A falta de trabalhadores também afeta comércio de Campos

Campos 24 Horas ouve representantes de entidades do comércio campista e mostra o que leva muitos trabalhadores a rejeitar o emprego com carteira assinada


  • Atualizado em 12/10/2025, 07h33, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - Ao contrário dos seus pais e avós, jovens já rejeitam o modelo de emprego com carteira assinada e muitos deles estão preferindo alternativas como o empreendedorismo, o trabalho freelancer ou a informalidade. Resultado: fenômeno registrado em âmbito nacional no novo mercado de trabalho, a escassez de mão- de-obra em Campos tem afetado o comércio, o setor de serviços e outras atividades econômicas. A reportagem do Campos 24 Horas ouviu o presidente da Fundação Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Marcelo Mérida, e o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Maurício Cabral, além do empresário campista Getúlio Andrade Rodrigues. Eles atribuem a falta de mão de obra a vários fatores no atual mercado do trabalho, entre eles o assistencialismo dos governos.

Maurício Cabral, atribui o problema a vários fatores . "No cenário atual, muitos preferem empreender ou buscar atividades mais flexíveis, priorizando qualidade de vida, autonomia e equilíbrio entre trabalho e o tempo pessoal. Essa mudança de comportamento, somada a desqualificação técnica e tecnológica, tem criado um descompasso entra oferta e a demanda de profissionais, impactando diretamente o desempenho no varejo e das empresas do setor de serviços", avaliou Cabral. (Leia mais abaixo)

Já Marcelo Mérida afirma "as dificuldades atingem trabalhadores que são candidatos a vagas de emprego e têm dificuldade em encontrar colocação no mercado de trabalho, quanto o empregador que não consegue preencher seus quadros de funcionários nas empresas".

A redução das taxas de desempenho, a digitalização acelerada e as novas preferências dos jovens trabalhadores são outras razões, além da falta de qualificação profissional adequada às demandas do mercado, analisou ainda Maurício Cabral.

Mérida considera ainda que o fenômeno tem origem em vários fatores. "São muitos, mas a falta de qualificação e treinamento é uma delas. Hoje, se o empregador quiser ter um funcionário precisa prepara-lo. Ele não vem pronto para trabalhar", disse.

Um importante fator que contribui para o fenômeno da escassez na força de trabalho é o assistencialismo governamental, analisou ainda Mérida.

"É um problema que preocupa agora e no futuro porque o que há hoje é uma cultura do não trabalho. Se uma criança vê seu pai e sua mãe não trabalhar e só viver do assistencialismo, qual vai ser sua mentalidade no futuro?", questionou. (Leia mais abaixo)

Marcelo Mérida pontuou algumas iniciativas para abrir oportunidades de trabalho, sobretudo os jovens.

"Na Fundação CDL temos programas de estágio e outros voltados para o Primeiro Emprego, o Jovem Aprendiz, etc. Há também cursos disponíveis através do Senac/Sesc, assim como no setor público e privado há uma boa ofertas de cursos para diferentes áreas do comércio e do setor de serviços ", acrescenta Marcelo Mérida.

"O Estado deve amparar, sim, uma pessoa de idade que não tem mais como trabalhar e sobreviver. Mas não alguém que tem como exercer uma atividade. É preciso antes de tudo qualificar as pessoas. Mas essas pessoas tanto vivem do assistencialismo do governo federal como dos governos estaduais e municipais".

Fundador e um dos gestores de uma fábrica de confecções que conta com uma rede de lojas em Campos e outras cinco cidades, o empresário Getúlio Andrade Rodrigues busca abastecer seu estoques com a produção e o concurso de profissionais de outras cidades como Petrópolis, Muriaé e Patrocínio de Muriaé.

"O restante, nós completamos com faccionistas (costureiras) daqui de Campos mesmo". A rede de lojas da Le Lion, sua marca, não encontra dificuldade em preencher seus quadros. Mas se perder um funcionário-chave de uma das lojas, Getúlio admite que terá dificuldade em substituí-lo". (Leia mais abaixo)

"Encontrar uma funcionária ou funcionário pronto é difícil, coisa rara. É preciso treinamento. E antes, o candidato ao emprego trazia referências. Hoje não há mais isso exatamente devido à escassez de gente pronta pra trabalhar no mercado".

As empresas e entidades têm buscado enfrentar o problema com eventos como a Feira da Empregabilidade que ocorreu no ano passado.

O evento contou com processos seletivos, atualização e elaboração de currículos, sorteios de bolsas de estudo para cursos e palestras, além de encaminhamento de pessoas ao mercado de trabalho.



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