28/03/2016 18h19 | Foto: Câmara dos Deputados

Manifestantes a favor e contra o impeachment se enfrentaram com "guerra de palavras de ordem" no Salão Verde da Câmara nesta segunda-feira. A maioria dos manifestantes a favor do impeachment era formada por advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que estavam no local para entregar um novo pedido de impeachment, protolocado pelo presidente da entidade Claudio Lamachia. Manifestantes contrários à saída da presidente Dilma Rousseff - que já tinham participado de ato no Anexo II da Casa - chegaram ao salão, quando começou a discussão. Os grupos já deixaram o Salão Verde da Casa.
Seguranças da Câmara chegaram a se posicionaram entre os dois grupos, mas o enfrentamento ocorreu apenas com palavras. Como em uma guerra de torcida de escola ou de futebol, um dos lados puxava palavras de ordem e o outro esperava um pouco e reagia com outro bordão.
Do lado dos que criticam o impeachment, entre as frases gritadas estavam: "Golpistas, golpistas, não passarão" e "A OAB apoiou a ditadura". Os advogados da OAB reagiram gritando "Lula ladrão" e cantaram o hino nacional.
As manifestações começaram no Anexo II, próximo ao plenário. Um grupo liderado por parlamentares do PSOL, PCdoB e do PT protestaram contra afastamento da presidente Dilma Rousseff.
— Parte do judiciário integra esse golpe. Nós temos que dizer para eles: ninguém vai governar esse país se tiver golpe. Os corruptos desse país se reuniram para dar um golpe na constituição. Nos não vamos aceitar. No tapetão eles não vão levar — disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ).
O deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou nesta segunda-feira que o novo pedido de impeachment, apresentado à Câmara pela OAB, mostra que o processo em análise pela Casa, peticionado pelos juristas Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior, é "absolutamente frágil". Ele questionou a falta de provas para suposto crime de responsabilidade cometido pela presidente.
Entidade autora do pedido de impeachment que levou ao afastamento do presidente Fernando Collor em 1992, a OAB aprovou posição favorável à saída da presidente Dilma do cargo no dia 18 de março. Foi aprovado um parecer reconhecendo a prática de crimes de responsabilidade pela Presidência. Em entrevista ao GLOBO publicada neste domingo, Lamachia, afirmou que a instituição não tem posição partidária e ressaltou que a decisão tomada foi técnica. As informações são do jornal O Globo.