Atualizado: domingo, 24 de maio de 2015 - Foto: Campos 24 Horas
A r t i g o
Suledil Bernardino_________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria
O desemprego é uma consequência da queda da atividade econômica decorrente do arrocho fiscal e das altas taxas de juros determinadas pelo Banco Central, através do Copom, com o objetivo de conter o consumo e frear o crescimento da inflação, que ultrapassou a casa de 8% nos últimos 12 meses. Os números divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que as medidas adotadas pelo governo estão contribuindo para um processo recessivo, impróprio para a geração de empregos. A queda no setor privado foi de 1,9% em abril comparado ao mesmo de 2014, o que significa um corte de 219 mil vagas desse tipo nas seis principais regiões metropolitanas do País.
A situação só não está pior porque o setor público garante a estabilidade para o servidor e, mesmo em um momento de crise de receita, está praticamente engessado sem poder interferir na questão de pessoal. É bom lembrar que a Lei de Responsabilidade Fiscal, em vigor no país, permite até mesmo chegar ao ponto de demitir servidores estáveis. Claro, obedecendo as regras da lei, enxugando a máquina pública, em primeiro lugar.
Os atuais prefeitos das mais de cinco mil cidades do país estão em uma situação extremamente crítica porque estão vendo que, com o encerramento do exercício no próximo ano, correm o risco de serem obrigados a demitir funcionários estáveis. A “marolinha” apregoada pelo ex- presidente Lula tornou-se um “tsunami” no colo dos atuais governantes, seja em qualquer uma das esferas: da municipal à federal.
O país é fiscalizado internamente por acordos internacionais que acabam impondo regras ao governo de Brasília sob pena de agravar ainda mais a situação do país. A dívida brasileira interna e externa, para quem não sabe, já ultrapassou a marca de R$ 2,440 trilhões, como disse o economista, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy: Não existe almoço grátis. Alguém tem que pagar a conta. Lamentavelmente, a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco: os trabalhadores estão perdendo seus postos de trabalho e pagando a conta neste momento de crise que o país atravessa.