Agentes de segurança invadem Alerj em protesto contra cortes de Pezão

Aos gritos de “a casa é nossa”, os servidores entraram no plenário da Casa


08/11/2016       15h10       |    Foto: Divulgação  servdiores-no-rioAgentes das forças de segurança pública do Rio de Janeiro invadiram a Alerj (Assembleia legislativa do Rio) durante manifestação contra o pacote de medidas de austeridade proposto pelo Governo do Estado nesta terça-feira (8). Cerca de 200 manifestantes entraram sem encontrar resistência --apenas sete policiais militares guardavam a entrada do edifício, mas não houve confronto. Aos gritos de "a casa é nossa", os servidores entraram no plenário da Casa e agora devem decidir o futuro da manifestação. Policiais militares e civis, integrantes do Corpo de Bombeiros, além de agentes penitenciários e do Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) se mobilizaram contra o plano enviado ao Legislativo estadual na última sexta (4) --composto de 22 de projetos de lei, entre eles iniciativas impopulares como a elevação da contribuição previdenciária de servidores ativos, inativos e pensionistas para 30% dos salários. O grupo pleiteia desde o arquivamento das propostas ao impeachment do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e à intervenção federal no Estado. Os servidores públicos falaram também na possibilidade de deflagrarem greve caso as medidas sejam aprovadas pela Alerj. "Cada um de nós é um Tiranossauro rex. Não vai ter essa história de pacificação. Se mexer no meu salário, vai dar ruim", disse um policial militar, do alto de um carro de som, ouvindo aplausos e gritos. "Quem encara bandido de fuzil não tem medo de bandido de terno", completou outro, também ovacionado. A segurança da Alerj pediu reforço de policiais do Batalhão de Choque para reforçar o trabalho de dezenas de policiais militares que faziam a segurança e impediam a entrada dos manifestantes no Palácio Tiradentes. Os participantes do ato se dirigiram aos colegas em serviço dizendo que não haveria "guerra" e que eles deveriam "virar de costas". O comandante de um grupamento foi visto pedindo calma aos colegas que protestavam. Em outra fala do carro de som, um manifestante declarou que "se sacanearem a polícia, não vai ter Réveillon". Outro chamou o ato de "queda da Bastilha moderna", em referência ao marco histórico da Revolução Francesa, em 1789. Participantes do protesto exibiam faixas com frases como "servidores não pagarão o pato" e "juntos somos fortes: policiais e bombeiros sem respeito = Rio sem segurança". Viúva de um policial militar, a pensionista Patrícia Navega, 42, levou um banner com a foto e um pedido de "socorro" ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato. "O Governo do RJ quer matar a Segurança Pública com o pacote da maldade! Não vamos pagar a conta de um governo incompetente! Basta de covardia e impunidade! Impeachment já!", dizia o cartaz. "Estamos sendo humilhados. A pensão está atrasando há meses e já estou com várias restrições no CPF. A gente vive na instabilidade, pagando contas com juros", disse Patrícia, que disse que precisar "de um juiz que faça uma 'lava-jato' nesse governo imundo".    



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