Acidentes: Brasil gasta R$ 40 bi por ano

O Brasil perdeu 8.227 vidas e R$ 12,3 bilhões em 2014


23/09/2015   às 10h55   -   Foto: Campos 24 Horas acidente241O Brasil perdeu 8.227 vidas e R$ 12,3 bilhões em 2014 em razão dos 169 mil acidentes registrados nas rodovias federais. Estima-se que, somados aos acidentes nas estradas estaduais e municipais, o prejuízo total gire em torno de R$ 40 bilhões. A cifra é superior ao que é gasto pelo poder público com a melhoria da infraestrutura rodoviária e com campanhas educativas de trânsito. As conclusões são do relatório "Acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras", do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feito a partir de dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O Ipea comparou as perdas do ano passado com as ocorridas em 2007 e 2010. Em valores corrigidos para o ano de 2014, os acidentes e mortes nas estradas federais provocaram um prejuízo de R$ 9,1 bilhões em 2007 e de R$ 13 bilhões em 2010. Ou seja, depois de ter aumentado bastante, o valor voltou a cair, mas ainda está acima do observado há oito anos. O índice de acidentes e mortes, quando levada em conta o aumento da frota brasileira, está em queda. "Vale ressaltar que, em função da redução do volume de acidentes e acidentes graves, principalmente, o custo total caiu entre os anos de 2010 e 2014, mesmo com o crescimento da frota de veículos no período. Isso pode indicar o sucesso de medidas de redução de acidentes nas rodovias federais, como a concentração das operações da polícia nos trechos críticos e melhorias da infraestrutura e equipamentos de controle de velocidade. De qualquer forma, quando comparado com meados da década passada, os custos são muito maiores em função do aumento de todos os seus componentes. Isso significa que, mesmo com resultados positivos nos últimos quatro anos, há muito que avançar no país para se reduzirem os acidentes de trânsito nas rodovias federais", diz trecho do relatório. Os prejuízos foram calculados a partir de metodologia que já tinha sido desenvolvida pelo Ipea, pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Ao todo, 64,7% do valor das perdas se referem às vítimas, o que inclui desde cuidados com a saúde e despesas hospitalares até a perda da capacidade produtiva. Outros 34,7% têm relação com danos aos veículos e às cargas transportadas. Por fim, 0,5% diz respeito a danos a propriedades públicas e privadas. Individualmente, a perda da capacidade produtiva, quando, por exemplo, a pessoa está afastada do trabalho em razão do acidente, responde por 43% dos prejuízos. Em seguida vêm o dano veicular (32%) e os custos hospitalares (20%). Em média cada acidente custa R$ 72,705,31. Quando resulta em morte, o prejuízo chega a R$ 646.762,94. Os acidentes fatais são apenas 4% de todos que ocorrem, mas representam mais de 35% das perdas monetárias. Os acidentes com feridos e sem mortos são 37% do total de ocorrências. MUDANÇAS NO NÚMERO DE MORTES NAS ESTRADAS O número de mortes nas estradas federais brasileiras cresceu 34,5% nos últimos dez anos, enquanto a quantidade de feridos e acidentes se elevou 50% e 50,3% respectivamente. Quando levado em conta o aumento da quantidade de veículos em circulação no Brasil, houve, proporcionalmente, uma queda nos óbitos. Isso ocorreu porque o número de mortes cresceu num ritmo menor que o da frota nacional. Desde 2003, a quantidade de veículos subiu 136,5%, sendo 102,6% no caso dos automóveis e 269,8% no caso das motocicletas. Nos últimos dez anos, o índice de mortes caiu 39%, passando de 155,9 casos para cada 1 milhão de veículos em 2004 para 95 em 2014. Mas o relatório cita a meta da Organização da Mundial da Saúde (OMS) de reduzir em 50% o número de mortes até 2020 para dizer que é preciso fazer mais. "Mesmo caindo entre 2010 e 2014, os números absolutos e por frota precisam cair muito mais, considerando-se as metas globais estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)", diz parte do relatório. Em 2014, 8.227 pessoas morreram, enquanto outras 100.810 se feriram, das quais 26 mil com gravidade. Ao todo, foram 169.163 acidentes envolvendo 301.351 veículos. De cada três acidentes que resultaram em morte, dois ocorreram na zona rural. Além disso, um em cada três foram provocados por desatenção do motorista. O maior número de acidentes e mortos, com 21.858 e 1.162 casos respectivamente, foi em Minas Gerais, estado com a maior malha rodoviária federal do país. Proporcionalmente, quando levado em conta o tamanho da malha rodoviária federal, os estados com mais feridos e mortes são os do Sul e Sudeste, com exceção do Rio Grande do Sul. O Rio de Janeiro, por exemplo, possui 1.542,5 km de rodovias federais, ou 2,2% dos 71 mil km que há em todo o país, mas responde por 9% dos acidentes e 7% das mortes. "Como se tratam dos estados com maior produto interno bruto (PIB), localizados no Sul e Sudeste, regiões que concentram a maior parte das riquezas do país, há também a maior geração de viagens e a maior quantidade de veículos motorizados, o que vem refletir no volume de tráfego e de acidentes", diz o relatório. Há mais acidentes com carros, mas as motos são mais letais. Elas representam 18% dos acidentes, mas 30% das mortes e 40% dos feridos com lesões graves. Somente o Nordeste, onde o número de motocicletas cresceu 414% nos últimos dez anos, representa 44% dos óbitos envolvendo esse tipo de veículo. Acidentes com ônibus e caminhões também costumam ser mais letais que aqueles envolvendo carros. As colisões frontais, que ocorrem por exemplo durante as ultrapassagens em pistas simples, são apenas 4,1% dos acidentes, mas representam 33,7% das mortes. Em seguida vem o atropelamento de pessoas, que ocorrem principalmente durante à noite nos trechos urbanos das rodovias e são responsáveis por 14,6% dos óbitos. A colisão traseira é a principal causa de acidentes, com 29,2% dos casos, mas provoca 8,4% das mortes. O relatório aponta que os trechos mais perigosos das rodovias federais estão, em geral, nos trechos urbanos. É o caso da BR-116 em Fortaleza. Em um trecho de 10 km que passa pela cidade, houve 15 mortes, mais que em qualquer outro local do país. Destaque negativo também para a BR-101 no Recife, com 13 óbitos, para outro trecho da mesma rodovia em Serra, na Região Metropolitana de Vitória, com 11 mortes, e para a BR-222, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, também com 11 óbitos. O relatório diz ainda que, das 136 rodovias federais fiscalizadas pela PRF, houve acidentes em 109. Informa também que houve 354 acidentes em 2014 envolvendo transporte de produtos perigosos, resultando em 21 mortes. Quando considerados todos os acidentes de trânsitos no Brasil, segundo dados do Datasus do Ministério da Saúde, são 43 mil mortes por ano. O estudo recomenda a intensificação das políticas públicas que têm por objetivo reduzir o número de acidentes e sua letalidade. Isso inclui: ações de educação no trânsito; melhorias na infraestrutura e sinalização das vias, inclusive com duplicação de estradas; o uso de radares para controlar a velocidade dos veículos; a implantação efetiva de programas de inspeção veicular; a adoção de padrões de segurança semelhantes aos que existem nos veículos dos países desenvolvidos; e o debate sobre a proibição de os motociclistas circularem em "corredores", ou seja, por entre os carros. O relatório também critica a impunidade de motoristas que provocam acidentes e a falta de fiscalização nas rodovias estaduais.



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