou que tiveram contato com pessoas suspeitas de Covid-19 estiveram impedidas de realizar doações por quinze dias. Além desse reforço de cuidado, cada leite recebido pelos BLH passa ainda pelos processos de higienização e verificação da integridade da embalagem, análise sensorial, controle físico-químico, pasteurização, além de controle de qualidade microbiológica.


Além da coleta externa, os BLH tanto do HEAPN quanto do HMulher, contam ainda com equipes multidisciplinares especializadas em amamentação nos próprios hospitais, que instruem as novas mães sobre como amamentar e auxiliam eventuais dificuldades. As orientações podem ser passadas individualmente ou em grupo, com a organização de palestras.


Amamentação e preservação do planeta


O tema do Agosto Dourado de 2020 é “Apoie o aleitamento materno – por um planeta mais saudável”, definido pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno. O objetivo é evidenciar como a adoção de hábitos alimentares saudáveis, reduzindo o consumo de alimentos industrializados, ajuda a diminuir os danos das grandes indústrias ao meio ambiente. Parte dessa conscientização, ou seja, mães que conseguem manter a amamentação exclusiva de seus bebês - não fazendo uso de fórmula ou complementos industrializados -, contribuem para o desenvolvimento sustentável.


Como ser uma doadora


Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno. Para doar, basta ser saudável, sem sintomas de infecções, e não tomar medicamento que interfira na amamentação. O leite extraído deve ser armazenado em potes de vidro com tampa plástica e pode ficar no freezer ou no congelador por até 10 dias. Não há uma quantidade mínima para ser doada e a mulher pode realizar o procedimento quantas vezes quiser em sua fase de amamentação. É importante saber que a cada litro, até 10 bebês internados são beneficiados.


As doações podem ser feitas nos BLH ou nos postos de coleta da sua cidade. Alguns BLH oferecem o serviço de visita domiciliar, que buscam a doação na casa da doadora. Os Bancos, além de ceder os recipientes para a doação, instruem sobre o manejo correto e sobre cuidados que as lactantes devem ter ao coletar o leite, e procedimentos pré e pós-coleta. Para mais informações, acesse https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs ou ligue para o Disque 136.  


Quem não é lactante e quiser integrar dessa corrente do bem, pode participar entregando nos BLH os recipientes para armazenamento do leite materno: frascos de vidro com tampa plástica.


Benefícios da amamentação


A amamentação materna na primeira infância é essencial à saúde dos bebês, e é recomendado que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de idade. Além de hidratar, nutrir e sustentar, o leite materno reduz em até 20% a mortalidade dos recém-nascidos. A composição do leite materno é perfeita para o desenvolvimento sadio das crianças, além de ajudar na prevenção de doenças e infecções. Estudos afirmam, inclusive, que a ingestão do leite humano nos primeiros meses de vida tem efeitos benéficos para a nossa saúde que nos acompanham da infância à vida adulta.


Vale ressaltar que o Brasil é o país com a rede mais extensa de BLH do mundo, possuindo mais de 200 unidades, sendo 17 bancos de leite e oito postos de coleta no estado do Rio de Janeiro. Os BHL são unidades de apoio e acolhimento para muitas mães. Eles incentivam o aleitamento materno, dão suporte às mulheres com dificuldades na amamentação, cumprem a notável missão de atender bebês prematuros internados em UTIs Neonatal, além de contar com uma equipe de profissionais que dão o suporte necessário a mães e bebês atendidos na rede.