A Polícia Civil do RJ prendeu nesta nesta terça-feira (21) nove pessoas na Operação Black Hawk, contra pirataria de materiais de cursinhos preparatórios para concursos públicos.
Segundo as investigações, a quadrilha invadia sistemas há pelo menos 20 anos e faturou R$ 15 milhões com a venda de apostilas e videoaulas pirateadas -- vendidas por valores menores. (Leia mais abaixo)
Os prejuízos das empresas cujo conteúdo foi hackeado chegam a R$ 67 milhões.
Presos Alessandro Jesus Cabral, soldado PM; Antonio de Jesus Cabral, irmão de Alessandro e apontado como chefe da quadrilha; Veronica de Jesus Conceição, mãe de Alessandro e Antonio, suspeita de ser laranja; Gilmar de Jesus da Costa; Caio Victor Oliveira dos Santos; Nelson Faria Coelho Junior; Daniel Azeredo dos Santos; Leticia Adele Cardoso Rossmann; Lothar Alberto Rossmann -- apontado como o hacker que invadia páginas de cursos para roubar conteúdo.
A Justiça expediu ainda 19 mandados de busca e apreensão.
Equipes saíram para endereços na capital, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Saquarema, Araruama e nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Borda da Mata.
A Polícia Civil afirma que Lothar possui conhecimentos avançados em Tecnologia da Informação e conseguia até quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos oficiais. (Leia mais abaixo)
Ou seja, conteúdos que eram protegidos por senha e em geral não podiam ser baixados -- apenas vistos -- eram desviados e salvos por Lothar.
As videoaulas roubadas eram armazenadas em uma nuvem própria, onde os cursos eram vendidos para os clientes do site pirata.
Cursos por 10% do valor Segundo as investigações, os cursos preparatórios oficiais custavam entre R$ 500 e R$ 10 mil. A quadrilha os vendia por até 10% desse valor.
A polícia explicou ainda que Antonio usava parentes como laranjas. A mãe, Verônica, e o irmão, Alessandro, eram dois deles.
Discrepância de valores
As investigações chegaram a Alessandro, o irmão PM de Antonio, depois que uma plataforma de compra e venda informou que um dos domicílios bancários vinculados à conta "Concurseiro Paulista" pertenciam ao militar.
Uma quebra de sigilo fiscal e financeiro de Alessandro, expedida pela Justiça, encontrou movimentações de R$ 980 mil entre dezembro de 2013 a janeiro de 2019 -- ou R$ 16 mil por mês. (Leia mais abaixo)
Uma consulta ao Portal da Transparência apontou que o salário do PM era de R$ 3,4 mil -- cerca de um quarto do faturado nas transações.
O inquérito ainda destaca os valores movimentados pela mãe, Veronica. "É assustador perceber que, conforme o Imposto de Renda de 2013, o CPF dela demonstrou ganho líquido de R$ 478 mil em 'operação de bolsas e assemelhados", narra.
"Em nítido contraste, em época próxima, [Veronica] mantinha vínculo empregatício com rendimento anual de R$ 6,7 mil em um salão de cabeleireiros", pontuaram os investigadores.
Fonte: G1