A transformação como necessidade para sair do atoleiro
Atualizado em: segunda-feira, 26 de maio de 2014 - Foto: Campos 24 Horas
Entrevista / Jorge Luiz Pereira dos Santos_________________
Presidente da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares
Quando a pessoa recebe um convite para determinado cargo, diferente da profissão de exerce, não imagina que vai acabar, sem querer, usando as teorias do seu ofício, dentro da nova atividade. Foi assim que aconteceu com o jornalista de 30 anos de estrada e com passagem por quase todos os veículos de comunicação da cidade, Jorge Luiz Pereira dos Santos, quando convidado para assumir a então Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, hoje Superintendência Municipal de Igualdade Racial, cargo de gestor que está até hoje. Quando assumiu o órgão do
governo anterior ao da Rosinha Garotinho, Jorge Luiz se espantou com a desordem, falta de documentação, entre outros problemas muito mais graves, que tiveram que ser checados e ouvidas as partes, um procedimento de praxe usado no jornalismo.
Foi aí que se descobriu, segundo Jorge Luiz, shows superfaturados e outros que, sequer, foram realizados. E o pior, assinaturas de artistas forjadas, como se eles tivessem recebido por apresentação que nem tiveram conhecimento. Tudo isso comprovado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e encaminhado ao Ministério Público para as providências. O gestor se orgulha de, passado esse período que classifica de crime contra o poder público, ter sanado as dívidas e colocado a casa em ordem, razão de hoje a Superintendência contabilizar (2009/2013), cerca de 1.400 alunos do curso Pre-Vest aprovados nas universidades, mais de 500 nos cursos preparatórios para o IFF, além de centenas de alunos de cursos preparatórios para a Polícia Militar, inglês e outros.
Campos 24 Horas – Vamos começar falando da extinção da Fundação Zumbi dos Palmares. Teve prejuízo nesta transformação para Superintendência?
Jorge Luiz – Não, pelo contrário, passamos a ter mais atribuições e participação nas diversas ações culturais, como Carnaval, bienal, Semana do Folclore e outras, inclusive, com participação ativa nas ações da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. E também foram mantidos os cursos e até criados outros de maior abrangência, como preparatório para concursos, universidade e curso de línguas.
Campos 24H – Mas e o trabalho voltado ao negro? Como fica?
Jorge Luiz – Estamos trabalhando da mesma forma. Temos ações afirmativas, como os cursos, por exemplo, além de participarmos do Conselho Municipal de Igualdade Racial, trabalhar as comunidades quilombolas, inclusive, com abertura de núcleo de atendimento e desenvolvimento de ações no Imbé, envolvendo as comunidades próximas, como Batatal, Cambucá e Aleluia. Além disso, atuamos na área de pesquisa e já estamos até com alguns livros para serem lançados. Também temos um CD de samba enredo pronto para lançamento, ou seja, continuamos trabalhando normalmente.
Campos 24H– E quais são, de fato, as ações desenvolvidas pela Superintendência?
Jorge Luiz – Desenvolvemos cursos, entre eles, preparatório para vestibular (Prevest), preparatório para o IFF (Pre-IFF), preparatório para concursos, preparatório para o primeiro emprego, além de curso de inglês, culinária, curso de jurado de carnaval e oficinas de carnaval. Também estamos presentes nas comunidades, como Tira Gosto e Baleeira, com aulas de teatro, música, dança, judô, karatê e curso de reforço escolar, alguns destes também desenvolvidos na sede da Superintendência, na rua Aquidaban. Temos ainda ações no núcleo do Imbé, que já falei acima, onde desenvolvemos cursos também.
Campos 24H– É por isso que você começou falando em “um novo tempo” no órgão?
Jorge Luiz– Com certeza. Hoje a Superitendência é um órgão vivo, por lá passam cerca de 1.200 pessoas que frequentam os cursos desenvolvidos. As coisas lá acontecem, não ficam só no papel. E as pessoas que quiserem comprovar, podem ir para ver. Funcionamos de 7h30 às 22h30, de segunda à sexta-feira, além dos sábados, até o meio dia.
Campos 24H– Você entrou na Fundação no início do governo e começou denunciando. Hoje não e fala mais nisso...
Jorge Luiz– Agora tudo isso, depois de comprovado, está em outra esfera, a da Justiça. Todo o procedimento adotado na época foi orientado pela Procuradoria Geral do Município, dentro dos procedimentos de praxe. Tudo foi encaminhado ao Tribunal de Contas, que esteve aqui e constatou as irregularidades e, em seguida, enviado ao Ministério Público e a Polícia Civil, porque são casos de polícia mesmo. Esperamos que seja feita justiça e as pessoas chamadas para explicações.
Campos 24H– Pode citar alguns casos levantados?
Jorge Luiz– Para você ter uma ideia, foram mais de 100 shows e eventos que apresentaram problemas. Muitos shows também superfaturados e o que é pior, outros que nem foram realizados. E nós tivemos o cuidado de ligar para os escritórios dos artistas e alguns enviaram documento provando que, sequer, estiveram em Campos naquele período. Como se diz no jornalismo, checamos as informações. O caso mais crítico foi comprovado pela dupla de cantores Tony Távio e Rael, que nunca foi contratada pela Fundação Zumbi e num processo que apareceu por lá, teve a assinatura falsificada, o que foi comprovado pelos próprios artistas. Sem falar em convênios feitos de forma irregular com instituições para projetos que não foram realizados, tudo para lesar os cofres públicos. Uma verdadeira bagunça...
Campos 24H– Fora isso que você está afirmando, tinha mais problemas?
Jorge Luiz– Quando falo em bagunça, falo em problemas. Os próprios auditores do TCE perguntaram como um órgão funciona daquela maneira, sem livro contábil, sem nada. Até o talão de cheque do órgão vivia na mão dos outros. E por conta disso, até hoje ainda tenho que responder questionamentos da Justiça, até de fatos de 2002, 2004, 2006 e por aí vai. E eu te pergunto: Como vou responder, se encontrei tudo desta maneira, sem registro nenhum?
Campos 24H– Além destes cursos todos, tem novidades para surgir na Superintendência?
Jorge Luiz – A partir de julho vamos incrementar todas essas ações que eu citei e criar o curso de espanhol, que está sendo também muito pedido pela população, levando-se em conta que já temos o de inglês e é um sucesso, com adesão grande, principalmente por aqueles que não têm condições de pagar um curso de qualidade. E trabalhamos com o diálogo, de forma democrática. Caso alguém tenha alguma sugestão, estamos abertos a conversa.
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Postado por Fabiano Venancio