domingo, 10 de maio de 2015 - Foto: Campos24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Não importa se o município apresenta, no momento, índice de infestação do mosquito aedes aegypti dentro de um patamar considerado de médio risco (2,6%), de acordo com Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes Aegypti (LIRAa), o mapeamento do Ministério da Saúde (MS). Um sinal de alerta, levando-se em consideração que o índice de médio risco varia de 1% a 3% e, acima de 3%, alto risco.
Mas, estatísticas à parte, a ordem é continuar na “guerra” contra o mosquito que, somente nestes cinco primeiros meses deste ano atingiu cerca de 500 pessoas, ao contrário do ano passado que, no mesmo período, atingiu 55. Entre os casos atuais, muitos deles são “importados”, ou seja, de pessoas de outras cidades, como São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, São Fidélis, Cardoso Moreira, entre outras.
Na frente desta batalha está o veterinário com mestrado e doutorado em Medicina Veterinária, além de pós-graduação em vigilância sanitária, César Palma de Salles Ferreira, diretor do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ). Para César, além de toda a estrutura que o governo municipal dispõe nesta área, tanto de pessoal quanto de tecnologia, ainda é muito importante a participação da sociedade.
Confira a entrevista:
Campos 24 Horas – Em vários pontos do município têm surgido revoadas de mosquitos. São mosquitos da dengue?
César Salles – Não. O fenômeno de excesso de mosquito, essa revoada, é de cúlex, um pernilongo que não é transmissor da dengue. Por isso, neste caso, não existe índice de periculosidade ou excesso de transmissão da doença.
C24H – Você falou em números de casos e os “importados”. Porque tantos de outros municípios?
César – Primeiro, porque Campos faz um trabalho muito severo de combate ao mosquito aedes aegypti. Depois, porque existe aqui em Centro de Referência da Dengue (CRD) que em outras cidades não tem e os pacientes acabam vindo se tratar aqui. E nós não fazemos distinção se o paciente é de Campos ou de outro município.
C24H – Esse índice que nos coloca dentro do patamar de médio risco assusta. E como ficam as ações?
César – O índice de transmissão e de casos não solicita fazer nada fora da rotina, porque o ano todo o trabalho é intenso no combate ao mosquito. Estamos trabalhando com carro fumacê normalmente, além do trabalho de homens nas ruas. E também continuamos a fazer mutirões e, para se ter ideia, já foram realizados sete, só este ano. Nossa preocupação maior agora é com a localidade de Tocos, onde será o próximo mutirão.
C24H – Mas porque a preocupação com Tocos?
César – O índice de transmissão em Tocos está grande. Por conta da seca houve acúmulo de água em tonéis, o que serviu para criadouro do mosquito da dengue. Hoje, em cada 10 casos apresentados, pelo menos três são de pacientes de Tocos ou redondezas. Daí a necessidade de intensificar o trabalho na localidade.
C24H – A população tem reclamado que vê pouco carro fumacê circulando na cidade. Por que isso?
César – As pessoas têm pedido muito mesmo carro fumacê nas ruas, principalmente com essa revoada de cúlex que já falamos. Acontece que esse carro é controlado pelos órgãos ambientais e não pode sair circulando e jogando veneno onde não tem índice de infestação do mosquito para isso. O fumacê pode até matar o culex, mas não é para isso, é para aedes aegypti.
C24H – Vamos falar de outro problema: roedores. É outro problema...
César – De fato. E aumenta o número de roedores, principalmente quando começa a esfriar, como agora. Mas também não temos nenhum caso registrado de leptospirose. Neste caso é preciso que a população se conscientize sobre a limpeza em seus quintais e nas ruas, não acumulando comida e água, mistura ideal para a proliferação de ratos. Nem mesmo sobra de ração de animal deve se manter nestes locais, porque também é comida para eles. O veneno pode ser atrativo para os roedores, mas não é mais do que a comida.
C24H – Animais soltos por aí também é outro problema em Campos...
César – O CCZ trabalha com denúncia e, a partir dela, tem caminhão para recolhimento de animais de grande e médio porte (cavalos, bois, carneiros, porcos e outros) e carrinho para cães e gatos. Os animais chegam aqui, são vacinados, vermifugados e chipados para identificação. No caso dos grandes animais, o proprietário tem até cinco dias para resgate, caso contrário, estes vão para o CCZ Rural, em Itereré, para leilão. Para resgatar eles têm que pagar multa e diária e, se o animal for pego novamente, o proprietário perde a posse. Solicitações podem ser feitas pelo 0800-2828822 ou pelo (22) 2732-3395.
C24H – E os cães e gatos, podem ser recuperados pelos donos?
César – Podem, mas na maioria das vezes, quem deixa um animal assim no meio da rua, é porque não quer mais. Por isso fazemos feiras de adoção para esses animais e este ano já foram feitas três, quando foram doados cerca de 50 animais. Quando chegam aqui são vacinados, vermifugados, castrados e microchipados.