30/04/2016 06h29
Suledil Bernadino_____________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria

O Estado Brasileiro vem passando por uma gigantesca crise econômica. A dívida interna do país já ultrapassou a casa dos R$ 2,8 trilhões. Só no mês de março, a dívida teve um crescimento superior a R$ 67 bilhões. O pretenso futuro “presidente” Michel Temer pretende criar uma secretaria para cuidar, especialmente, das privatizações. Tudo leva a crer que os poços de petróleo do pré-sal serão repassados para os “gringos”. Leia-se empresas americanas e outras.
Segundo a imprensa nacional, o novo órgão deve ser chefiado por Moreira Franco, ex-governador do Rio de Janeiro e ex-ministro da Aviação Civil e de Assuntos Estratégicos no governo Dilma Rousseff. Moreira deverá fazer parte do núcleo duro do possível governo do PMDB.
A nova pasta, a ser entregue a Moreira Franco, será responsável por alavancar as concessões previstas de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias, com captação de recursos estimada em mais de R$ 30 bilhões. Também ficará responsável por qualquer outro tipo de privatização ou até mesmo PPPs, mesmo que de outras áreas, como da saúde.
O Brasil deve transferir para o setor privado tudo o que for possível em matéria de infraestrutura, conforme afirma o documento “A Travessia Social”, da Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB.
Mas o que vai assustar o povo não será tanto a questão das privatizações mas, com certeza, a reforma da legislação trabalhista e previdenciária. Isso vai tirar o sono de milhões de brasileiros, que caíram de corpo e alma a favor do impeachment da presidente Dilma, achando que seria a solução para a grave crise econômica que vem destruindo a esperança de um povo sofrido e trabalhador.
No caso da previdência, a idade mínima para aposentadoria saltará de 60 para 65 anos, como forma de reduzir o déficit mensal da previdência com as aposentadorias pelo INSS. Direitos trabalhistas adquiridos nos últimos anos, de estabilidade econômica, amparados por um governo vinculado à chamada esquerda brasileira vão ser alterados, conforme as pressões da Fiesp que apoiou, com as suas filiais em estados brasileiros, as manifestações de rua gritando “Fora Dilma”.
Vamos aguardar os próximos lances da política brasileira e prestar atenção no movimento dos principais atores do futuro governo que, de braços dados, com forças neoliberais, estão articuladas em torno do atual vice-presidente Michel Temer. Os trabalhadores devem ficar atentos e fazer uma leitura minuciosa dos acontecimentos (que vão além do que a imprensa nacional tem mostrado) porque são muitos interesses em jogo.