"Morte de professora é problema de ética médica, não de ordem política ou administrativa‏"

O vereador Abdu Neme (PR) fala sobre as circunstâncias da morte de professora


Atualizado em 21/05/2016    13h39   |   Foto: Divulgação e reprodução fotoAbduNemecintia cristinaPostado por: Fabiano Venancio A morte da professora e bacharel em Direito Cintia Cristina Ribeiro Alcino, de 45 anos, no último domingo, no Hospital da Unimed, após ser atendida em outras unidades de saúde do município, está sendo investigado pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj), onde será instaurado um inquérito para que sejam apuradas as responsabilidades. Cintia  tinha sintomas de gripe e morreu com parada cardiorrespiratória.

Segundo o vereador e médico Abdu Neme (PR), é um caso que foge do âmbito político e administrativo, mas de ética médica.  “Se for caso de omissão ou negligência , o Cremerj vai abrir um inquérito. Não tenho conhecimento do episódio para julgar o colega, mas pelo que li e ouvi havia médicos e foi negado atendimento. Lamentavelmente, tem morrido gente aqui, no Estado do Rio e no Brasil como um todo devido ao caos da Saúde, que resulta do seu subfinanciamento”, comentou.

Abdu prenuncia que a situação ainda pode piorar no país com os cortes anunciados pelo governo do presidente interino Michel Temer. (Leia mais abaixo)

“A Saúde está ruim em todo Brasil e deve piorar porque o governo anuncia em que vai cortar mais 20% de um orçamento já precário. A saúde passa por um colapso de financiamento. Só que em Campos, a prefeitura investe 40% do Orçamento na Saúde, quando por lei teria que investir 25%. O problema é que o município tem 500 mil habitantes, mas atende a uma população de 1 milhão de pessoas de toda região”.

O vereador acrescentou ainda que a prefeitura campista ainda complementa a tabela dos valores que o governo envia, que são insuficientes. “Campos está sobrecarregada, segura tudo, todo mundo vem para cá, é uma missão impossível. Vai amenizar quando o Hospital São José, em Goytacazes, entrar em funcionamento ainda este ano”, afirmou ainda.

Por sua vez, o vereador e médico Paulo Hirano (PR) também lamentou a morte de Cintia e concordou que as unidades hospitalares estão sobrecarregadas.

“A dor de uma perda familiar não tem trégua, só o tempo para abrandar. Precisamos saber das causas dessa morte, mas não é por falta de empenho do governo ou de investimentos, já que Campos investe R$ 50% do Orçamento na Saúde. De 2009 para cá, o município passou de 81 para 143 leitos de UTI, mais da metade. Só 16 municípios desse estado tem leitos de UTI. E para onde vem esse pessoal de mais de 70 cidades sem os leitos? para os municípios pólo como Campos.

O vereador disse que concorda com Abdu Neme sobre os cenários que se avizinham na área da Saúde. “Lamento ter que concordar com meu colega, dr. Abdu Neme, mas a situação não é animadora. São recursos cada vez mais escassos para demandas sempre maiores. Estamos, sim,  preocupados com o cenário futuro”, concluiu. (Leia mais abaixo)

Albertinho (PMB) lamentou que vereadores da oposição usem a morte de alguém para capitalizar dividendos políticos num ano eleitoral. O vereador, que integra a Comissão de Defesa da Saúde na Câmara, propôs a instalação de uma força-tarefa que percorrerá os hospitais públicos e filantrópicos, além de postos de urgência e unidades básicas de saúde para atestar de perto a realidade do funcionamento.

“Precisamos ir fazer algo, além de explorar politicamente a morte de alguém. Vamos gastar a sola do sapato junto com a população ver o que está acontecendo. De nada adianta a prefeitura investir se as unidades de saúde não funcionarem bem. Cabe a nós fiscalizarmos”, falou Albertinho.

Paulo Genásio (PSC) pediu que sejam aceleradas as obras do Hospital São José, em Goytacazes, para desafogar os dois hospitais públicos de Campos, além da rede filantrópica. Para o vereador Dayvison Miranda (PSDC) o caso é de extrema gravidade e exige uma resposta das autoridades.



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