Artigo/Suledil: A crise e a enchente


17/10/2015    00h33 Suledil Bernardino capa Suledil Bernardino_______________ (*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria Após o término das eleições gerais do país, em outubro de 2014, a prefeita Rosinha Garotinho reuniu o secretariado, depois de ter tomado conhecimento  da queda do índice da Declan (Declaração Anual do Índice de Participação dos Municípios) da Petrobras, porque teríamos que enfrentar uma grande crise de receitas oriundas de transferências constitucionais e da brutal queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional. De forma prática, a prefeita retirou o orçamento da Câmara, apresentado no mês de agosto, para fazer uma revisão à luz da perspectiva de perdermos R$ 1 bilhão para o exercício deste ano. A sociedade civil organizada de nossa cidade foi chamada para reunião no Comudes (Conselho Municipal para Desenvolvimento Sustentável) para ser informada sobre a crise que se anunciava. Políticos despreparados tentaram vincular a possível crise que, ora se iniciava, à eleição ao Governo do Estado do então deputado Garotinho. Queimaram a língua e, hoje, todo o país está mergulhado em uma crise econômica que afeta quase todos os setores gerando milhares de desempregos, fechamento de diversos estabelecimentos comerciais, refletindo na queda da receita de estados, municípios e União. A figura da enchente todo campista conhece. Quando ela chega, ficamos acompanhando a evolução da subida do rio e, enquanto ele sobe, a água vai se espalhando para os lugares mais baixos, fazendo verdadeiros estragos ao Patrimônio e às pessoas. Vejo que a crise ainda está subindo de volume e se espalhará ainda mais por todos os setores da economia, gerando queda de produção, venda e empregos. O Brasil recebe todos os anos 800 mil pessoas que chegam ao mercado de trabalho. Se está difícil manter o emprego do trabalhador, como dar oportunidade a estes brasileiros que, anualmente, chegam a faixa etária adequada para começarem a trabalhar? É um momento complicado em que a crise e a enchente têm as mesmas dimensões.  



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