15/04/2016 09h22 (Atualizado às 14h13) | Foto: Campos 24 Horas/ARQ
(Atualizado às 14h13) - O ex-governador, presidente regional do PR e secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho, confirmou nesta sexta-feira(15), através de postagem em seu blog, que a deputada federal Clarissa Garotinho (PR), entrou, na Câmara, com um pedido de licença maternidade de 120 dias. Por consequência, não participará da votação do impeachment no próximo domingo. "Todo o cidadão minimamente informado sabe que após o sétimo mês de gravidez, os médicos proíbem as gestantes de viajar de avião. Na semana passada, desobedecendo seu médico, Clarissa viajou a Brasília e foi parar no Departamento Médico da Câmara", postou.
Ele ainda analisa o momento político do país.
Confira:
Garotinho desmentiu o teor da coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, com afirmações de que o ex-governador estaria em Brasília, esta semana, para tratar de assuntos relacionados à votação do impeachment num almoço com deputados. Em seu blog, Garotinho reitera a defesa de realização de eleições gerais. Eis então o teor das explicações de Garotinho e o conteúdo da análise do ex-governador e presidente regional do PR sobre a crise.
DESMENTIDO - Quero desmentir categoricamente a notícia divulgada pelo blog de Lauro Jardim, do Globo, que disse que ontem almocei com deputados do PT, tratando de assuntos relacionados com a votação do impeachment. Ontem almocei com o secretário de Planejamento de Campos, Walter Jobe cuidando de assuntos da Prefeitura no Ministério da Fazenda, em Brasília.
DERROTA IMINENTE - Acontece que ao chegar ao restaurante os deputados petistas Paulo Ferreira, Afonso Florence e Henrique Fontana estavam sentados numa mesa ao lado e me perguntaram: "O que você acha que vai acontecer?". Respondi com a franqueza que me é peculiar: "Conforme as notícias que estão sendo publicadas nos sites, a menos que aconteça um milagre, o governo terá uma derrota e o impeachment vai passar com mais de 360 votos".
ELEIÇÕES GERAIS - Sentei-me por alguns minutos à mesa, o que foi presenciado inclusive, entre outros, por um dos líderes do impeachment, o deputado Roberto Freire (PPS-SP). Todos conhecem a minha posição e a posição da minha filha Clarissa, que é quem vota. Eu, como a maioria dos brasileiros, mostrado na pesquisa do Datafolha, defendo eleições gerais porque entendo que o PT e o PMDB formaram o consórcio que levou o Brasil à situação trágica do ponto de vista moral, ético e econômico em que se encontra hoje.
EDUARDO CUNHA, O PERIGO - Mas os brasileiros que são contra as eleições gerais deveriam refletir sobre a tragédia que será para o país Eduardo Cunha se tornar o vice-presidente da República. Eduardo Cunha apareceu nas delações dos principais operadores do Petrolão, foram sete até agora, e o MP Federal já tem em mãos contas do presidente da Câmara no exterior que totalizam, até esta data, mais de R$ 70 milhões, mas isso não é tudo, segundo os procuradores da Lava Jato. Há muito mais a vir por aí.
SEM LEGITIMIDADE - Minha preocupação é que se crie na população o sentimento falso de que basta trocar o PT pelo PMDB para que num passe de mágica as coisas sejam resolvidas no país e a corrupção acabe. Quero deixar registrado meu posicionamento neste momento da história brasileira. Quem pode dar legitimidade a um eventual novo presidente para que faça as mudanças que o Brasil precisa é o povo e mais ninguém.
HIPÓTESE PROVÁVEL - Imaginemos uma situação muito provável de acontecer. A Câmara autoriza no domingo o processo de impeachment contra Dilma e o envia ao Senado. Até 11 de maio, o Senado afasta a presidente por 180 dias. Ao final do processo que é por pedaladas fiscais, e não por corrupção, a presidente é definitivamente afastada. Corre no TSE o processo contra a chapa Dilma/Temer por caixa dois de campanha. Como a presidente já estará afastada será cassado então Michel Temer. O que diz a Constituição sobre novas eleições sobre cassação do presidente e do vice? Se o afastamento ocorrer nos dois primeiros anos de mandato (até 31 de dezembro de 2016) haverá novas eleições diretas. Se ocorrer a partir de 1º de janeiro de 2017, na segunda metade do mandato, será feita eleição indireta onde votarão os membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Ou seja, a Câmara com mais de 70 deputados denunciados na Lava Jato, o Senado com mais de 20 senadores envolvidos nos mais escabrosos esquemas de corrupção, vão se reunir para escolher o novo presidente do Brasil. Quem vocês acham que eles vão escolher?
NAS MÃOS DE USURPADORES - Por isso defendo eleições diretas já, porque o processo de julgamento do TSE, como já foi afirmado por dois ministros da corte, vai se arrastar até o ano que vem, e aí, o nosso destino, o destino do povo brasileiro estará nas mãos daqueles, a quem o juiz Sérgio Moro chama de "usurpadores do dinheiro público".