Humanidade em 'parafuso': Psicólogos de Campos e o aumento por atendimento

Terapia para resolver problemas dentro e fora de casa em tempos de pandemia


  • 17/07/2021, 00h20, Foto: Reprodução/Instagram.

O medo, o pânico, o luto, o isolamento, as perdas e as incertezas irromperam abruptamente no cotidiano coletivo da humanidade desde a instalação da pandemia da Covid 19, interferindo na saúde mental de modo a potencializar e agravar as fragilidades humanas. Dentro deste contexto, nunca em tempo algum, profissionais que cuidam da saúde mental foram tão requisitados. Os psicólogos Luiz Antônio Cosmelli e Luciane Mina falaram ao Campos 24 Horas sobre o atual momento em que há um aumento na busca por terapias para solução de problemas e de autoconhecimento.

— Quem trabalha com saúde mental não para e continua se desdobrando para dar conta. A sobrecarga tem sido enorme. E não será diferente adiante porque a vida e o mundo não serão mais os mesmos — admite o psicólogo Luiz Antônio Cosmelli. (Leia mais abaixo)

Para Cosmelli a pandemia levou a humanidade a um momento desafiador, porém com algumas peculiaridades no Brasil. “Mas por aqui o problema foi agravado por uma disputa política, com informações desencontradas e pelo negacionismo”, constata. 

— Houve um misto de tudo, uma disputa entre quem vacina de mais ou de menos, ou entre quem toma remédio e quem não toma. Nossas lideranças na política e na própria saúde proferiram declarações desencontradas que só confundiram e mexeram com a estrutura emocional das pessoas.  Quem já estava com medo passou a desenvolver também uma ansiedade, entre outros males, agravada por estar entregue à própria sorte com esta desorganização — afirmou.

No plano individual, os problemas se potencializaram. “O indivíduo que já carregava um problema teve um agravamento. Quem estava com ansiedade ficou super ansioso. Quem estava com depressão se tornou ainda mais depressivo. Quem já era agressivo ficou mais violento com o aumento do estresse e de conflitos familiares. Com o isolamento social, tantas pessoas dentro de casa mais tempo isso gerou um aumento dos conflitos familiares”, assinalou. 

A pandemia cumpriu várias etapas e formas diferentes, avalia ainda Cosmelli. “Primeiro, como era algo desconhecido, as pessoas ficaram entre a descrença e o medo. Depois, quando a pandemia se instalou, vieram as mortes e houve um choque de realidade, quando as pessoas entraram em estado de pânico. Num outro momento tiveram que apreender a lidar com as perdas e o luto”, enumerou.  

A Covid 19 também não poupa faixas etárias. “Houve adolescente querendo se cortar ou morrer. As crianças ou adolescentes vivem um momento desafiador em suas restrições quanto à sociabilidade com essas aulas remotas. Tem idoso que entrou em pânico, já não suportando o longo período de isolamento e muitas vezes a intolerância com a invasão do seu espaço que ficou mais confinado com aglomerações em casa”, observou ainda.  (Leia mais abaixo)

A avalanche de pedidos de divórcios marcaram a pandemia. “Neste período de pandemia também houve a constatação do quanto certos vínculos e determinadas relações eram tão frágeis, assim como também aumentou índice de alcoolismo e violência doméstica”, contatou.

Quais as lições que trouxe este período da Covid 19? A proliferação de festas clandestinas e a intolerância marcaram este período de pandemia. “A conclusão a que chegamos é que vivemos uma sociedade doente. Havendo meios de nos livrarmos da doença e da morte, muitas pessoas buscaram meios de se contaminar. As pessoas não conhecem limites. Se não temos limites, não respeitamos regras e leis, como convivermos em sociedade minimamente civilizada. E não é só no Brasil, embora aqui a situação beira ao absurdo com tantas mortes que poderiam ter sido evitadas”, analisa.

A também psicóloga Luciane Mina comenta que a pandemia trouxe reflexões sobre o cotidiano e tornou-se um divisor de águas. Ele admite durante a pandemia as diferentes terapias complementares tem sido muito procuradas neste período.  “Essas terapias vem ganhando força e demanda neste período. Muitas pessoas perceberam que o casamento não estava bom e ficou pior,  se deram conta de que chegaram ao limite. Situações que antes eram contornáveis, na pandemia com todo mundo em casa juntos por muitas horas, se tornaram insustentáveis. Outros concluíram que a resistência física não estava boa, e era preciso se cuidar mais porque a vida é curta. As pessoas passaram a tomar decisões sobre situações antes contornáveis, mas que passaram a não ser mais”.

— As pessoas se viram meio que obrigadas a se depararem com suas limitações individuais, espirituais e em suas crenças. Há um novo panorama que antes muitos não queriam admitir como relevante em suas vidas, mas que se tornou realidade. Passaram a reconhecer e ter conhecimento de suas fragilidades”, pontuou.

A situação das crianças na pandemia tornou-se preocupante. “Sem escola, sem o contato com os amigos, sem espaço para brincar, sem sociabilidade, as crianças que possuem uma estrutura familiar atravessam a pandemia de forma menos tortuosa. Mas aquelas que tem sérios problemas na vida doméstica e familiar estão sofrendo muito mais”, admite Luciane Mina.  (Leia mais abaixo)



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