17/07/2016 16h13 | Foto: Divulgação

Depois do Hospital Ferreira Machado, o Hospital Geral de Guarus é o maior hospital público do interior do Estado do Rio e vem sofrendo com a elevação da demanda em função da ausência de serviços nos municípios vizinhos. Com o aumento da demanda vem os problemas naturais, mas pacientes e servidores apontam uma referência comum do HGG: cuidar de todos e salvar vidas.
Funcionários e usuários do Hospital Geral de Guarus, mais conhecido como HGG, utilizaram as redes sociais para se manifestarem em defesa da unidade de saúde. Eles resolveram se manifestar depois que alguns familiares de detectaram a exploração negativa e até injusta de situações que estariam ocorrendo no hospital. O caso mais recente foi de uma mãe que utilizou as redes sociais para “denunciar” que a filha estaria no soro sentada em um banco do hospital. Nas imagens, a criança aparece chorando muito e pedindo o colo da mãe. Vários casos deixam claro que a forma como vem sendo divulgado é tendenciosa, o que vem confundindo a opinião pública. As notícias “seriam injustas” e mostram a exploração da imagem de pacientes, incluindo crianças e idosos. ´
Recentemente, mais duas notícias também foram deturpadas por parte da mídia, conforme depoimentos dos próprios funcionários: primeiro, a exploração da imagem de um idoso, que estaria deitado em um banco na parte externa do hospital, quando ao seu lado havia uma cadeira de rodas, o que a foto que foi veiculada não mostrou, de forma tendenciosa. Depois, a de uma paciente de 22 anos, que já teria chegado sem vida no hospital, e na emergência, e teria sido atendida no chão mesmo, onde os profissionais tentaram realizar um procedimento de “ressuscitação”.
Sobre o caso mais recente, onde uma criança aparece no soro sentada em um banco, chorando porque queria o colo da mãe, a auxiliar de enfermagem Monike Bastos fez um desabafo em sua página no Facebook. “Desculpa o desabafo, mas falar que o hospital deixa criança dormir em cadeira, que morrem no chão...Trabalho lá e vejo a realidade do HGG. O único hospital que não nega atendimento, mesmo não tendo maca, pq a nossa população só é atendida lá, nossos velhinhos só vão para lá. Então lá vai ser “mídia” sempre”.
Ela continua falando sobre a profissão. “Tenho muito orgulho da minha profissão, e digo somos profissionais dedicados, pressionados. A demanda aumenta e junto com isso o fluxo de pacientes também. Ninguém fala quando somos agredidos pelas mães, pelos acompanhantes, por algo que a culpa não é nossa. Estamos em obra e vamos ter mais dignidade o atendimento, mas atendemos dando o nosso melhor. Trabalhamos por amor, pq emergência não é pra qualquer um. Acho que o HGG não merece só críticas, salvamos e cuidamos de inúmeras vidas todos os dias. Pense, reflita!!! Sei que muito ainda têm de ser feito, mas vestimos a camisa do HGG sim".
A profissional encontrou apoio de outras pessoas na rede social. “Verdade Monike Bastos fico indignada quando falam coisas do Hgg e que é mentira. Afinal....aí que todos são atendidos. E tenho muito amor pelo Hgg pois é nossa segunda casa”, disse Rosa Viana. Pacientes também deram apoio. “Eu visto essa camisa como paciente. Eu tenho dificuldade que achem minha veia para exame de sangue. No HGG, tem uma enfermeira, que eu não sei o nome, ela logo acha a veia. Sem demagogia, pois não preciso. A saúde está ruim, mas tem lugar que está muito pior do que aqui”, acrescenta Marlucia Nunes.
Em relação ao caso mais recente, a direção do hospital explica que “a Emergência Pediátrica do HGG tem registrado ultimamente uma média de 200 atendimentos/dia, com aumento de demanda em torno de 30%. Tal aumento ocorre devido ao atendimento a crianças de municípios vizinhos, além da restrição acentuada de atendimento pediátrico na UPA estadual.
As crianças internadas neste hospital encontram-se devidamente acomodadas em leitos pediátricos. As crianças que eventualmente não estejam em leito hospitalar aguardam resultado de exames para alta médica ou para internação em hospitais de referência. As obras da emergência pediátrica encontram-se em andamento, com significativa ampliação da área de atendimento”.