14/04/2016 07h42 | Foto: Campos 24 Horas e Divugação

A apenas três dias do domingo crucial para a democracia brasileira, quando será votado o impeachment da presidente Dilma Roussef pelo plenário da Câmara dos Deputados, petistas e simpatizantes dos governos do PT em Campos apostam na reta final decisiva com a força do eco da mobilização popular nas ruas para reverter o processo contra a presidente. A oposição precisa de um quorum de 342 votos favoráveis para afastar a presidente, que ainda será julgada em definitivo pelo Senado. Diante da crise que devasta as estruturas do poder em Brasília e abala o governo do PT, o CAMPOS 24 HORAS ouviu o que pensam os petistas do município sobre o delicado momento político que o país enfrenta.
Membro da Executiva local e ex-presidente do diretório municipal do PT em Campos, o presidente do Sindicato dos Bancários da Região, Hugo Diniz(foto), também classifica como “golpismo” o movimento para afastar a presidente Dilma Roussef.
— Sim, golpismo por parte dos inconformados com a vitória eleitoral de Dilma, uma ofensiva da direita com o apoio da grande mídia. Não há base legal fundamentada para o impeachment. Nosso entendimento é que devemos lutar para manter as conquistas alcançadas pelos governos do PT e, ao mesmo tempo, combater a linha neoliberal empregada por esse mesmo governo, mas jamais destituir uma presidente eleita pela maioria dos brasileiros que foram as urnas em outubro de 2014 —, afirmou.
Hugo Diniz também considera que trata as questões que envolvem o PT de forma diferente de outros partidos.
— A grande mídia traça um paralelo das investigações aqui com a Operação Mãos Limpas, na Itália, mas no Brasil as mãos são mais ou menos limpas, na medida em que direcionam o foco no PT e esquecem outros políticos e partidos que igualmente cometeram erros e precisam ser também investigados—, disse.
ALTERNATIVA DE PODER - O sindicalista lembra a capa dos jornais com imagens de peemedebistas como Eduardo Cunha e Romero Jucá, entre outros, festejando a saída do PMDB do governo e gritando “Temer, presidente”, quando o ministro Luiz Roberto Barroso exclamou: “Meu Deus do céu, é essa a alternativa de poder que nos resta como brasileiros”.
— Esse foi o sentimento da maioria dos brasileiros. Tirar do poder uma presidente eleita para colocar o PMDB no governo? É essa saída que temos?”, questiona.

A exemplo de vários juristas de renome no país, o professor Roberto Moraes, ex-diretor do IFF (Instituto Federal Fluminense), questiona a tese das chamadas “pedaladas fiscais” no TCU (Tribunal de Contas da União) que os autores do processo de impeachment tem usado para fundamentar seu pedido.
— Olha o absurdo do golpismo sobre o questionamento a respeito das tais "pedaladas" inventadas pelo TCU (pelo outro "impoluto" Augusto Nardes) e incensada à denúncia contra Dilma como se fossem crimes de responsabilidade. O TCU publicou nota esclarecendo publicamente que nem julgou ainda a representação do MP sobre os decretos de abertura de créditos suplementares em 2015. Desta forma, fica ainda mais evidente que o acolhimento de pedido de impeachment não se sustenta se ele foi baseado também em algo que sequer foi apreciado e muito menos condenado pelo TCU. O golpe é cada dia e cada vez mais claro — analisou, através de sua página no Face Book..
Moraes vê uma contribuição decisiva da mídia no trabalho de desconstrução do PT, fato que ganha repercussão internacional na imprensa de vários países.
— A partidarização da mídia e seu controle oligopolizado por poucas famílias que usam sua força para criar novo golpe no Brasil continua sendo assunto em todo o mundo. Agora, foi o britânico The Independent — postou.
O ex-diretor do IFF menciona ainda que os ataques da grande imprensa tem surtido efeito contrario, como o crescimento do ex-presidente Lula nas pesquisas para as eleições em 2018, como favorito ao lado da ex-senadora Marina Silva.
— As pancadas fazem crescer Lula como massa em padaria, segundo o Datafolha.A pancadaria encima de Lula é única na história em proporção, tempo e cerco. A articulação parlamentar-midiática-jurídica para fazer isto é avassaladora. O MPF, a PF, todas as redes de televisão e quase todas as mídias comerciais — acrescenta.

SEM AUTORIDADE MORAL - O professor José Luis Viana da Cruz, da UFF/Campos (Universidade Federal Fluminense/Campos), considera que os que comandam o processo de impeachment não tem autoridade moral para afastar a presidente, a partir da própria Comissão do Impeachment, onde 35 dos 38 deputados que votaram pelo afastamento de Dilma responde a processos judiciais por corrupção.
— Isso diz tudo! Sem moral para falar em impeachment de uma presidente sem condenação — lembrou.
Trabalhista e um dos fundadores do PDT em Campos, o jornalista Avelino Ferreira também manifesta seu posicionamento contra o impeachment de Dilma Roussef.
— Embora saiba que o PT é um engodo, desde sua formação, não posso ficar favorável ao golpe que tentam desfechar na presidente Dilma Roussef. Quem deseja sua cassação? Os banqueiros, a FIESP, as Organizações Globo e, claro, parte ponderável da classe média, que jamais ficará ao lado dos pobres. A exceção confirma a regra — analisou em seu blog.
Avelino vê pressões externas para derrubar um governo com origem nas bases populares.
— Os EUA não querem o Brasil negociando com a China, a Rússia, a Índia e outros países como Cuba (eles podem), Venezuela, África do Sul... Aliás, os EUA negaram participação nos golpes militares nos países da América Latina e, depois, liberou documentos que comprovam que eles financiaram todos os golpes — avaliou.
GRANDE CAPITAL - Para Ferreira, as forças do grande capital temem a eleição de Lula nas eleições presidenciais em 2018.
— Alguns dizem que estou vendo fantasmas, que abracei a teoria da conspiração. Diziam isso do Brizola, quando denunciava ele a interferência dos EUA na América Latina e, claro, no Brasil. Riram dele mas, depois, reconheceram que ele tinha razão — lembrou.
— E por que desejam cassar a Dilma? Por que temem que Lula vença as eleições de 2018. Por que desejam o fim dos programas sociais. O PT colabora, com a prática de tudo aquilo que seus partidários abominavam. Mas não é por erros cometidos que as elites querem fim da era petista, mas porque não podem suportar ver seus filhos misturados com os plebeus nas universidades, através das cotas, entre outros benefícios às camadas mais pobres. Quando vejo no Parlamento figuras como Paulo Maluf, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Jader Barbalho e outras do mesmo naipe conspirando a favor do golpe, fico pasmo. Estou do lado contrário. Contra o golpe — concluiu.