Aedes Aegypti, Anopheles, roedores, cavalos, cães e gatos – Esse é o dia a dia do CCZ

Campos 24 Horas ENTREVISTA o novo diretor do CCZ, Eufrázio Lisboa dos Santos


24/04/2016    06h18    |    Foto: Campos 24 Horas Eufrazio (5)Postado por: Fabiano Venancio As ações de combate a dengue em Campos ganharam “sangue novo” com a chegada de 371 novos agentes para o Centro de Controle de Zoonozes (CCZ), aprovados no último processo seletivo (foram chamados 430 + 16 portadores de necessidades especiais e, destes, 371 passaram no exame médico). As ações de combate ao mosquito aedes aegypti não param, com cerca de 7 mil e 250 imóveis visitados por dia, levando-se em conta que cada agente visita uma média de 20 imóveis/dia. Além dos aprovados no processo seletivo, o CCz conta, ainda, com outros servidores, oriundos do Ministério da Saúde, antiga Funasa. O novo diretor do CCZ, Eufrázio Lisboa dos Santos, embora tenha assumido o cargo há poucos dias (o anterior se afastou para concorrer às próximas eleições), já é um velho conhecido do órgão onde atua desde 2004, tendo criado o Programa de Controle de Roedores, além de ter sido coordenador municipal do controle à dengue, gerente técnico, entre outras atividades. Eufrázio, que é formado em Ciências Biológicas, funcionário de carreira do Ministério da Saúde há 39 anos, servidor da antiga Sucam, alerta que a população pode entrar em contato com o CCZ para denúncias diversas pelo 0800-2828822. entrevistaEufrazio (2)Campos 24 Horas – O trabalho no CCZ não se resume ao combate à dengue. Mesmo com a crise, está tudo funcionando? Eufrázio Lisboa – Tudo. Alguns setores e serviços estão sendo reestruturados, mas em andamento. Aqui não existe só trabalho ligado à dengue, temos Departamento de Zoonoses (curral, canil e Fica Vivo), Setor para Solo, Setor para Ar, Setor para Peçonhentos, Setor para Roedores, Setor para Leishmaniose, Setor para Malária, Setor de Informação, Educação e Comunicação, Setor para Trabalho com Recicláveis, Laboratório de Entomologia, Laboratório de Patologia com Hematologia e Parasitologia, entre tantos outros. C24H – Mas o carro chefe no CCZ ainda é a dengue, certo? Eufrázio – Com certeza, sendo também o mais visto e reconhecido pela população. Como já falei, os agentes visitam cerca de 7 mil 250 imóveis/dia, considerando que cada um faz, em média, 20 visitas/dia. No próximo dia 1º vamos começar o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes Aegypti (LIRAa), que mostra, mais ou menos, onde tem maior índice de infestação para o aedes. Mas o LIRAa não é um indicativo fechado, porque esse resultado por mudar, é uma amostragem do momento, já que se chover, por exemplo, aquele local que não apresentava índice pode apresentar. Aí temos que ter muito cuidado para não direcionarmos a ação de forma errada. C24H – Em todo o país, a dengue ainda é um problema de educação. O que o CCZ faz neste sentido? Eufrázio – Nos agentes são treinados também neste sentido. Eles não apenas atuam colocando o veneno, mas orientando e conversando os proprietários quando encontram focos do mosquito e falando da importância de não acumular objetos que venham servir de criadouros. Têm também os mutirões que estão sendo realizados às sextas-feiras em todo o município, coordenados pelo vice-Prefeito Doutor Chicão, que reúnem várias secretarias, como a de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (ex-Secretaria de Obras), entre outras. Eufrazio (6)C24H – A população reclama muito a falta de carro fumacê nas ruas. Porque isso? Enfrázio – A carro fumacê tem que ser usado de forma técnica, porque existe fiscalização de órgãos ambientais. Isso quer dizer que não podemos sair com carros fumacês pelas ruas de qualquer maneira, porque tem legislação neste sentido e aquela fumaça não mata somente o mosquito, mas também insetos como a joaninha, entre outros. Ele é utilizado somente em casos de vírus circulante e com índice de infestação alto. O CCZ tem oito carros fumacês e, diga-se de passagem, os melhores do mercado em termos de bombas aspersoras e outras tecnologias. C24H – Animal solto em vias públicas também é outro motivo de reclamação da população... Eufrázio – O caminhão que recolhe animais quebrou e vai ficar pronto dentro de poucos dias, mas, mesmo assim, o CCZ continua recebendo animais soltos, que são recolhidos por outros órgãos, como por exemplo, a Auto Pista Fluminense. Para você ter uma ideia, chega aqui, diariamente, de 20 a 30 animais, a maioria cavalos. Eles são examinados e chipados, devendo ficar no curral três dias, no máximo. A partir do quarto dia o proprietário perde o direito ao animal que, por sua vez, é levado a leilão quando atingir uma quantidade mínima de 30 animais, além de peso ideal. Sem contar que quem tem animal apreendido paga multa e diária do curral de R$ 100. O CCZ atua neste caso a partir de denúncias. Eufrazio (4)C24H – Também através de denúncias o CCZ atua no combate a roedores? Eufrázio – Também. Temos 25 agentes para pronto atendimento neste caso, que pode ser comunicado pela população através do 0800 e, a partir daí, se abre um protocolo e agenda a visita ao local. Existem dois tipos de visitas: Técnica com tratamento e técnica sem tratamento. Na visita técnica sem tratamento o agente indica o que deve ser limpo no local, porque muitas vezes a sujeira atrai o roedor e, neste caso, não adianta combater o roedor e o local continuar sujo. Na visita técnica com tratamento é o contrário, local limpo que precisa somente do veneno. Aliás, poucos municípios no país tem esse tipo de programa, porque não tem verba nenhuma de fora, é tudo bancado pelo próprio município. C24H – Ainda dentro deste caso, destaca-se o Mercado Municipal. O trabalho de combate a roedor lá é mais complicado? Eufrázio – Olha eu já estive lá com minha equipe, acompanhado do presidente da Codemca, Wainer Teixeira. O problema no Mercado Municipal ainda é o acondicionamento de frutas, verduras e legumes embaixo das bancas, dia e noite, sem parar. A gente não pode fechar o Mercado para realizar um trabalho intenso, os próprios feirantes não deixam, porque isso gera prejuízo para inúmeras famílias que vivem dali seus sustentos. Mas, mesmo assim, o CCZ mantém no local, direto, dois agentes de endemias, inclusive colocando veneno. Sem falar no trabalho da Superintendência de Limpeza Ambiental de limpeza constante naquela área. Eufrazio (9)Campos24Horas - No início da entrevista você falou em um setor do CCZ que eu não conhecia: De criação irregular... Eufrázio – Sim, são animais que sofrem maus tratos ou que estão em locais proibidos. A população pode denunciar também pelo 0800 que já falamos. O proprietário é orientado e, se não adiantar, ele é intimado. E quem tem mais de 10 cães ou 10 gatos em casa, tem que registrar como canil ou gatil.



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